a polêmica saga do exoesqueleto que apareceu invisível

Junho 14, 2014 § 18 comentários

O tapete colorido que forrou o gramado durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2014 foi enrolado fatia a fatia. Os jogadores entraram em campo para o aquecimento. Urros para os brasileiros, vaias para os croatas. Locutores se esgoelando em estatísticas, escalações, comparações e superstições. E eu ansiosa esperando falarem do exoesqueleto. O pontapé inicial da copa, que seria dado por um paraplégico equipado com uma veste robótica comandada por seu cérebro, estava prestes a acontecer e nada de comentarem o que seria isso, de explicarem como funcionaria. A ciência estava prestes a participar do show da copa, mas estava claro que divulgação científica não entraria em campo.

Às 16h47 o pontapé cientifico foi narrado retroativamente na SportTV. Um vídeo ridiculamente rápido foi mostrado. O exoesqueleto estava no canto do canto do canto do gramado. Deu um toque pífio numa bola colocada junto a seu pé. E foi tudo. Nem dava para saber em que momento da abertura o tal pontapé ocorreu. Soube depois que na transmissão da Globo o episódio tinha aparecido em tela dividida, com Galvão Bueno falando da chegada do ônibus da seleção brasileira (veja vídeo da própria emissora). No final desse vídeo dá para ver que o tal pontapé ocorreu ainda durante a cerimônia de abertura:

Ou seja, o exoesqueleto não decolou como planejado (embora Nicolelis tenha comemorado com um “We did it!!!!” logo na sequência do feito). A FIFA, dona do show, decidiu que esse número não faria parte do espetáculo. E colocou-o para escanteio. Mas por que o espaço cedido foi essa aparição relâmpago num cantinho do campo bem longe das câmeras?

Corta para o passado recente. No início do ano, o Portal da Copa, do governo federal, apresentou uma reportagem sobre o projeto encabeçado por Nicolelis em que ele explica os trabalhos que estavam em curso, ressaltando as inovações do mesmo, e como seria o pontapé inicial:

Pouco depois, foi elaborado esse outro material em que Nicolelis mostra o exoesqueleto já pronto, descreve o que seria apresentado na abertura do mundial e apresenta sua visão sobre o papel social da ciência:

A expectativa do pontapé científico, porém, não se restringiu aos veículos “oficiais” de divulgação. O exoesqueleto de Nicolelis pouco a pouco ganhou os holofotes (mix de exemplos em veículos nacionais e internacionais: BBC Brasil; Daily Mail; The Guardian; O Globo; revista Piauí; Discover Magazine; Portal G1; Folha de São Paulo). Até o grupo Teatro Oficina fez sua referência ao pontapé que estava prestes a ocorrer – vídeo.

Mas tanto quanto realizar conquistas em ciência de ponta, Nicolelis gosta de apresentar seus belos resultados de pesquisa de maneira espetacular. Foi assim, por exemplo, quando em 2008 decidiu encenar o que chamou de a little moon walk. Uma macaca previamente treinada corria em uma esteira elétrica em um laboratório na Duke University, nos EUA, enquanto os sinais elétricos captados de seus neurônios por meio de eletrodos conectados a um computador comandavam o movimento de um robô em esteira similar num laboratório na Kyoto University, no Japão. Imagens dos movimentos do robô eram projetadas para a macaca, que podia acompanhar em tempo real o desempenho de seu comandado. Num dado momento, a esteira da macaca foi desligada e os movimentos físicos dela pararam. Mas a macaca continuava a se mover em pensamento e a transmissão desses sinais neuronais para o robô fez com que esse seguisse o movimento.

O robô havia se tornado uma extensão do cérebro da macaca. O cérebro da macaca era capaz de controlar o movimento dos seus membros e também o “membro adicional” que havia incorporado a seus domínios. Foi um dos pontos altos da pesquisa na área de interfaces cérebro-máquina (mais sobre esse e outros trabalhos de Nicolelis aqui). E foi realmente sensacional! Lembro de uma palestra do neurocientista a que assisti em 2010 em uma escola de São Paulo em que ele, orgulhoso e divertido, contou o que respondeu quando perguntado porque tinha escolhido fazer o troço transcontinental, se a beleza e a importância do que ele conseguiu demonstrar com o experimento seriam as mesmas se robô e macaca estivessem na sala em frente à outra: “algumas coisas a gente faz… just for fun“.

Quem leu seu livro Muito além do nosso eu não se surpreende com essa atitude. Não se trata de um livro de divulgação científica, dada a densidade de muitos trechos mais acessíveis aos “iniciados”. Mas é um excelente livro para se compreender o processo de construção do conhecimento científico. Para tomar conhecimento de como uma descoberta leva a outra, como uma pergunta pode levar a outra descoberta, como a inovação tecnológica e a ousadia (“inovação mental”) são fundamentais para que novos passos sejam dados, como a comunicação científica especializada é imprescindível nesse processo de construção conjunta do conhecimento. No livro em que traça sua trajetória científica desde os tempos de estudante na Faculdade de Medicina da USP até o presente, Nicolelis acaba por contar muito da história da Neurociência.

