“para o alto e avante!”

Julho 31, 2009 § Deixe um comentário

Aldrin na Lua: Neil Armstrong/ Johnson Space Center, NASA. Fonte: CDCC/ USP-São Carlos

Aldrin na Lua fotografado por Neil Armstrong (quem mais, né?). Johnson Space Center, NASA. Fonte: CDCC/ USP-São Carlos

[É, eu sei que o título do post denuncia a idade… mas tudo bem, estou na fase de assumir mesmo!]

Para começo de conversa hoje, declaro encerrada a série homem na Lua aqui no blog. Chegamos ao número cabalístico de 10 posts comemorativos deste importante feito da humanidade e já está bom, né! Os saudosistas poderão ver e rever os posts agrupados na página especial séries, inaugurada hoje aqui no blog.

Isso não significa, contudo, que abandonei o tema. Muito pelo contrário, espero voltar em breve falando um pouco sobre a busca de vida fora da Terra, astrobiologia ou exobiologia, como queiram. Hoje deixo a indicação de dois textos muito interessantes dentro da temática astrobiologia-astronomia:

  • Os lunáticos de Sobral: publicado no Estadão semana passada, conta a história da verificação de uma das teorias de Einstein a partir da observação de um eclipse solar em Sobral-CE há 90 anos. A história, por si só, já é ótima. E o autor ainda consegiu contar de um jeito bem gostoso;
  • Há alguém lá fora? Uma arca de vida: O impacto de um enorme meteorito e depois uma viagem a bordo de uma rocha de Marte. Terá sido assim que começou a vida na Terra? Conheça a teoria da litopanspermia na revista Science in School.

Boa leitura!

músculo e locomoção

Julho 3, 2009 § 5 comentários

musculo

As moléculas de miosina e os filamentos de actina são os mais básicos constituintes do tecido muscular. Formam filamentos sobrepostos nas células que deslizam uns sobre os outros para contraírem os músculos. (Fonte da imagem e respectiva legenda: Science in School)

Está bem esclarecedor e super bem ilustrado o post A esperteza da cobra de tentáculos do biólogo Carlos Hotta baseado na revisão de dois artigos científicos.

Para os educadores de ciências que sempre encontram alguma dificuldade em transmitir aos alunos os conceitos envolvidos na locomoção de animais, essa é uma boa dica!

Outra boa fonte para esse tópico é o artigo Como os músculos produzem trabalho? publicado em 2007 na revista Science in School. Clique aqui para ler a tradução para o português ou aqui para ver o original em inglês.

o inesquecível H.M.

Junho 16, 2009 § Deixe um comentário

Ao ler a última edição da revista Science in School fiquei conhecendo um pouco do trabalho da science writter Rebecca Skloot. Dentre diversas histórias interessantes que conta e escreve, chamou minha atenção o livro que publicará em breve – HeLa: The Immortal Life of Henrietta Lacks – sobre a linhagem de células cancerosas HeLa.

Rebecca conta que estava com 16 anos em sua primeira aula de biologia quando a professora mencionou que a linhagem celular HeLa, muito usada em pesquisas sobre câncer, provinha de uma mulher negra chamada Henrietta Lacks que falecera em 1951 devido a um câncer cervical e que isto era tudo o que se sabia sobre ela. Rebecca assustou-se com o fato das células estarem sendo usadas por mais de 30 anos e pouco se saber sobre Henrietta. Foi o início de uma obsessão que deve em breve transformar-se em um livro de história da medicina.

A obsessão de Rebecca lembrou-me um incômodo antigo que carreguei durante os anos de pesquisa acadêmica em neurociências. No lugar de HeLa eu tinha H.M.

Todo mundo que já fez alguma incursão nos estudos sobre memória ouviu falar de H.M. Acho que é o cérebro mais escarafunchado da história da neurociência: está nos livros didáticos de ensino superior, em artigos científicos da área, em slides de aulas de fisiologia do sistema nervoso. O estudo do cérebro de H.M., submetido em 1953 a uma secção bilateral do lobo temporal medial, incluíndo amígdala e 2/3 do hipocampo (à época, uma tentativa de cura para a epilepsia), permitiu muitos avanços no estudo da memória.

Após a cirurgia, H.M. perdeu a capacidade de formar novas memórias. Bastava interromper uma conversa por qualquer razão que ele já não se lembrava mais com quem falava, o que estava fazendo ali etc. Isso sempre me impressionou muito. Claro que depois vem aquele foco no objeto de estudo, nos dados advindos dos inúmeros testes aplicados em H.M. que ajudaram os neurocientistas a diferenciar as memórias retrógrada e anterógrada, declarativa e procedimental e compreender um pouco melhor a neurobiologia da aprendizagem e memória. [Clique aqui e aqui para conhecer um pouco mais sobre os tipos de memória e o histórico de seu estudo]

Fui mergulhando nos estudos e esquecendo H.M., ou ao menos o fato incômodo de não saber nada sobre a pessoa, só sobre seu “objeto cerebral”. Mas eis que H.M. faleceu no último dezembro. Ao ler no New York Times a notícia de sua morte e a ótima revisão sobre os estudos por que passou  (clique aqui para acessar a reportagem), tudo voltou. H.M. agora era Henry Gustav Molaison, filho de uma irlandesa e um estado-unidense, nascido em 26/02/1926. E tinha um rosto, bastante sorridente por sinal.

Foi bom vê-lo assim. Guardei a reportagem nos arquivos pessoais desde então, sem muitas pretensões de fazer algo com isso. Até que… Obrigada Rebecca, pela lembrança prazeirosa que me trouxe. Obrigada H.M., pela constante parceria no Laboratório de Neurociência e Comportamento do IB/USP.

Atualização em 07/09/09: A edição de agosto de 2009 da revista Cérebro & Mente trouxe uma matéria bem ampla sobre H. M. Confira aqui: Henry Gustav Molaison: o homem sem lembranças.

Atualização em 24/09/09: Para conhecer mais sobre Henrietta Lacks e o cultivo de suas células, veja Henrietta Lacks, imortal.

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