estatísticas sobre a vacina para o H1N1

Abril 18, 2010 § 1 Comentário

A correria tem sido grande ultimamente e por isso tenho postado pouco por aqui. Espero a voltar a equilibrar a balança em breve. Enquanto isso, aproveitando que a preocupação com a vacinação para o H1N1 tem sido grande, mato dois coelhos num post só. Vou repassar a dica, vinda do @besteves, de um site sensacional que apresenta as mais diversas informações de forma belíssima e visualmente limpa. Trata-se do Information is beautiful.

E o que a gripe suína tem a ver com isso? Nesse post do referido site há um belo conjunto de dados sobre a segurança e eficácia da vacina para o H1N1. Reproduzo-o abaixo:

Para mais informações sobre a vacina para o H1N1, veja esse post: a vacina contra a gripe suína é segura?

a vacina contra a gripe suína é segura?

Março 21, 2010 § 19 comentários

A vacina contra a gripe suína contém substâncias tóxicas? É verdade que essa vacina é um plano do governo estadounidense para reduzir a população mundial matando deliberadamente um grande número de pessoas? É mais arriscado tomar a vacina do que contrair a gripe?

As perguntas angustiadas estão pipocando entre as pessoas. Esse é o momento que os spams proliferam, só piorando o cenário. Se você está em dúvida, é natural e desejável que procure se informar a respeito. Mas cuidado com as fontes de informação que utiliza; algumas são piores do que informação nenhuma.

Como fiz durante a temporada anterior da gripe A H1N1, deixo uma seleção de boas fontes com o intuito de ajudar aqueles que estão mais inseguros:

Informações gerais sobre a gripe suína (gripe A H1N1) podem ser encontradas no site do Ministério da Saúde e no Influenza A (H1N1) Blog, da Biblioteca Virtual em Saúde.

Informe-se, relaxe, vacine-se e viva tranquilo!

Atualização em 27/03/2010: Esse excelente post do biólogo Roberto Takata esclarece passo a passo os absurdos erros do e-mail alarmista sobre a vacina da gripe suína que mais tem circulado por aí. Leitura obrigatória!

E também da lavra de Takata: Gripe e conspiração – Como bem resumiu o @oatila, “por que a indústria farmacêutia ia conspirar pra lucrar com a vacina quando o remédio pra gripe vale mais?”

Atualização em 30/03/2010: No Ceticismo Aberto, uma super compilação referendada sobre os riscos, benefícios e demais números relacionados à vacina contra o H1N1 – A histeria da vacina. Leitura obrigatória para quem tem dúvidas sobre a  segurança da vacina.

de ciência, jornalismo e paixões

Outubro 7, 2009 § 5 comentários

Está imperdível o Espaço Aberto Ciência e Tecnologia que a Globo News exibe esta semana. Embora com um título a la NatGeo (Assassinos microscópios: saiba mais sobre os vírus que exterminam), o programa é muito bom e traz uma das explicações mais didáticas e de amplo espectro que já vi sobre as epidemias de gripe espanhola e suína.

Também, não é para menos: a entrevistada da vez é Gina Kolata, editora de ciências do New York Times, microbiologista, autora do livro Gripe: a história da pandemia de 1918 e a simpatia em pessoa!

O jornalista Luis Fernando Silva Pinto conduz um delicioso bate papo sobre os vírus, as diversas influenzas, os temores sobre as vacinas, a carreira de cientista, o trabalho de jornalista, o excesso de exames médicos realizados e muito mais. Tudo isso complementado por oportunas e dosadas inserções, como um trechinho do filme Guerra dos Mundos (que acho péssimo como filme, mas a “mensagem” da parte selecionada é ótima).

Muitos talvez se interessem mais pela parte de microbiologia abordada que, inclusive, é o mote do programa. Mas eu me identifiquei ainda com a história de Gina, que desisitu do doutorado no MIT para dedicar-se a duas paixões: ler e escrever sobre ciências. No programa ela conta que uma das coisas que a incomodava no trabalho de laboratório era o ritmo lento um tanto inerente à prática científica.

Momento meu querido diário: não pude evitar a identificação com Gina, guardadas todas as devidas proporções. Também optei pelo ensino e divulgação de ciências depois de descobrir que adoro a porção criativa e desafiadora da pesquisa científica, mas não tenho a menor paciência para a fogueira de vaidades da academia.

Assista ao programa abaixo ou diretamente na página da emissora neste link. Serão 20 deliciosos minutos, prometo!

Vodpod videos no longer available.