Nesse processo, põe especial ênfase nos homens que foram particularmente ousados e/ou “espetaculosos”. É o caso do neurofisiologista, filósofo e escritor americano John Cunningham Lilly, decidido a criar um novo paradigma que permitisse unir a neurofisiologia com a psicologia experimental. Artistas do futebol, como Mané Garrincha, e Santos Dumont, “o homem cujo corpo era um avião” e nitidamente seu grande ídolo, merecem referências constantes nessa narração. À página 321, Nicolelis escreve aquilo que talvez gostaria que fosse escrito hoje sobre o pontapé inicial de seu exoesqueleto:

Naquela fria manhã de outono, Alberto Santos Dumont, um brasileiro baixinho e impecavelmente trajado, desafiou o protocolo das descobertas científicas ao realizar um feito tão contrário à ortodoxia acadêmica da época que mesmo hoje ele causaria espanto nesses mesmos restritos circuitos.

Desta feita, porém, o iminente espetáculo foi cercado de críticas. Alguns exemplos: matéria na revista Piauí e na revista Ciência Hoje. As críticas foram furiosamente rebatidas por Nicolelis em seu perfil no Twitter no esquema bate-boca de boteco. Só que as críticas não se restringiram aos “colonistas” da Falha de SP e do Estadinho, como foram ironizados por Nicolelis os jornalistas da Folha de São Paulo e do Estadão.  Vieram também de além-mar, lá do “primeiro mundo”, como nessa matéria do MIT Technology Review e nessa outra na Wired. O cerne da polêmica científica estava (está) em dois pontos principais: na inovação tecnológica do projeto Walk Again e na espetacularização de achados científicos antes de sua revisão e aprovação por pares. Vejamos cada ponto.

A interface cérebro-máquina-cérebro – No contexto da neuroengenharia como um dos principais desdobramentos tecnológicos da Neurociência, o exoesqueleto criado no Projeto Walk Again não é o único existente que é comandado pelo cérebro do usuário (um exemplo aqui, outro aqui – e há ainda esse do projeto europeu MindWalker, cuja dica veio nos comentários desse post). Então qual a inovação do exoesqueleto de Nicolelis, cientista pioneiro nessa área de pesquisa? O feedback sensorial. A ideia é a seguinte: depois de passarmos por um período de aprendizado, nosso cérebro armazena uma espécie de programa motor que dá conta de controlar esses movimentos já aprendidos realizando apenas pequenas correções. Assim, andar é um dos programas motores que temos, bem como correr, saltar e, no caso da Daiane dos Santos, executar um duplo carpado. O mesmo programa motor é acionado a cada vez que caminhamos, mas como às vezes caminhamos na calçada cheia de desníveis ou na areia ou em uma superfície com obstáculos diversos, nosso cérebro vai corrigindo os movimentos do programa básico a partir do retorno sensorial (principalmente visual e tátil) que recebe. Essa correção é feita durante a própria execução dos movimentos sem nem nos darmos conta (atualização em 18/06/2014: para saber mais sobre os chamados “circuitos cerebrais geradores de padrões rítmicos”, veja esse texto do neurocientista Roberto Lent).

Assim, andar (de preferência sem tropeçar) envolve esse feedback sensorial para o cérebro, que não é contemplado pelas interfaces cérebro-máquina já desenvolvidas. Nicolelis tem o objetivo de desenvolver uma interface cérebro-maquina-cérebro. Para isso, o exoesqueleto do projeto Walk Again, que na verdade ainda é um protótipo disso, conta com sensores táteis nos pés do robô que encaminham essa informação para os braços do usuário do exoesqueleto (um resumo nesse infográfico). Porém, o retorno sensorial propiciado ainda precisa de muito aprimoramento para realmente ser caracterizado como feedback. Não permite correções de movimentos até porque o exoesqueleto ainda sequer é capaz de realizar muitos movimentos. Por enquanto está centrado em alguns programas básicos, como “comece a caminhar” e “pare de caminhar”. Nesse contexto, o que o feedback desse exoesqueleto proporciona ao usuário é a sensação de caminhada, a sensação de que é seu próprio pé que está tocando o chão e não o pé de um robô alheio a ele.

Isso não é pouca coisa, como podemos ver pela reação de uma moça paraplégica ao testar o exoesqueleto desenvolvido no projeto comandado por Nicolelis nesse vídeo divulgado por ele na página do projeto no Facebook. Mas ainda é algo distante de restabelecimento dos movimentos. Isso tudo é normal no processo de construção do conhecimento científico. Quer dizer que a pesquisa deu um passo e está caminhando para dar os demais.

