feliz 2012!
Dezembro 30th, 2011 § 1 Comentário
Promessa de ano novo: postar mais no blog.
Uma excelente virada a todos e um 2012 daquió!
[o presentinho abaixo foi roubado do Viver a Ciência]
mais biologia sintética
Dezembro 5th, 2011 § 7 Comentários
No post anterior, mencionei meu entusiasmo recente pela biologia sintética, provocado principalmente por uma conferência incrível a que tive oportunidade de assistir em setembro durante a abertura do Congresso Brasileiro de Biossegurança. O palestrante era Andrew Hessel, da Singularity University, uma instituição localizada no centro de pesquisa da Nasa no Vale do Silício. Criada há 3 anos com o objetivo de treinar pessoas em fast moving technology, tem a engenharia genética como uma das principais áreas de investigação e, claro, a biologia sintética como o mais recente e promissor desdobramento.
O esquema abaixo, apresentado por Hessel em sua conferência, mostra uma possível equivalência entre a hierarquia observada na engenharia computacional e uma para a biologia sintética. E resume bem a ideia de manipulações moleculares, que interferem no metabolismo celular, a partir de intervenções diretas no “código-fonte” da vida, o DNA.

Andrianantoandro, E.; Basu S.; Karig D.K.; Weir R. Synthetic biology: new engineering rules for an emerging discipline. Molecular Systems Biology, 2, 2006. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16738572
A partir do uso de “peças Lego da biologia sintética”, disponíveis em bancos como o da Do-It-Yourself Biologist e da BioBricks Foundation, novas estruturas celulares e mesmo organismos inteiros podem ser sintetizados. De acordo com Hessel, tudo que hoje é feito quimicamente, como combustível, plástico e fertilizantes, poderá ser feito bioquimicamente.
E muito já se tem feito. O próprio Hessel, por exemplo, esta à frente de uma cooperativa open source com objetivo de mudar o paradigma biotecnológico do tratamento do câncer por meio da biologia sintética (Pinky Army Cooperative). Outra iniciativa interessante é a competição em biologia sintética voltada a estudantes (International Genetically Engineered Machine Competition – iGEM), patrocinada por importantes instituições de desenvolvimento científico e tecnológico, como o MIT, a Nasa, a National Science Foundation e a Biobricks Foundation.
Um grupo de estudantes da USP, candidato à próxima versão da competição iGEM, vem escrevendo um blog que se converteu rapidamente em uma excelente fonte sobre biologia sintética em língua portuguesa. Com informação qualificada e acessível para não especialistas, o SynbioBrasil é um ótimo ponto de partida para conhecer o básico sobre biologia sintética e se manter atualizado a respeito dos avanços da área.
Este infográfico elaborado pela revista Seed Magazine também é um bom ponto de partida, assim como o vídeo abaixo, realizado pela Universidade de Bristol.
Frente ao magnífico avanço dessa nova vertente da biotecnologia, o que ainda esta incipiente é o debate ético e o relacionado à biossegurança, como bem colocou Paul Roote Wolpe na Ted Talk que já virou post aqui no blog. O recém criado Virtual Biossecurity Center é uma importante iniciativa no sentido de estabelecer uma rede entre cientistas, educadores e governantes que podem colaborar para o desenvolvimento de uma “biotecnologia responsável”. Quanto a isso, assino embaixo da frase de Hessel no encerramento de sua conferência: Training young people is the best security system.
de biologia e tecnologia
Dezembro 4th, 2011 § Deixe um Comentário
Como prometido, segue a íntegra da minha coluna escrita para a segunda edição da Revista Quanta.
Dessa vez, falo um pouco sobre biologia sintética, inspirada pelo evento satélite do VII Congresso Brasileiro de Biossegurança, organizado pela Anbio. Fiquei encantada pela área, especialmente cativada pela excelente conferência de abertura proferida por Andrew Hessel, da Singularity University. No próximo post amplio um pouco o papo sobre o tema e indico alguns ótimos links para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a área.
Por enquanto, seguem os links para os estudos mencionados na coluna:
quanta ciência!
Dezembro 3rd, 2011 § Deixe um Comentário
A nova edição da Revista Quanta ja esta nas bancas! A reportagem de capa esta bem bacana, trazendo um amplo apanhado sobre as principais questões químicas, geopolíticas, biológicas etc relacionadas ao lítio.