Algumas leituras recomendadas e relacionadas aos temas abordados na entrevista:

o que você procurou sobre a gripe suína e não conseguiu encontrar no mar de tranqueiras da www

Setembro 5, 2009 § Deixe um comentário

O interesse pelas notícias e informações sobre a gripe suína tem sido um dos principais motores deste blog ultimamente  – como, imagino, deve estar sendo de muitos outros blogs científicos e/ou sobre ciência. A cada vez que olho as estatísticas do WordPress para este blog me deparo com motores de busca do tipo “a gripe suína opiniões criticas”, “o que a ciência fala sobre a gripe suína”, “texto sobre gripe suína” etc.

Enquanto o governo esquizofrenicamente alterna proibições e liberações da comercialização do Tamiflu e outras medidas que estão provocando discussão e críticas entre os especialistas em infectologia e vigilância sanitária, é nítido que as pessoas estão buscando informações confiáveis que realmente possam… informá-las! Os resultados indicados acima para este blog são um reflexo disto.

Por sorte, finalmente agora podemos dizer que contamos com um bom leque de opções de informações confiáveis, em português e em linguagem acessível para o leigo. Acho que frente a tantas trapalhadas e informações desencontradas, algumas instituições de pesquisa, alguns pesquisadores e – que boa notícia! – alguns veículos de comunicação mais sérios fizeram um esforço conjunto para abordar o tema.

Para você que ainda não conseguiu se deparar com tais materiais no mar de tranqueiras da www, segue uma seleção para facilitar o caminho das pedras:

=> Influenza A (H1N1) Blog: excelente inicitativa da Biblioteca Virtual em Saúde (Bireme), em parceria com a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), que traz ótimos e esclarecedores textos de Átila Iamarino sobre o vírus, a enfermidade, o histórico do estudo sobre eles, o desenho da vacina para a gripe suína etc;

=> A vacina para o H1N1 e a GBS: tradução para o português do texto do neurologista da Universidade de Stanford, Steven Novella, sobre a doença neurológica Síndrome de Guillain-Barré (GBS) e os riscos associados tanto à influenza quanto à vacina para combatê-la (se preferir ler o original em inglês, vá direto pra cá);

=> Boletim da Gripe: iniciativa da TV Cultura, em parceria com o canal de televisão do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCTV), que traz uma reunião de vídeos informativos e respostas a perguntas mais frequentes sobre os sintomas, como se prevenir etc;

=> A lebre, a tartaruga e a gripe suína: um apanhado de publicações que desmistificam muitos dos spams, notícias mentirosas e teorias da conspiração sobre a gripe suína que vêm circularando pela www.

Para o público infanto-juvenil

As crianças e adolescentes configuram um dos grupos mais atingidos por essa pandemia, mesmo que não diretamente. É que em muitas cidades brasileiras o início das aulas foi adiado por semanas como forma de reduzir a proliferação do vírus. Mas poucos se preocuparam em explicar especificamente às crianças e adolescentes o que é essa gripe, quais os riscos, como combatê-la, qual a importância de medidas simples de higiene, qual o objetivo da medida de adiar o início das aulas etc.

Nesse sentido, há dois textos publicados na revista Ciência Hoje das Crianças que são um bom um material informativo e divertido para as crianças. São eles: A mais nova gripe e Dor, febre, tosse e espirro: é gripe ou resfriado?.

Também voltado ao público infanto-juvenil, há alguns vídeos da turma do “Cocoricó” e do programa “Cambalhota”, ambos da programação da TV Cultura. Assista a dois desses vídeos aqui, em matéria da Folha de São Paulo. O primeiro é mais aplicável às crianças e o segundo aos adolescentes, e podem ser uma boa forma de introduzir o assunto em sala de aula.

a polêmica em torno da vacina para a gripe suína

Agosto 31, 2009 § 44 comentários

Estamos na reta final para produção e distribuição da vacina contra a gripe suína. Até que sua aplicação seja efetivada, os alarmistas de plantão têm tempo de sobra para espalhar suas teorias da conspiração e incitar o pânico sobre os “grandes riscos” inerentes à vacina.

Assim, achei bem interessante e oportuno o post que o neurologista Steven Novella publicou em seu blog NeuroLogica uns dias atrás (H1N1 vaccine and GBS) e resolvi dar sequência à série “ciência traduzida” deste blog (veja mais aqui) apresentando uma versão em português desse texto.

Aproveito a ocasião para divulgar também uma sequência de infográficos publicada no Estadão e que explica como se forma uma nova cepa do vírus da influenza e como o vírus infecta a célula humana. Está bem interessante, vale a pena conferir! Abaixo, segue a tradução do texto do Dr. Steven Novella:

A vacina para o H1N1 e a GBS

Como a maioria das pessoas já deve saber, estamos no meio de uma pandemia – a gripe suína ou H1N1. Trata-se de uma cepa do vírus Influenza A, que causa uma infecção respiratória severa. O vírus evolui rapidamente e novas cepas aparecem a cada ano, provocando a gripe sazonal que causa 30.000 mortes nos EUA e 500.000 ao longo do mundo. (O H e o N referem-se às duas proteínas principais usadas para classificar diferentes cepas do vírus – Há um resumo mais detalhado aqui.)