Outro ponto: muito antes do feedback sensorial, importa como os sinais cerebrais são captados. Há duas formas principais: uma touca de eletrodos que cobre a cabeça do usuário e envia os sinais elétricos captados para o computador (ou seja, um registro eletroencefalográfico – EEG) ou um bloco de microeletrodos implantados diretamente no cérebro, como Nicolelis fez nos modelos animais com que vem trabalhando. Nicolelis, aliás, se especializou em desenvolver dispositivos desse tipo cada vez mais precisos, ou seja, que captam sinais concomitantes de números cada vez maiores de neurônios. O registro das tempestades cerebrais, como gosta de chamar, é um dos orgulhos de Nicolelis narrado em seu livro e em diversas palestras, como nessa TED-talk.

Além disso, sua equipe se destaca também no aprimoramento do sistema de leitura e interpretação desses sinais, conseguindo excluir cada vez mais ruídos ao mesmo tempo em que amplia o poder dos modelos matemáticos de analisar um número crescente de dados concomitantes. Mas ainda não está pronto para implantar em humanos, mais pesquisas são necessárias, como conta Nicolelis nessa entrevista à Scientific American pouco antes da abertura da Copa. Ou seja, a técnica escolhida para o pontapé inicial da copa tem a vantagem de ser não invasiva, mas a desvantagem de ser muito menos precisa, como já defendido pelo próprio Nicolelis.

Então, de novo: a pesquisa deu um passo e está caminhando para dar os demais. Mas será que esse primeiro passo era algo tão estonteante para ser alardeado da forma como Nicolelis vem fazendo? E, ainda que fosse, essa é uma boa forma de divulgar a ciência?

A ciência no palco – A postura de Nicolelis e de outros cientistas que flertam com a mídia é muito criticada por seus pares. O principal argumento contrário a isso é que a divulgação precoce de resultados científicos pode dar a impressão de “cura milagrosa” para muitos e até estimular absurdos como o “turismo de células tronco” que ocorre na China.  Mas é ruim que a ciência apareça para o público em grandes exibições? Essa matéria no The Atlantic faz uma boa ponderação a respeito, resgatando a relação mais próxima entre ciência e público que ocorria no início da Royal Society. Também já escrevi um pouco sobre isso na coluna de estreia na revista Quanta. Porém, uma coisa é aproximar a ciência do público, inclusive colocando-a num “palco” (um bom exemplo atual é o World Science Festival). Outra coisa é promover um espetáculo. Vide o exemplo vergonhoso da “bactéria do arsênio” que, como prematuramente alardeado pela Nasa, iria redefinir a química da vida (um apanhado dessa novela aqui e um resumo aqui).

Corta para hoje. O prometido espetáculo não foi muito espetacular. Após o chute tímido, muitas matérias vêm divulgando os passos do projeto Walk Again (um exemplo na mídia nacional  e outro na internacional). Ontem Nicolelis comemorou no Twitter que os vídeos do projeto passaram dos 2 milhões de visitas, sendo uma vitória o Brasil estar debatendo neurociência durante a Copa. E é mesmo. O que mais me alegrou ontem quando entrei na sala de aula foi encontrar os alunos comentando a abertura da Copa e o jogo do Brasil e muitos falando do paraplégico que tinha dado um pontapé usando um robô controlado pelo cérebro e querendo saber como aquilo funcionava.

Mas muitas interrogações continuam sendo lançadas, especialmente contrastando o que foi atingido até agora com o tanto que custou para os cofres públicos num país que não valoriza a ciência como deveria e, portanto, deixa uma fatia estreita do orçamento para a pesquisa:

O valor investido na construção do protótipo chama a atenção pela grandiosidade. É de três a dez vezes maior do que o valor que qualquer um dos 37 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) da área de saúde recebeu do CNPq nos últimos cinco anos, por exemplo. E R$ 13 milhões maior do que o valor total do último edital lançado pela Finep para o desenvolvimento de tecnologias de auxílio a deficientes (de R$ 20 milhões), que deverá beneficiar dezenas de projetos em todo o País. (texto do jornalista Herton Escobar no Estadão)

