apareceu o debate!

Julho 31, 2010 § 2 comentários

Quem esteve acompanhando as últimas notícias sobre ciências, especialmente na mídia impressa e internet, certamente aproveitou diversos relatos interessantes sobre a 62a. Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que terminou ontem em Natal.

De todas as informações bacanas que li e vi por aí, o que mais gostei foi de tomar conhecimento de um novo formato de discussão que foi testado pela primeira vez nesta reunião da SBPC.

Eu já esbravejei por aqui sobre a ausência de debate em reuniões científicas mesmo nos fóruns programados para tal, como mesas redondas. É algo que, a meu ver, vai contra a essência da ciência.

Fiquei, portanto, bem contente ao ver meu desejo se tornando realidade (embora, infelizmente, não ao vivo): no “Ciência em Ebulição”, dois expositores confrontam ideias de modo similar aos debates políticos, com tempo de fala, réplica etc. E para garantir alguma ebulição, os organizadores colocaram frente a frente cientistas com ideias e resultados sabidamente contrastantes. Ou seja, os pesquisadores foram se encontrar preparados para um confronto.

Vale a pena ler os links abaixo, sobre os primeiros  “Ciência em Ebulição”:

Li nesses ótimos relatos na Ciência Hoje que os debates foram interessantes e o formato idem, embora a necessidade de alguns ajustes tenha sido verificada. Mas já parece ser um bom passo para que se possa voltar a falar em “contendas da ciência”!

Parênteses: o texto do Bernardo questionou bem “até que ponto [o debate] jogou luz sobre os aspectos da ciência do clima que dividem alguns cientistas”. Sobre esse tema, vale a leitura do último post de Marcelo Leite: Três vezes clima.

“funcionário do mês” – Johanna Döbereiner

Setembro 10, 2009 § 6 comentários

Fonte: Agência O Globo/ Cientistas do Brasil (no site http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis)

Johanna Döbereiner. Fonte: Agência O Globo/ Cientistas do Brasil (clique na imagem para contexto original)

Johanna Döbereiner, brasileira naturalizada, está entre os cientistas brasileiros mais reconhecidos e citados no exterior. Trabalhou com microbiologia do solo, em especial a identificação e o estudo das bactérias fixadoras de nitrogênio em associação com raízes de plantas leguminosas e gramíneas.

O uso desses microorganismos para fixação biológica do nitrogênio no cultivo da cana de açúcar e da soja garantiram um enorme desenvolvimento econômico e biotecnológico para o país. No primeiro caso, foi fundamental na implementação do Programa Proalcool. No segundo, permitiu o cultivo de leguminosas sem uso de fertilizantes nitrogenados, o que significou grande economia por parte dos produtores, redução da poluição ambiental e alimentos mais saudáveis.

Seus trabalhos lhe renderam assento na Academia de Ciências do Vaticano desde 1978 e indicação para o Prêmio Nobel da Paz em 1997. Em 2001, cientistas mexicanos e alemães homenagearam a pesquisadora ao nomear duas novas espécies de bactérias fixadoras de nitrogênio, a Gluconacetobacter johannae sp e a Azospirillum doebereinerae sp.

A pesquisadora faleceu em 2000 com o Mal de Azheimer e no ano seguinte foi criado o evento anual Semana Científica Johanna Döbereiner pela Embrapa Agrobiologia. Veja aqui as informações para a IX edição do evento que ocorre no próximo mês, de 19 a 23/10/09.

Boas fontes de informação sobre Johanna Döbereiner e sua pesquisa:

  • página de notáveis do Canal Ciência (do IBICT – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia): com entrevista concedida a Carlos Chagas Filho, que integra o livro Cientistas do Brasil da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), e link para os arquivos históricos da Embrapa;
  • arquivo da revista Veja Online:  com biografia da pesquisadora, descrição dos trabalhos realizados, galeria de fotos, animação que ilustra o processo de fixação de nitrogênio pelas bactérias nitrificantes introduzidas nas sementes de soja e uma série de depoimentos em áudio e vídeo sobre a cientista feitos por pesquisadores, agricultores e políticos;
  • artigo da revista Pesquisa Fapesp que mostra um dos desdobramentos mais recentes da pesquisa de Johanna;
  • vídeo do programa Globo Ciência sobre a vida e o trabalho de Johanna Döbereiner (assista abaixo, dividido em dois blocos). Esse programa integrou uma série exibida no primeiro semestre deste ano sobre grandes cientistas que atuaram no Brasil nos últimos dois séculos.

Conheça outros cientistas e/ou divulgadores de ciência na página Funcionário do Mês, aqui no Ciência na Mídia.

dia nacional da ciência

Julho 8, 2009 § 1 Comentário

Em 2001, o Congresso Nacional elegeu o dia 8 de julho como o Dia Nacional da Ciência. O decreto autoriza o poder público a incentivar a divulgação da data e promover atividades em estabelecimentos educacionais. O intuito é incentivar a atividade científica no país.

Bacana, né? Parece. Só que parece também que o dia não pegou. Fiz uma busca nos meios de comunicação sobre eventos comemorativos ao dia e… bem, quem achar alguma coisa referente a esse ano, além da meia dúzia de notícias de eventos que rolaram em 2007 e 2008, por favor me avise que vou querer ler! Mas façamos jus ao Educatual, que não deixou escapar a data.

De qualquer forma, a comemoração acontece semana que vem. Não por conta da tal data, claro, mas a Reunião Anual da SBPC é o evento pro-ciência deste e de qualquer ano. Este ano ocorrerá de 12 a 17 de julho na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em Manaus (AM). Mais informações no site oficial. E a Agência Fapesp promete cobertura completa/periódica do evento, confira aqui.