Devido ao fato de a pandemia em curso ser causada por uma cepa do H1N1, a mesma que causou a pandemia de 1918-1919 que matou milhões, as organizações de saúde pelo mundo estão compreensivelmente preocupadas e estão monitorando a pandemia cautelosamente. Há também esforços em curso para desenvolver uma vacina. Isso traz preocupação adicional por causa da pandemia de 1976 provocada pelo H1N1: a vacina dada para combater aquela cepa foi relacionada a casos da Síndrome de Guillain-Barré (GBS). Infelizmente, embora o risco provável da GBS seja muito menor do que o risco da gripe em si, esse risco inflou os ânimos dos espalhadores de pânico sobre vacina. Esse artigo de certa forma irresponsável do Daily Mail é um bom exemplo.

GBS

A GBS é uma desordem neurológica autoimune. É uma enfermidade pós infecciosa monofásica (processo de uma via que se torna pior e depois melhora). Em essência, uma infecção por um vírus ou bactéria deflagra uma resposta inflamatória secundária por parte do sistema imunitário contra as proteínas mielínicas. A [bainha de] mielina constitui uma camada em volta dos nervos – a inflamação inibe a condução nervosa, danifica a [bainha de] mielina e, quando severa, pode danificar a própria fibra nervosa abaixo dela. Isso resulta em fraqueza, entorpecimento e disfunção autonômica. A fraqueza, quando muito severa, pode inibir a respiração, resultando em necessidade de ventilação mecânica. [Do que se sabe] até agora, o maior risco da doença é a disfunção autonômica, que pode provocar uma queda severa na pressão sanguínea, dentre outros sintomas.

Se identificada no início e tratada adequadamente, a maioria dos pacientes com GBS são afetados por um período curto – dias a semanas – e se recuperam quase completamente. Porém, casos severos ou não tratados podem resultar em paralisia permanente e há uma taxa de mortalidade de 3 a 4%. (Embora eu tenha tratado muitos casos, eu nunca vi uma morte por GBS – nem mesmo próximo disso. Suspeito que esses casos resultem de uma demora importante para [início do] tratamento ou de tratamento inadequado).

A GBS pode ser deflagrada não apenas pela gripe ou outras infecções, mas também por vacinas usadas para prevenir infecções. Isso ocorre porque as vacinas são desenhadas para estimular o sistema imunitário, para provocar uma resposta imune – que é o que causa a GBS. O risco de adquirir GBS a partir da vacina antigripal é de 1 em 1 milhão. Esse é um dado bastante confiável, já que estamos usando a mesma tecnologia básica para produção de vacinas antigripais por décadas e temos estatísticas confiáveis sobre a GBS uma vez que a doença requer hospitalização. Alguns casos podem passar despercebidos se forem muito leves (provavelmente raros, mas também se um caso for tão leve ao ponto de passar despercebido, então quem se importa?) ou se forem mal diagnosticados (também provavelmente raros, já que é razoavelmente fácil eventualmente confirmar o diagnóstico, mesmo se for difícil identificar no início).

Destaque-se que a GBS não afeta o cérebro (como o Daily Mail incorretamente noticiou), mas apenas os nervos periféricos. Ocasionalmente a medula espinal pode também ser afetada, mas de maneira geral a GBS é uma doença periférica.

Vacina antigripal para o H1N1

À medida que nos preparamos para a vacina antigripal para o H1N1, há muita difusão de pânico pelos “antivacinistas”, os conspiracionistas e os críticos (geralmente competidores) da medicina baseada em ciência. A matéria do Daily Mail, infelizmente, joga esse jogo de disseminação do pânico ao mesmo tempo que omite qualquer resposta razoável de cientistas no artigo. A preocupação com a GBS foi levantada porque em 1976 a vacina para o H1N1 ou gripe suína deflagrou um surto de GBS e estima-se que cerca de 10 em cada milhão de vacinados apresentaram a GBS. Também ocorreu que a pandemia de 1976 acabou se mostrando muito leve.

A vacina antigripal usa a mesma tecnologia que vem sendo usada por décadas e, portanto, é bastante confiável e os riscos são razoavelmente bem conhecidos. A cada ano a vacina precisa ser ajustada para combater as possíveis cepas de Influenza A que serão proeminentes naquele ano. Então os riscos de uma vacina podem variar ligeiramente conforme novas cepas tornam-se os alvos, mas ao longo dos últimos 30 anos desde o episódio de 1976 o risco de GBS tem se mantido em torno de 1 em 1 milhão – muito menor que o risco da gripe em si.