A Finep, agência de financiamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, colocou R$ 33 milhões no exoesqueleto. Nada errado nisso: trata-se de uma agência de inovação, cuja missão é justamente investir em projetos ousados, assumindo os riscos, que de resto são inerentes a todos os projetos científicos. Mas é inevitável comparar: o edital recentemente lançado por outras agências do mesmo ministério para a criação de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia anunciou que proverá no máximo R$ 10 milhões para cada um dos grupos que vencerem uma acirrada concorrência. Como esses R$ 10 milhões se destinam a grupos que associam vários pesquisadores independentes, cada pesquisador contará com algo em torno de R$ 1 milhão para o seu projeto. Três a um foi a vitória da seleção brasileira; 33 a 1 foi a vitória de Nicolelis sobre a comunidade científica brasileira. (texto do neurocientista Roberto Lent no Globo)

acho que a impressão final é que os 33 milhões de reais da Finep aprovados pela Dilma para o Andar De Novo compraram, até agora, apenas 3 segundos de televisão. Espero que, no final, seja bem mais do que isso, claro. Mas devo dizer que o guindaste que, sustentado por dois ajudantes, possibilitou ao rapaz dar um toque na bola colocada aos seus pés de fato ficou muuuuuito aquém da expectativa tão alardeada. Por outro lado, que fique claro: tenho PLENA confiança no que Miguel é capaz de fazer. Isso ele já demonstrou em seus artigos científicos. No que isso dá quando aplicado às pressas para fazer propaganda para o governo, aí são outros quinhentos. (texto da neurocientista Suzana Herculano-Houzel em sua página no Facebook)

Paralelamente, Nicolelis começou um embate com a FIFA, que retrucou. No meio do bate-boca, um pouco do foco no ideal científico da coisa toda vem se perdendo.

Andar de novo. E também correr e dançar e escalar e recobrar o controle da bexiga urinária – Há muitas formas de reabilitação sendo pesquisadas. Algumas enfocam exoesqueletos, como é o caso de Nicolelis e outros exemplos linkados acima. Mas há ainda outras estratégias, como essa desenvolvida na Universidade de Berkley que propicia que o paraplégico vista um robô e recobre muitos movimentos (TED-talk sobre esse exoesqueleto). Ou essa prótese, desenvolvida na Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, que oferece ao paciente a sensação de tato ao ser ligada aos nervos do braço. Ou essa outra técnica, desenvolvida na Unifesp, que usa um neromodulador implantado no corpo do paciente para estimular os nervos responsáveis pelos movimentos das pernas e pelo controle da bexiga e do reto. Ou essa perna biônica controlada pelo cérebro.

Minha predileta, porém, é a pesquisa encabeçada por Hugh Herr, do MIT. A TED-talk abaixo é emocionante. Nela, Herr apresenta resultados incríveis do desenvolvimento de membros robóticos cada vez mais funcionais e expõe a premissa que guia seu trabalho: “não consigo aceitar o fato de que o homem pode quebrar”. Parece claro que Nicolelis também tem isso em mente, só que acaba colocando muito de seu foco na quebra de recordes, em estar na ponta, em fazer o impossível. Penso que Herr mostra que tudo isso pode ser conseguido de forma mais bela. Porque competir é humano, mas melhorar as condições de vida das pessoas com beleza e serenidade é mais. Estou com os gregos e com Vinícius: beleza é fundamental!

Atualização em 16/06/2014 – Leia também o texto do biólogo Roberto Takata, com algumas interessantes ponderações a respeito das críticas feitas ao Nicolelis, e esse post-irmão do meu, escrito um pouco depois pelo jornalista Pedro Burgos.

Atualização em 18/06/2014 –  entrevista com Juliano Pinto, o paraplégico que vestiu o exoesqueleto do projeto Walk Again e protagonizou o episódio da abertura da Copa.

Atualização em 30/06/2014 –  pouco depois da exibição robótica de Nicolelis, cientistas do projeto Neurobridge conseguiram que um voluntário tetraplégico movimentasse o braço a partir de comando cerebral. A principal diferença: o eletrodos que captam os sinais dos neurônios foram implantados diretamente no córtex motor do paciente. trata-se do método mais preciso de registro de sinais neuronais em relação ao EEG, como explicado acima. Leia sobre essa pesquisa em matéria do Washington Post, da revista Slate (com vídeo) e da Folha de SP.

a blogosfera científica em debate

Janeiro 30, 2010 § 9 comentários

Como disse, a Campus Party sediará um debate sobre blogs de ciência hoje às 10h30. Haverá transmissão ao vivo pela web (basta acessar o canal “blog”). Participaremos Isis Nóbile Diniz (jornalista e autora do blog Xis Xis), Reinaldo José Lopes (jornalista, autor do blog Chapéu, Chicote e Carbono-14 e coautor do blog Laboratório), Atila Iamarino (biólogo e autor do blog Rainha Vermelha) e eu, devidamente orquestrados por Carlos Hotta (biólogo e autor do blog Brontossauros em meu Jardim).

Sobre o que falaremos? O debate será guiado  pelas perguntas dos campuseiros nessa jornada de abordar “a consolidação do uso da blogosfera na divulgação científica”. Assim, se você pretende participar presencialmente do debate, realize seu desejo de perguntar tudo aquilo que sempre quis saber de um blogueiro de ciências. Também, é claro, são muito bem vindas perguntas depositadas na caixa de comentários de nossos blogs, espaço eterno de discussão.

