a ciência percorre o Brasil, mas não “dá manchete”

Novembro 7, 2009 § 1 Comentário

A cobertura da mídia regional, em estados e municípios, tanto na TV como em jornais, tem sido grande, embora os jornais de amplitude nacional não dêem cobertura significativa.

A frase acima consta da avaliação de Ildeu de Castro Moreira, diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência do Ministério da Ciência e Tecnologia e coordenador da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em artigo escrito para o Jornal da Ciência.

O artigo faz um balanço da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que promoveu mês passado diversos eventos de popularização da ciência em todo o país. Os resultados são muito positivos e vêm melhorando a cada ano. Mas faço coro aqui ao puxão de orelhas de Ildeu na “grande imprensa”, que ainda não acordou para a importância deste evento anual. Quem sabe em 2010…

Leia aqui a íntegra do artigo publicado no Jornal da Ciência.

semana nacional de ciência e tecnologia

Outubro 19, 2009 § 2 comentários

imagem cartaz Semana Nac CT 2009

Começa hoje! E aí, já escolheu os eventos de que vai participar? Há muitas atividades em diversas cidades Brasil afora, confira a programação completa aqui.

por dentro da célula

Dezembro 3, 2008 § 1 Comentário

celula

Semana passada estava em exposição no Instituto de Biociências da USP um modelo gigante de célula que agora poderá ser visitado na Estação Ciência em São Paulo. A iniciativa é da Dra. Eliana Beluzzo Dessen, coordenadora de Educação-Difusão do Centro de Estudos do Genoma Humano, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP. Eliana foi também co-curadora da Exposição Revolução Genômica, que vem passando por diversas cidades brasileiras desde o início de 2008.

O modelo é bastante interessante e permite que o público literalmente fique por dentro da célula e conheça um pouco mais sobre as organelas que a compõem. Parece ser um instrumento bastante eficaz para resolver um dos problemas mais frequentes do ensino de ciências, já que é muito comum que os estudantes confundam o conceito de célula com o de átomos e moléculas ou que apresentem dificuldade em entender as diversas estruturas que compõem a célula, suas funções e dimensões relativas. Ou, talvez pior, não é raro que estudantes que aparentemente compreenderam a célula e seu funcionamento, não percebam que outros seres vivos, ademais dos humanos, são compostos por células, ainda que por uma só.

Lembrei agora de uma pesquisa de percepção pública da ciência sobre organismos geneticamente modificados realizada na Itália há uns 2 anos em que os pesquisadores procuravam entender as razões da rejeição do público ao tomate transgênico. A pesquisa indicou que os italianos não queriam comprar o tomate transgênico porque este continha DNA e as pessoas estavam receosas de que comer DNA pudesse fazer algum mal. Discussões sobre benefícios ou malefícios dos transgênicos à parte, isso mostra a ignorância das pessoas com relação aos princípios mais básicos da biologia molecular. E a raiz do problema está no ensino e na divulgação da ciência, não?

Mas a boa notícia para aqueles motivados a envolverem-se nessas áreas é que o brasileiro se interessa por ciência e tecnologia tanto quanto pelo esporte e as coloca em posição nitidamente superior à política, que costuma ocupar inúmeras páginas nos jornais e revistas e tempo precioso nas emissoras de rádio e televisão. Esse dado foi um dos resultados da pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia publicada em 2007 e já mencionada em post anterior. A pesquisa intitulada Percepção Pública da Ciência e Tecnologia mostrou ainda que o brasileiro não subestima a sua capacidade de entender a ciência e a tecnologia e reconhece (esta é a opinião de 81% dos entrevistados) que é capaz de compreendê-las se “o conhecimento científico for bem explicado”. Clique aqui para ter acesso à integra da pesquisa no site do MCT.

Esses resultados todos, se bem analisados e acompanhados de vontade dos órgãos competentes, podem (e devem!) embasar algumas políticas públicas relacionadas à divulgação científica e ao ensino de ciências. Passou da hora já de termos cidadãos capazes de fazer uma reflexão relativa ao papel da ciência, sua função na sociedade, as tomadas de decisão correlatas, prioridades dos fomentos etc etc etc, e não apenas estudantes preparados a marcar X numa prova de vestibular (e, ainda por cima, mal preparados mesmo para isso…).

mudanças climáticas 2

Novembro 3, 2008 § 1 Comentário

Martin Parry justificando a necessidade de redução em 80% das emissões de gases de efeito estufa.

lado A

O aquecimento global é tido como inequívoco, bem como a interferência antrópica no sistema climático, principalmente via emissões de CO2. Isso é o que se depreende dos relatórios do IPCC, do noticiário na mídia, dos esforços de ampliação das pesquisas na área e de reportes financeiros da comercialização de créditos de carbono.

Os primeiros sinais de alarde vierem no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio em 1992. No ano passado, o assunto voltou à baila com força com a divulgação do Quarto Relatório de Avaliação do IPCC (entre nesta página do MCT para ter acesso à versão em português dos documentos já produzidos pelo grupo) e as discussões na Conferência de Bali para negociar um novo acordo que substitua o Protocolo de Quioto.