Também gostei muito da entrevista com Verônica Valentinuzzi, cronobióloga de primeira com quem tive o prazer de trabalhar durante a pós-graduação. A íntegra da entrevista pode ser lida aqui: Cronobiologia – os ritmos da vida.
Abaixo segue o índice com a descrição dos temas contemplados na edição e, no próximo post, a íntegra da minha coluna, que aborda a biologia sintética.
professores: sofredores e educadores?
Outubro 15th, 2011 § 4 Comentários
Estava pensando em tirar a poeira do blog e escrever um pouco sobre educação motivada pela celebração do dia do professor quando recebo de um querido professor a reflexão que reproduzo abaixo (com a devida autorização).
O texto é do professor José Roberto Castilho Piqueira, atual vice-diretor da Poli-USP, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Automática e de quem já falei um pouco por aqui. Espero que gostem e aproveito para deixar meu carinhoso abraço a todos os magníficos professores com quem tive a oportunidade de aprender muito e querer aprender sempre mais.
Professores: sofredores e educadores? – por José Roberto Castilho Piqueira
Abro meu correio eletrônico e encontro a gentil mensagem de um velho amigo: parabéns professores, sofridos educadores, pelo seu dia. Fico feliz, mas como todo professor começo refletir sobre o escrito. Será que minha profissão é sofrida? Depois de quarenta anos de sala de aula, giz e lousa, sou educador?
Desde pequeno, ver minha mãe ensinar me fascina. Do alto de seus 93 anos, Dona Elisa ainda mostra seus fortes traços de liderança e capacidade de aprender o novo, de maneira positiva e crítica, sem qualquer traço de sofrimento originário de sua profissão. Vê-la preparar suas aulas e seus antigos flanelógrafos era quase uma magia. Até hoje, quando escrevo na lousa ou faço uma apresentação eletrônica, lembro de seu capricho e perfeccionismo.
Talvez venha daí minha constante ansiedade por dar uma boa aula. A primeira vez que fiz isso a sério foi quando estava no terceiro ano de engenharia. Um colega que tinha um curso pré-vestibular me convidou e lá fui eu, dar aulas de Física.
De lá para cá, nunca mais parei. Trabalhei na indústria, em projetos e serviços de engenharia, mas o ensino sempre foi meu maior prazer. Não sou capaz de lembrar um momento de sofrimento, originário desse trabalho. Lembro dos cursos que lecionei, das disciplinas que aprendi e, principalmente, dos amigos que fiz nessa faina.
Sou capaz de entender que, ao longo do tempo, fui um privilegiado, vivendo sempre em instituições que respeitaram meu trabalho e de meus colegas, recebendo, sempre, remuneração compatível com o esforço. Talvez esteja aí a solução para eliminar os professores sofredores: bom ambiente de trabalho, respeito e remuneração digna. Estado e mantenedores de escolas particulares poderiam retomar essa receita. Ela é simples e custa muito menos do que parece.
Falando agora de educação, não gosto de receber o qualificativo de educador, pois não tenho preparo adequado para isso. Acredito que a tarefa de educar é muito pesada para ser deixada para o professor, exclusivamente. O professor é parte do processo, mas há a família, os pais, o Estado e a sociedade civil, responsáveis por exemplos de conduta, essenciais para uma educação que privilegie o ser humano e a vida no planeta.
Não dá para um simples professor, com algumas horas divididas entre certo número de alunos, competir com a televisão ou com a internet na tentativa de transmissão de valores sociais. Será que é possível, sem ajuda da família ou do Estado, mostrar quão vazios de valores reais são os reality-shows? Ou como as profissões que requerem estudo e trabalho são tão ou mais prazerosas e rentáveis que às relacionadas ao glamour?
Por essas e por outras, querido amigo, não sou sofrido e não quero ser educador. Sou só um professor de engenharia, que espera um futuro melhor para o país, com ensino público de qualidade, com alunos e professores felizes.
Enquanto esse dia não chega, sigo meu trabalho.
Atualização em 26/10/2011: O texto do Prof. Piqueira saiu aqui e, em seguida, o Globo o colocou no lugar da coluna do Veríssimo em 23/10/11 com o título Será que é possível?