Além das perguntas que moverão o debate, há algumas questões interessantes circulando pela própria blogosfera e que provavelmente abordaremos por lá. Resolvi fazer um pequeno resumo destas, até para atiçar os debatedores e os perguntadores.

O que é um blog e por que blogar?

Para a primeira parte da questão, recomendo um passeio pelos slides de Sílvio Mendes, da Associação Viver a Ciência. Para a segunda, resumo o que já disse em entrevista à Ciência Hoje, durante o II Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa (EWCLiPo):

  • é uma ferramenta de muito fácil uso e há modelos prontos e gratuitos;
  • permite o estabelecimento de uma comunicação efetiva, rápida e com possibilidade de monitoramento “da audiência”;
  • possibilita a conexão do blogueiro a uma ampla rede de relacionamentos;
  • a linguagem dessa mídia aproxima leitor e blogueiro tanto pela sua informalidade, quanto pelo fato de o leitor ser também um ator dentro do blog via o espaço de comentários/debates (é claro que sempre tem gente que não sabe brincar e, por exemplo, comete a bobagem de fazer blog fechado para comentários…);
  • vídeos, fotos, enquetes, podcasts e muitos outros recursos podem ser usados na comunicação via blog além das palavras com ou sem links.

Eu blogo por três razões básicas: para comunicar o que sei e gosto, para me divertir e para fazer parte de uma comunidade com interesses afins.

Há diferença entre os blogs de ciência e blogs de outros temas?

Sim e não. Não porque um blog de ciência é, antes de tudo, um blog. Então está fundamentado na mesma linguagem, nos mesmos recursos de expressão. Sim porque “blog de ciência” é um termo amplo que abarca blogs científicos, blogs de jornalismo científico, blogs de ensino de ciências, blogs que falam sobre a ciência de todas essas formas (como este aqui) e até mesmo – infelizmente – blogs pseudocientíficos e “cienciacionalistas”. Assim, o perfil tanto de blogueiros quanto de leitores é muito amplo nesse canto da blogosfera. Isso é um pouco bom e um pouco ruim, mas aí já estou invadindo o espaço de outra pergunta.

Quais as vantagens e desvantagens da divulgação científica via blogs?

As vantagens são muitas, relacionadas justamente às características da mídia blog expressas acima. Como desvantagens só vejo duas. Uma reside no fato de que em países como o Brasil ainda é pequena a porcentagem de pessoas com acesso à internet. Mas isso não chega a ser uma desvantagem real, tanto porque a tendência é essa porcentagem crescer rápido, quanto porque os blogs não são e nunca deverão ser uma forma exclusiva de divulgação da ciência, por mais vantagens que apresentem.

Blogs de ciência são mais uma forma possível para falar de ciência. Uma boa forma possível de se falar sobre ciência, é fato. Mas apenas isso. Blogs de ciência não substituirão (e nem pretendem substituir) exposições em museus, documentários, jogos, aulas, artigos etc.

A outra desvantagem vem justamente da facilidade de uso da ferramenta. É mais ou menos assim: qualquer um pode escrever um blog, mas nem todos escrevem bem. Mais que isso, nem todos escrevem bem sobre ciência. E eu ainda acrescentaria um outro mais que isso: nem todos blogam bem sobre ciência (porque escrever sobre ciências em uma revista é uma coisa, em um blog é outra. Como abordei apressadamente acima, é uma outra mídia, que tem uma outra linguagem, uma outra dinâmica).

O resultado disso é que há – vamos falar claramente – um monte de lixo espalhado pela web. E aí, como separar o joio do trigo? (Fora usar o bom senso e o conhecimento prévio, claro) Falarei um pouco sobre isso logo abaixo, na reflexão sobre o futuro da blogosfera.

Podemos falar em blogosfera científica ou os blogs de ciência ainda são tocados por meia dúzia de gatos pingados?

A blogosfera científica já é grandinha e vem crescendo rapidamente. O ABC (Anel de Blogs Científicos em língua portuguesa) já conta com cerca de 250 blogs cadastrados, a maior parte deles do Brasil. Foi organizada até uma premiação em 2009.

O reflexo desse crescimento é que a blogosfera científica passou a ser notícia (como aqui) e até a Nature dedicou uma edição ao tema. A expansão da blogosfera científica também passou a ser assunto de trabalhos acadêmicos que visam compreender e caracterizar a dinâmica dessa comunidade. Um exemplo foi a apresentação de trabalho sobre a blogosfera científica brasileira no X Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico [Referência: Dias, H. Blogs e tendências do jornalismo científico. In: Victor, C. e col. (Orgs). Jornalismo científico e desenvolvimento sustentável. São Paulo: All Print Editora, 2009, p. 179-205].