Em conferência na sede da FAPESP na última quinta feira, Martin Parry, co-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC até 2007, apresentou a necessidade de uma redução em 80% das emissões de gases estufa até 2050 para evitar que cheguemos em 2100 com impactos severos decorrentes do aquecimento global. Essa meta é ainda mais rigorosa que a de 50% em discussão até agora.

Sobram desafios para a próxima reunião da cúpula mundial sobre o clima, a ser realizada em dezembro de 2009 em Copenhague, quando deverá ser definido um acordo para substituir o Protocolo de Quioto, em vigor até 2012.

lado B

O documentário “A grande farsa do aquecimento global” (The Great Global Warm Swindle, UK, 2007, 90 min.), lançado em março de 1997, apresenta depoimentos de cientistas (alguns integrantes do IPCC), ativistas ambientais e membros da mídia somados a uma série de dados e análises, numa mistura explosiva que contesta os relatórios do IPCC e isenta as emissões antrópicas de CO2 de qualquer culpa sobre as mudanças climáticas.

E mais: defende a tese de que os dados sobre o aquecimento global e decorrentes mudanças climáticas vêm sendo deturpados com finalidade político-ideológica e guiados por interesses financeiros (clique aqui para baixar “A grande farsa…” com legendas em português em arquivo de 450 mb). Imagine a dimensão do barulho causado pelo filme!

Imaginou? Então agora pergunte-se porque essa discussão não chegou com a mesma força por aqui (pra não dizer com força alguma), se os brasileiros super-concordam que esse é tema dos mais importantes e reconhecem a necessidade de maior atividade no país (vide post abaixo)?

Voltando ao Velho Mundo, o Office of Communications (Ofcom), órgão regulador da televisão britânica, recebeu grande quantidade de reclamações sobre as assertivas do filme, entre elas uma grande lista de erros de argumentação e utilização indevida de dados assinada por um grupo de cientistas. A íntegra das reclamações contra o filme pode ser acessada aqui, um site criado pelo Ofcom especialmente para tratar desta polêmica. As argumentações estão divididas por categorias e podem ser baixadas em pdf.

moral da história

1- como reduzir tanto? Se as atuais previsões científicas estão mesmo corretas, os governos mundiais, nas atuais condições de temperatura e pressão (desculpem, não resisiti ao trocadilho infame), terão competência/condições/vontade para coordenar-se na adoção de medidas rigorosas que contenham o aquecimento global em tão pouco tempo?

2- não há dúvida de que o material dessa discussão no Ofcom é riquíssimo e pode ajudar a entender um pouco mais o debate. Um pouco mais sobre o que é e o que não é alarmismo. Um pouco mais sobre o que é e o que não é manipulação de dados. Etc, etc, etc. Mas é também um material extensíssimo… Vou “folheá-lo” aos poucos e vez em quando pingarei algum comentário por aqui. Mas por ora eu preciso dividir essa admiração: é ou não é coisa de gente grande um sistema de comunicações assim?

mudanças climáticas

Novembro 2, 2008 § Deixe um comentário

questionadora-tv

Uma pesquisa feita pelo ISER no início deste ano analisou a opinião de 210 brasileiros entre empresários, governo, congressistas, cientistas, sociedade civil e mídia para identificar “O que as lideranças brasileiras pensam sobre mudanças climáticas e o engajamento do Brasil “. No link indicado é possível acessar o relatório de divulgação da pesquisa que, em linhas gerais, indica que os brasileiros concordam com a visão científica de que o impacto das mudanças climáticas será grande e que este é, portanto, um tema de extrema relevância. Também consideram que conhecem pouco sobre o assunto e que o Brasil tem condições de ocupar um espaço de destaque na conduta do tema em âmbito mundial. A maioria pensa que o Brasil está aquém de suas possibilidades e que é o governo quem deve liderar o processo de engajamento do país.

O uso das pesquisas de percepção pública da ciência e tecnologia para embasar ações de políticas públicas são prática regular nos EUA e Europa já há algum tempo. Aqui acordamos há pouco para sua importância e parece que vamos, enfim, realizá-la com alguma frequencia. Seja em termos mais gerais quanto à temática e abrangência da população (como as duas pesquisas já coordenadas pelo MCT e cujos pdfs podem ser obtidos na página do ministério), seja por meio de iniciativas individuais e mais pontuais quanto ao objeto de análise, como a supra citada.

A FAPESP está fazendo sua parte tanto estimulando a pesquisa científica brasileira sobre mudanças climáticas (veja mais aqui), quanto promovendo o esclarecimento, a divulgação e o debate dos resultados já obtidos, como o ciclo de conferências que se iniciou esta semana com a presença de dois membros do IPCC.

Vejamos nos próximos posts o que este bloguinho consegue trazer de interessante a respeito!

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