ciência na blogosfera: quem, como, porque

Essa última semana foi mais atribulada que o usual e a próxima promete superá-la. Assim, vou interromper temporariamente a série matemática que vinha apresentado aqui no blog, mas já-já volto à ativa também virtualmente. Nesse entretempo, vou deixá-los com o vídeo da íntegra do debate sobre blogs de ciência que rolou há uma semana na Campus Party e do qual participei junto com pessoas queridas do Science Blogs Brasil.

Diretamente relacionado ao tema e, claro, para quem ainda não teve chance de ler, sugiro também uma passada de olhos pelo post que escrevi pensado nas questões desse painel: a blogosfera científica em debate. Também fiz uma compilação dos tuítes que postamos ao longo do debate (vocês verão no vídeo três dos debatedores alternando esquizofrenicamente entre as intervenções ao vivo e as intervenções virtuais) e logo compartilho aqui (atualização em 08/02: link incluído).

[aviso aos navegantes: o debate propriamente dito inicia-se por volta dos 7 minutos do vídeo, já que a gravação incluiu também um pouco do nosso ti-ti-ti inicial antes de ser dada a largada].

Atualização em 08/02/2010: Bastante relacionado ao tema deste debate e portador de um reflexão muito bem colocada é o post Divulgação científica: uma atividade sem conceito? Recomendo a leitura!

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série matemática 5: Donald no país da matemágica

Uma sequência didática e divertida para a série: Donald no país da Matemática. Uma delícia esse desenho da Disney! E um ótimo recurso didático para aproximar os alunos mais novos do tema. Abaixo a versão dublada e aqui os links para os originais em inglês: parte 1, parte 2 e parte 3. Agradeço ao Joey Salgado pela ótima dica!

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a blogosfera científica em debate

Como disse, a Campus Party sediará um debate sobre blogs de ciência hoje às 10h30. Haverá transmissão ao vivo pela web (basta acessar o canal “blog”). Participaremos Isis Nóbile Diniz (jornalista e autora do blog Xis Xis), Reinaldo José Lopes (jornalista, autor do blog Chapéu, Chicote e Carbono-14 e coautor do blog Laboratório), Atila Iamarino (biólogo e autor do blog Rainha Vermelha) e eu, devidamente orquestrados por Carlos Hotta (biólogo e autor do blog Brontossauros em meu Jardim).

Sobre o que falaremos? O debate será guiado  pelas perguntas dos campuseiros nessa jornada de abordar “a consolidação do uso da blogosfera na divulgação científica”. Assim, se você pretende participar presencialmente do debate, realize seu desejo de perguntar tudo aquilo que sempre quis saber de um blogueiro de ciências. Também, é claro, são muito bem vindas perguntas depositadas na caixa de comentários de nossos blogs, espaço eterno de discussão.

Além das perguntas que moverão o debate, há algumas questões interessantes circulando pela própria blogosfera e que provavelmente abordaremos por lá. Resolvi fazer um pequeno resumo destas, até para atiçar os debatedores e os perguntadores.

O que é um blog e por que blogar?

Para a primeira parte da questão, recomendo um passeio pelos slides de Sílvio Mendes, da Associação Viver a Ciência. Para a segunda, resumo o que já disse em entrevista à Ciência Hoje, durante o II Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa (EWCLiPo):

  • é uma ferramenta de muito fácil uso e há modelos prontos e gratuitos;
  • permite o estabelecimento de uma comunicação efetiva, rápida e com possibilidade de monitoramento “da audiência”;
  • possibilita a conexão do blogueiro a uma ampla rede de relacionamentos;
  • a linguagem dessa mídia aproxima leitor e blogueiro tanto pela sua informalidade, quanto pelo fato de o leitor ser também um ator dentro do blog via o espaço de comentários/debates (é claro que sempre tem gente que não sabe brincar e, por exemplo, comete a bobagem de fazer blog fechado para comentários…);
  • vídeos, fotos, enquetes, podcasts e muitos outros recursos podem ser usados na comunicação via blog além das palavras com ou sem links.

Eu blogo por três razões básicas: para comunicar o que sei e gosto, para me divertir e para fazer parte de uma comunidade com interesses afins.

Há diferença entre os blogs de ciência e blogs de outros temas?

Sim e não. Não porque um blog de ciência é, antes de tudo, um blog. Então está fundamentado na mesma linguagem, nos mesmos recursos de expressão. Sim porque “blog de ciência” é um termo amplo que abarca blogs científicos, blogs de jornalismo científico, blogs de ensino de ciências, blogs que falam sobre a ciência de todas essas formas (como este aqui) e até mesmo – infelizmente – blogs pseudocientíficos e “cienciacionalistas”. Assim, o perfil tanto de blogueiros quanto de leitores é muito amplo nesse canto da blogosfera. Isso é um pouco bom e um pouco ruim, mas aí já estou invadindo o espaço de outra pergunta.

Quais as vantagens e desvantagens da divulgação científica via blogs?

As vantagens são muitas, relacionadas justamente às características da mídia blog expressas acima. Como desvantagens só vejo duas. Uma reside no fato de que em países como o Brasil ainda é pequena a porcentagem de pessoas com acesso à internet. Mas isso não chega a ser uma desvantagem real, tanto porque a tendência é essa porcentagem crescer rápido, quanto porque os blogs não são e nunca deverão ser uma forma exclusiva de divulgação da ciência, por mais vantagens que apresentem.

Blogs de ciência são mais uma forma possível para falar de ciência. Uma boa forma possível de se falar sobre ciência, é fato. Mas apenas isso. Blogs de ciência não substituirão (e nem pretendem substituir) exposições em museus, documentários, jogos, aulas, artigos etc.