Outro sintoma dessa expansão está na própria Campus Party: no ano passado o debate sobre os blogs de ciência ficou restrito ao stand da Sesc TV  e TV Cultura presente no evento. Esse ano o debate subiu para o pódio do Campus Blog.

Qual o futuro da blogosfera científica?

Acho que é o da agregação e da validação.

Agregação porque vem sendo uma tendência natural da web. Com tanta informação circulando, está cada vez mais difícil de encontrá-la. Assim, ferramentas que agrupem por temas, por relevância ou por qualquer critério que seja, vêm ganhando cada vez mais espaço. Embora a web semântica já esteja se tornando uma realidade, o que deve facilitar muito a busca e caracterização de informações, acredito que o movimento de agregação só tende a crescer. No caso dos blogs de ciência, um exemplo é o portal Science Blogs Brasil (conheça um pouco dessa história aqui).

Validação porque não só está difícil encontrar informação na web, como é mais difícil ainda encontrar informação “que preste”. No caso dos blogs de ciência, há o grande problema da pseudociência infiltrada. Como validar? Essa é uma questão ainda em desenvolvimento. A própria agregação pode ser uma forma de validação. Outra é somar à agregação estratégias importadas de outras mídias, como a revisão por pares (um exemplo é o Research Blogging). Outra ainda é formar uma comunidade gestora que inclui a validação nas suas atribuições, como ocorre nas Wikis, sendo a Wikipedia o exemplo mais conhecido mundialmente.

E outra ainda é continuar somando agregação e validação, como já é uma realidade. Exemplos disso são eventos como o EWCLiPo e o Science Online, premiações, edições de antologias de melhores postagens de diversos blogs de ciências (como o The Open Laboratory) etc.

E como tudo na blogosfera são conexões…

… deixo o post por aqui, mas o debate prossegue. Na Campus Party, nos comentários que eu espero mediar abaixo e também nesses links que indico a seguir.

[e lembrando que os posts continuam nos comentários, a listinha abaixo foi pensada também pelos debates que carregam – experimente!]

retrospectiva ciência na mídia 2009: X – cobertura de ciência

Dezembro 31, 2009 § 8 comentários

Durante o X Congresso Nacional de Jornalismo Científico, foram apresentados os resultados da primeira fase de uma ampla pesquisa que analisou a cobertura de Ciência e Tecnologia pela mídia nacional.

Capa do material completo da primeira fase da pesquisa. Clique na imagem para acessá-lo em pdf.

Iniciada no fim de 2008, a pesquisa foi realizada pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa da UFMG em parceria com a Andi e analisou as matérias sobre ciência, tecnologia e inovação publicadas ao longo de 2007 e 2008 em 62 jornais impressos de diversas partes do Brasil.

Nessa primeira fase de avaliação, foi feito um monitoramento quantitativo da cobertura de C,T&I na mídia brasileira. Os resultados desnudam a má situação do jornalismo científico praticado no país. Aponto aqui apenas dois deles para ilustrar essa conclusão:

  • 26,9% das matérias analisadas encaixaram-se na denominação de “texto factual”, ou seja, baseavam-se tão somente em press releases sem qualquer apuração/complementação por parte do veículo de comunicação que a divulgava. E 59,5% das matérias foram enquadradas na categoria “contextual simples”, ou seja, que consultam 1 a 2 fontes. As matérias classificadas como “contextual explicativa”, “avaliativa” e “propositiva” corresponderam apenas a cerca de 6% cada;
  • em qualquer dos casos, cerca de 90% das matérias analisadas não contextualizam o tema que noticiam, ou seja, não apresentam qualquer análise crítica em relação à ciência.

Veja um resumo da metodologia e dos resultados da pesquisa nesta matéria na revista Ciência Hoje.

É intenção da iniciativa não só entender como a mídia trabalha hoje com relação à divulgação de C,T&I (primeira fase do estudo), como também fornecer subsídios para mudar esse perfil. Assim, para uma segunda fase do trabalho estão previstos a elaboração de um guia de fontes e de um glossário de termos científicos, além de outros subsídios para melhoria do trabalho de jornalismo científico no país.

O trabalho é muito interessante e de grande importância para entender e aprimorar o trabalho de jornalismo científico realizado no país. Voltarei a falar em mais detalhes do estudo em breve. E com este post finalizo a série retrospectiva ciência na mídia.

Muito obrigada por sua parceria por aqui ao longo deste ano. Nos encontramos virtualmente novamente após a virada! UM 2010 ESPETACULAR PARA TODOS!!! “Salud y plata y tiempo para gastarla!” TIM-TIM :) [e parabéns pra mim que escolhi este dia tão agitado para nascer :) Espero ganhar de presente o livro do Dawkins que será sorteado no Gene Repórter, viu Takata???]

dossiê e debut

Dezembro 16, 2009 § 4 comentários

É com grande alegria que compartilho aqui meu debut como repórter. O resultado está na última edição da diverCIDADE, a revista de divulgação científica em ciências humanas do Centro de Estudos da Metrópole.