E para aqueles desejosos de comemorar o Dia Nacional da Ciência, fica a dica para uma viagem solitária pelo site do World Science Festival, que rolou mês passado em Nova Yorque.

[Manaus e Nova Yorque… tô precisando juntar mais dim-dim!]

“funcionário do mês” – Crodowaldo Pavan

Junho 10, 2009 § Deixe um comentário

pavan

Pavan em seu gabinete (Foto do arquivo de Luiz Edmundo Magalhães. Fonte: Revista Pesquisa Fapesp)

Resolvi aderir à onda “funcionário do mês” e abrir um espaço nesse humilde bloguinho para informações sobre importantes cientistas e/ou divulgadores de ciências. Em post anterior falei um pouco de Einstein, embora em outro contexto. Pensei em começar esta seção por Darwin, mas achei meio óbvio demais. Voltei-me então para os  brasileiros e logo pensei em aproveitar o (infeliz) contexto do recém falecimento do querido Crodowaldo Pavan.

Pavan, falecido em 03/04/2009 aos 89 anos, foi dos mais importantes cientistas brasileiros e grande responsável pelo desenvolvimento da genética no país, ao lado de André Dreyfus, Antônio Brito da Cunha e outros notáveis da “turma da Glete” que  trabalharam no desenvolvimento da genética de populações em parceria com o mestre Theodosius Dobzhansky.

Destaque não só em pesquisa – atividade que exerceu com maestria chegando inclusive a derrubar o dogma da constância do DNA nas células ao identificar os cromossomos politênicos da mosca Rhynchosciara (veja reportagem “Dogma no chão” da revista Pesquisa Fapesp)  -, Pavan foi representante de um seleto grupo de docentes que levou a sério a tríade acadêmica de pesquisa, ensino e divulgação.

Nada avesso a polêmicas, bem-humorado, extremamente preocupado com a formação de novos pesquisadores, generoso, divertido, apaixonado pela ciência e uma vez cunhado de “Don Giovanni” nos áureos tempos… qualquer um que tenha convivido minimamente com essa personalidade complexa não teria dúvidas em assinar embaixo dessa lista e ainda acrescentar muitos outros adjetivos. Mas a melhor descrição de Pavan que já ouvi foi feita pelo Prof. Francisco Lara, outro importante nome da genética já falecido, em entrevista para o audiovisual Histórias da Genética no Brasil que amigos biólogos e eu estamos finalizando:

Como pessoa, eu acho o Pavan uma personalidade extraordinária. É como eu já disse até em público aí: se caísse (sic) dez índios pelados na Amazônia de pára-quedas perto do Pavan, o Pavan conseguia catequizar no mínimo uns sete pra (sic) trabalhar no projeto dele. E, então, eu fui um desses índios.

Veja mais informações sobre Pavan em:

Atualização em 10/09/09: O CNPq lançou o livro Crodowaldo PavanMemória de sua trajetória, que reproduz entrevistas concedidas por Pavan entre 2005 e 2006 ao Programa Institucional de História Oral do CNPq. (Fonte: revista Pesquisa Fapesp – edição de setembro/2009).

Atualização em 15/02/10: a Revista Pesquisa Fapesp fez uma homenagem póstuma a Pavan com um interessante sequência de artigos na edição de fevereiro de 2010.

a educação dos educadores

Junho 1, 2009 § 1 Comentário

educacaoO editorial do Estadão de ontem trouxe um perfil da formação do professor brasileiro a partir de pesquisa realizada pelo Ministério da Educação com base no Censo Escolar de 2007.

A situação é lastimável, pra dizer o mínimo. Muitos professores não têm formação de nível superior na especialidade das disciplinas que ministram. O caso do ensino de ciências é o mais crítico: 80% dos professores não têm diploma na área. Mas isso não é nada frente ao fato de que muitos docentes sequer são graduados no ensino médio, havendo ainda os inacreditáveis casos de professores que mal concluíram o ensino fundamental e lecionam no ensino médio, nível de escolarização que eles próprios não possuem!

Ouvi esses e mais desanimadores números e fatos na reunião da SBPC há quase um ano, quando os dados da pesquisa realizada pelo MEC haviam sido divulgados há um par de meses. Agora tenho visto aqui e ali na mídia uma ou outra resportagem sobre o tema. O Jornal Nacional, por exemplo, foi um dos que deu uma pincelada no assunto recentemente. Mas cá entre nós… agora????

A situação é crítica demais e não se configurou do dia pra noite, sendo resultado do descaso desse e de governos anteriores nas esferas municipal, estadual e federal. Mas é resultado também da inépcia dos nossos meios de comunicação na mesma medida. Como assim só agora começam morosamente a acordar para isso? Os números que o Estadão, Jornal Nacional e cia divulgaram agora – final do primeiro semestre de 2009 – são resultado de pesquisa realizada pelo MEC em 2007! E quem cobriu a SBPC em julho de 2008, não falou nada por quê? Isso só pra citar um exemplo de evento de grande alcance nacional em que presenciei a discussão acirrada do tema em diversas palestras, mesas-redondas e quetais…

Bom, só uma indigação de início de semana sobre nosso jornalismo, cada vez mais ocupado com Nardonis e outras desgraças que, sim, são tristes à beça, mas… qual o interesse disso em nível nacional, em nível de desenvolvimento do país, em nível de informação dos cidadãos, em nível de… mídia?

Where Am I?

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