Portanto, a acusação de que a vacina antigripal em desenvolvimento para o H1N1 não foi testada não é uma afirmação razoável ou precisa. A vacina foi extensivamente testada. Mas é verdade que as cepas-alvo serão novas. Alguns argumentam que a vacinação da população irá somar-se a um grande “experimento suíno”. Porém, essa é uma afirmação ingênua e incorreta. O fato é que qualquer intervenção médica e qualquer novo medicamento à venda estão na mesma situação. Mesmo que testemos extensivamente um novo medicamento em milhares de pacientes, este pode ser vendido para milhões. Podemos não saber os efeitos estatísticos em milhões de pessoas até que isto ocorra. Portanto, não há nada diferente [com o caso da] vacina para o H1N1 em relação a qualquer outra intervenção médica em massa.

Se houver alguma [diferença, será a favor, já que] nossa experiência é muito maior por termos décadas de experiência vacinando milhões de pessoas com vacinas muito similares.

Ainda assim, faz sentido monitorar novas intervenções – a fim de obter dados sobre o que acontece quando milhões são tratados. É aparentemente por esta razão que o serviço nacional de saúde inglês (British National Health Service) solicitou que os neurologistas reportem novos casos de GBS começando neste verão [inverno aqui no hemisfério sul]. Eles querem estabelecer uma linha de base da taxa de GBS usando esse sistema de relatos de forma que, se houver um pico de GBS após a vacinação para o H1N1, eles irão detectá-lo rapidamente e poderão fazer recomendações sobre continuar a vacinação ou abortar o processo. Isso faz sentido.

Mas o Daily Mail está usando essa medida de precaução para espalhar rumores alarmistas sobre a segurança da vacina. Isso é o mesmo que usar a presença de cintos de segurança nos carros para alardear sobre a segurança dos mesmos.

Conclusão

A vacina antigripal em desenvolvimento para o H1N1 é somente a vacina antigripal comum direcionada contra as proteínas do H1N1 para combater a cepa da pandemia em curso. Uma vez que a pandemia deve vir em ondas, e estamos entre elas exatamente agora, isso nos dá a oportunidade de criar uma vacina específica para a cepa pandêmica – em vez de “procurar adivinhar”, como fazemos a cada ano para a gripe sazonal. Temos uma grande quantidade de informação sobre a segurança dessa vacina, mas é sempre razoável monitorar a segurança indo além. Também temos bastante informação sobre a efetividade da vacina antigripal – ela é muito eficaz. A vacina em si é muito eficaz, mas a eficácia real a cada ano varia entre 60 e 80%, dependendo do quanto as cepas apropriadas foram ou não consideradas como alvo.

O risco de contrair GBS a partir da vacina antigripal tem estado em torno de 1 em 1 milhão – uma complicação muito rara. O risco não deve ser maior que esse no caso da vacina para o H1N1. Ainda não se sabe porque a vacina de 1976 levou a um aumento na taxa de GBS, mas isso não se repetiu nos últimos 30 anos. Talvez haja algo no H1N1 que aumente o risco de GBS e, por essa razão, monitorar [a taxa de] GBS quando a vacina for administrada é razoável. Até agora, em testes preliminares de milhares de indivíduos com a nova vacina não houve um aumento no risco de GBS, mas esse processo está em andamento.

Não há garantias absolutas em medicina – mas a melhor evidência que temos até o momento sugere fortemente que o risco da gripe pelo H1N1 é muito maior que o risco da vacina em si. E as medidas usuais de segurança e teste estão sendo tomadas – de fato, o monitoramento de segurança foi aumentado. A medicina é uma avaliação entre o risco e o benefício. Mas é fácil disseminar o pânico focando apenas no risco.

[aproveito o ensejo para pedir que, se houver algum interessado em contribuir para a elaboração da versão em português do blog NeuroLogica (sem compromisso de quantidade, periodicidade etc), que por favor entre em contato com o Dr. Steven Novella no email SNovella@theness.com]

Mais informações sobre a gripe suína:

=> gripe suína: uma nova fase? – apanhado geral sobre “as últimas” relacionadas à gripe suína;

=> Influenza A (H1N1) blog – iniciativa da Bireme (Biblioteca Virtual em Saúde) inaugurada com um post do Átila Iamarino sobre o design dos antivirais.

Atualização em 23/09/09: recomendo também a leitura do post More evidency for vaccine safety, também do Dr. Steven Novella no blog NeuroLogica.

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