A outra desvantagem vem justamente da facilidade de uso da ferramenta. É mais ou menos assim: qualquer um pode escrever um blog, mas nem todos escrevem bem. Mais que isso, nem todos escrevem bem sobre ciência. E eu ainda acrescentaria um outro mais que isso: nem todos blogam bem sobre ciência (porque escrever sobre ciências em uma revista é uma coisa, em um blog é outra. Como abordei apressadamente acima, é uma outra mídia, que tem uma outra linguagem, uma outra dinâmica).

O resultado disso é que há – vamos falar claramente – um monte de lixo espalhado pela web. E aí, como separar o joio do trigo? (Fora usar o bom senso e o conhecimento prévio, claro) Falarei um pouco sobre isso logo abaixo, na reflexão sobre o futuro da blogosfera.

Podemos falar em blogosfera científica ou os blogs de ciência ainda são tocados por meia dúzia de gatos pingados?

A blogosfera científica já é grandinha e vem crescendo rapidamente. O ABC (Anel de Blogs Científicos em língua portuguesa) já conta com cerca de 250 blogs cadastrados, a maior parte deles do Brasil. Foi organizada até uma premiação em 2009.

O reflexo desse crescimento é que a blogosfera científica passou a ser notícia (como aqui) e até a Nature dedicou uma edição ao tema. A expansão da blogosfera científica também passou a ser assunto de trabalhos acadêmicos que visam compreender e caracterizar a dinâmica dessa comunidade. Um exemplo foi a apresentação de trabalho sobre a blogosfera científica brasileira no X Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico [Referência: Dias, H. Blogs e tendências do jornalismo científico. In: Victor, C. e col. (Orgs). Jornalismo científico e desenvolvimento sustentável. São Paulo: All Print Editora, 2009, p. 179-205].

Outro sintoma dessa expansão está na própria Campus Party: no ano passado o debate sobre os blogs de ciência ficou restrito ao stand da Sesc TV  e TV Cultura presente no evento. Esse ano o debate subiu para o pódio do Campus Blog.

Qual o futuro da blogosfera científica?

Acho que é o da agregação e da validação.

Agregação porque vem sendo uma tendência natural da web. Com tanta informação circulando, está cada vez mais difícil de encontrá-la. Assim, ferramentas que agrupem por temas, por relevância ou por qualquer critério que seja, vêm ganhando cada vez mais espaço. Embora a web semântica já esteja se tornando uma realidade, o que deve facilitar muito a busca e caracterização de informações, acredito que o movimento de agregação só tende a crescer. No caso dos blogs de ciência, um exemplo é o portal Science Blogs Brasil (conheça um pouco dessa história aqui).

Validação porque não só está difícil encontrar informação na web, como é mais difícil ainda encontrar informação “que preste”. No caso dos blogs de ciência, há o grande problema da pseudociência infiltrada. Como validar? Essa é uma questão ainda em desenvolvimento. A própria agregação pode ser uma forma de validação. Outra é somar à agregação estratégias importadas de outras mídias, como a revisão por pares (um exemplo é o Research Blogging). Outra ainda é formar uma comunidade gestora que inclui a validação nas suas atribuições, como ocorre nas Wikis, sendo a Wikipedia o exemplo mais conhecido mundialmente.

E outra ainda é continuar somando agregação e validação, como já é uma realidade. Exemplos disso são eventos como o EWCLiPo e o Science Online, premiações, edições de antologias de melhores postagens de diversos blogs de ciências (como o The Open Laboratory) etc.

E como tudo na blogosfera são conexões…

… deixo o post por aqui, mas o debate prossegue. Na Campus Party, nos comentários que eu espero mediar abaixo e também nesses links que indico a seguir.

[e lembrando que os posts continuam nos comentários, a listinha abaixo foi pensada também pelos debates que carregam - experimente!]

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série matemática 4: geometria 3D

A dica desses vídeos fantásticos veio do @Karl_Ecce_Med. É o melhor exemplo que já vi de divulgação científica + ensino de ciências + história da ciência + aproveitamento pleno da linguagem da mídia em que se transmite a mensagem + beleza + diversão. Perfeito para nossa série matemática.

A geografia e a geometria são duas ciências que estudam a Terra. Etimologicamente, a geografia tenta desenhá-la e a geometria procura medí-la.

Essa frase resume a ideia e o conteúdo do primeiro vídeo. Narrado por Hiparco, traça as relações entre os objetos de estudo da geometria e da geografia. Passando pelos conceitos de esfera, círculos, ângulos, meridianos, paralelos, latitude, longitude, altitude etc, entendemos como a cartografia pode desenhar a esfera terrestre em um plano – a projeção esterográfica.

Tudo isso por meio de imagens 3D, narração precisa e uma trilha sonora deliciosa, que tornam tudo extremamente visível, simples e belo.

A próxima etapa da jornada até a quarta dimensão envolve uma brincadeira com os mosaicos de Escher. O próprio artista holandês narra essa parte da viagem, em que um dos répteis de seu famoso desenho escapa da segunda dimensão e observa, a partir de seu pedestal na terceira dimensão, os demais no plano.

E depois da quarta dimensão, o que vem? Números complexos e fractais,  a relação entre a geometria e a álgebra, caos, topologia, fibração… uff!, é uma longa viagem essa ao longo dos 9 vídeos que compõem a série – e vale muito a pena! Veja por si mesmo:

Os vídeos acima estão em espanhol – há versões em outras línguas aqui, mas não em português. Já a explicação sobre o projeto está disponível em português aqui.

Não deixe de conhecer os responsáveis por esse trabalho fantástico que, não contentes em produzir esses vídeos espetaculares, ainda reuniram um material explicativo sobre cada um deles, com diversos links e até outros vídeos, e um guia para professores com orientações para o uso didático dos vídeos. Uma preciosidade!

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