A edição traz um dossiê sobre sistemas de saúde, com especial enfoque no SUS. Transcrevo abaixo a carta ao leitor que escrevi apresentando a edição, já incluindo os links para as matérias, artigos e entrevistas:

É comum que a saúde apareça no noticiário da grande mídia sob enfoque negativo: filas em hospitais, entrevistas de usuários insatisfeitos com algum atendimento etc. Não há dúvida que o sistema de saúde pode melhorar. Mas também é inegável o grande aprimoramento que aconteceu desde a criação do SUS, a tal ponto que hoje é considerado uma referência para diversos países.

Tal constatação foi possível após termos ouvido a opinião de estudiosos de diferentes áreas, o que nos possibilitou traçar um histórico dos 20 anos de implantação do SUS e apresentar seus principais avanços e desafios sob a ótica de pesquisas que analisam as diversas vertentes deste sistema.

Assim, as matérias desta edição abordam a intrincada interação entre os sistemas público e privado de saúde no Brasil, os mecanismos de regulação e os de participação da comunidade, as modalidades de gestão e de financiamento.

Um exemplo é pesquisa realizada em conselhos locais de SP por Vera Schattan Coelho, do Centro de Estudos da Metrópole, que avalia a influência do histórico de participação popular na definição de políticas públicas de saúde. Outro é o trabalho do Observatório de Saúde da Região Metropolitana de São Paulo, que realiza um mapeamento dos problemas de saúde e debate propostas de ação com os gestores municipais da região.

A questão da descentralização, um dos princípios do SUS, é o tema da entrevista com o Dr. Nelson Ibañez, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Na outra entrevista da edição, a pesquisadora do Cebrap Elza Berquó fala sobre estudos em demografia de saúde de âmbito nacional sob sua coordenação e que vêm fornecendo subsídios importantes para fundamentação de políticas públicas.

Procuramos mostrar também que a saúde é um conceito amplo e não corresponde simplesmente à ausência de enfermidade. Esse tema está especialmente em evidência na matéria sobre o movimento Cidades Saudáveis, em que Rosilda Mendes, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da USP, defende que a promoção da saúde traz resultados mais efetivos quando há participação social em todos os setores de políticas públicas de forma integrada.

Por fim, o artigo assinado pela pesquisadora do Cebrap Fabíola Fanti aborda o impacto das decisões da justiça comum nas políticas de saúde, em especial os julgamentos de ações judiciais que pleiteiam o acesso a medicamentos.

Esperamos com este panorama apresentar uma cobertura alternativa do tema e contribuir para o conhecimento sobre os avanços e desafios do sistema de saúde brasileiro, bem como propiciar uma comparação deste com a realidade de outros países.

Boa leitura!

os cientistas incentivam uma cobertura enganosa na mídia?

Novembro 30, 2009 § 6 comentários

É coisa de final de campeonato mesmo: aos cinco minutos do segundo tempo, eis que finalmente consigo aprontar o “Ciência Traduzida” deste mês. E finalmente também mudando a fonte.

Dessa vez, o texto abaixo foi traduzido a partir do post Do scientists encourage misleading media coverage?, publicado mês passado no blog 2020 Science. O autor é Andrew Maynard, assessor para nanotecnologia e biologia sintética no Woodrow Wilson International Center for Scholars em Washington.

O post é um puxão de orelhas de cientista para cientista e gerou um bom debate no blog original. Vejamos o que vocês acham:

Os cientistas incentivam uma cobertura enganosa na mídia?

Como cientistas, gostamos de reclamar da incompetência da mídia. Como auto proclamados detentores da verdade, menosprezamos – geralmente em voz alta – a interpretação e o uso indevidos de nossos estudos preciosos. E como nós nos compadecemos unidos sobre as injustiças do mundo, é inevitável pensarmos que se os jornalistas pudessem ver o mundo como nós e registrassem isso por escrito (ou gravado), as coisas seriam muito melhores.

À exceção do fato de que nem sempre são os jornalistas os culpados pelo modo como a ciência é retratada nos meios de comunicação!

Pegue, por exemplo, este caso que chegou em meu escaninho metafórico esta manhã:

Ontem, a Universidade Texas A & M publicou uma notícia com o título “Technology may cool the laptop“. A notícia se inicia [assim]:

“O seu laptop às vezes fica tão quente que quase pode ser usado para fritar ovos? Uma nova tecnologia pode ajudar a esfriá-lo e dar à informação tecnológica uma reviravolta única”, diz Jairo Sinova, um professor de física da Texas A & M University.

Auxiliado por um pequeno vídeo, o professor Sinova, um co-autor da referida pesquisa, observa que:

Os laptops estão ficando cada vez mais potentes, mas como estão ficando mais reduzidos em tamanho, estão aquecendo muito; portanto, lidar com o aquecimento excessivo torna-se uma dor de cabeça … “Teoricamente, o calor excessivo pode derreter o laptop”, acrescenta. “Isso também desperdiça uma quantidade considerável de energia.”

Esta é uma questão importante, mas eu suspeito que a visão de laptops derretidos vai um pouco longe demais. Mas isso faz com que você fique se perguntando que incrível descoberta é esta que vai impedir os embaraçosos derretimentos de laptops […]. A resposta? O Spin Injection Hall Effect, ou SIHE – um fenômeno relativamente recém descoberto que resulta em elétrons com diferentes “spins” em um semicondutor levado a um campo magnético mensurável.

O artigo a que a notícia da Universidade Texas A & M se refere é “Spin-injection Hall effect in a planar photovoltaic cell”, [publicado] na revista Nature Physics. Ele aparece na edição de setembro da revista. É um artigo interessante e cientificamente preciso. Descreve [um] trabalho em que um dispositivo semicondutor experimental é utilizado para mostrar que o Spin Injection Hall Effect pode, em princípio, ser usado para codificar a informação no estado de spin dos elétrons e então “ler” as informações de volta.

É uma pesquisa que pode ser útil para novas formas de transmissão e armazenamento de informações no futuro.

Mas manter laptops refrigerados? Dificilmente! E certamente não é iminente.

Então o que está acontecendo aqui? Como passamos de uma bela pesquisa sobre spin de elétrons para prevenção de “queima de laptops”?

A explicação mais generosa é que, em um futuro possível, esta ciência pode apoiar tecnologias que levem a microprocessadores de baixa energia, e que isso é o que os pesquisadores ressaltaram em uma tentativa de tornar seu trabalho relevante para um público amplo. Mas isto é um salto incrivelmente enorme. É o equivalente científico de jogar na loteria – especulação ao extremo. Há uma pequena chance de que a ciência possa levar, por meio de uma longa cadeia de eventos, a microprocessadores de 12-50 anos abaixo da linha que sejam mais rápidos e mais eficientes. Mas fazer o seu MacBook Pro refrigerar? Me poupe!

Outra explicação é que a Texas A & M queria ressaltar a pesquisa – levantar seu perfil em detrimento da informação científica.

Ou talvez alguém apenas tenha segurado do lado errado do graveto – ou segurado o graveto totalmente errado.

Não tenho certeza de qual dessas possibilidades está mais perto da verdade. Mas o que está claro é que esse tipo de deturpação da ciência na fonte não é incomum, e é altamente prejudicial para a compreensão da ciência pela sociedade e para o engajamento desta para com a ciência.

Neste caso, as hipóteses e especulações por trás das reclamações sobre os laptops não foram esclarecidas, e pouco esforço foi feito para distinguir entre a ciência e as fantasias que inspirou. Como resultado, os meios de comunicação que se serviram da história simplesmente propagaram a desinformação – incluindo o Science Daily. E como muitos leitores não têm acesso ao artigo original, não têm os meios para avaliar as afirmações feitas.

Se as instituições de pesquisa deturpam a ciência em que estão envolvidas, que esperança existe para a cobertura informativa de ciência na mídia? E, mais importante, como as pessoas poderão desenvolver uma percepção bem informada da ciência e da tecnologia emergente e se engajarem em um diálogo significativo sobre o seu desenvolvimento e implementação?

Eu apóio a reflexão sobre os diferentes caminhos a que uma pesquisa pode levar. Mas fantasiar sobre suas futuras aplicações como se estivessem ali na esquina é ingenuidade, na melhor das hipóteses, e simplesmente cinismo, na pior. E o triste é que isto acaba desligando mais pessoas do processo de inovação, ciência e tecnologia – roubando-lhes a possibilidade de participar efetivamente de uma ciência e tecnologia orientadas à sociedade.

A cobertura efetiva da ciência na mídia está sob ameaça, e há muitos fatores em jogo aqui. Mas isso certamente faz com seja ainda mais importante que cientistas e instituições de pesquisa não aumentem o problema. Provavelmente estou sendo um pouco injusto ao mencionar a Texas A & M aqui – eles não são os únicos a alimentar a mídia com material questionável. Mas parece que se a comunidade científica leva a sério o bom reporte da ciência, precisa colocar sua própria casa em ordem antes de apontar muitos dedos a outros.

Afinal, jornalistas e divulgadores de ciência e tecnologia são tão bons quanto suas fontes. Lixo entra, lixo sai, não importa quão quente ou frio está funcionando o laptop!

Where Am I?

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