diferentes, mas semelhantes

Julho 8, 2014 § 1 Comentário

O Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CPGH-Cel) é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Como tal, incorpora ações de divulgação científica, sejam direcionadas ao público em geral, sejam direcionadas ao ensino de ciências. O último trabalho realizado pelo projeto “Semear Ciência”, que visa divulgar temas importantes da Genética, atua nessas duas esferas. Os usuários do metrô de São Paulo já podem se deparar com os cartazes abaixo, espalhados em diversas estações, e via QR Code acessar o site do projeto, onde poderão saber como foram realizados os estudos que levaram aos dados apresentados nos cartazes e quais os impactos desse conhecimento no tratamento de doenças.

O biólogo Rodrigo Mendes é um dos educadores do CPGH-Cel, responsável por esse projeto em curso. Conversei com ele para saber um pouco mais sobre a concepção do projeto, sobre como a divulgação científica se associa à ciência de ponta realizada em centros de pesquisa e sobre a relação entre divulgação científica e ensino de ciências. Clique em cada soundtrack a seguir para ouvir a resposta a uma pergunta específica ou, se preferir, ouça as respostas compiladas nessa playlist.

1- Conte um pouco sobre como foi a criação desse projeto, ou seja, como foi selecionado esse tema, por que a opção pelos cartazes no metrô, que tipo de público pretendem atingir no projeto como um todo etc. 

2- Como se chega a esses números para expressar as semelhanças apresentados nos cartazes? Por exemplo, para o caso da semelhança entre chimpanzés e humanos, há estudos que apontam para 99%, mas vocês apresentaram o dado de 96% de semelhança.

3- Há algum desdobramento pensado para esse projeto para além das informações contidas nos textos disponibilizados no site?

4- Como as ações de divulgação científica do CPGH-Cel se vinculam com as pesquisas científicas desenvolvidas por lá?

5- Além do trabalho na área de divulgação científica, você também atua no ensino de biologia há muitos anos. Você diria que o slogan dessa campanha – “Diferentes, mas semelhantes” – se aplica também à relação entre ensino de ciências e divulgação científica?

6- E o que mais vem por aí? Já há alguma outra campanha de divulgação da pesquisa genética em desenvolvimento no CPGH-Cel?

o mapa das doenças humanas

Novembro 2, 2010 § 3 comentários

Esse fantástico mapa representa a origem genética de 516 doenças humanas com base no conhecimento científico disponível até o momento (1188 associações gene-doença).

Clique na imagem para ver o mapa ampliado e em seu contexto original. Explore o mapa virtualmente em http://diseasome.eu/map.html.

(Vi primeiro no Visualizing.org)

a bactéria sintética de Craig Venter

Maio 23, 2010 § 13 comentários

O vídeo abaixo apresenta o anúncio oficial, feito por Craig Venter esta semana, da nova peripécia conseguida por seu grupo de pesquisa. Trata-se de um divisor de águas na história da pesquisa biológica, da mesma forma que a clonagem da ovelha Dolly em 1997.

Entenda o que foi feito

Para quem não se lembra, Craig Venter ficou famoso na “corrida do genoma”: na década passada, ele liderou um esforço privado de sequenciamento do genoma humano (o dele próprio), em paralelo ao sequenciamento que estava sendo feito por um consórcio público (Projeto Genoma Humano).

Do genoma humano à bactéria sintética, foram diversos anos de pesquisa de ponta com uma pitada de ousadia (conheça um pouco sobre o trabalho de Venter em texto seu para a Seed Magazine)

O anúncio desta feita veio após um trabalho de mais de 10 anos: a equipe de Venter inseriu um genoma sintético (uma modificação do genoma da bactéria Mycoplasma mycoides) dentro de uma bactéria (Mycoplasma capricolum)  sem genoma e conseguiu fazer com que essa bactéria passasse a obedecer os comandos do genoma recebido.

Venter fez uma analogia entre este trabalho e operações de computação: o que a equipe fez foi trocar o “software” do sistema operacional e fazer um computador inoperante voltar a funcionar.

Atualização em 20/06/2010: substituí o infográfico anterior por este (fonte: Pesquisa Fapesp, jun/20120), mais completo e que não carrega o erro conceitual que havia sido apontado.

O que isso significa?

Um pequeno genominha sintético extremamente simples e mais um grande passo para a biologia molecular.

As aplicações da técnica de inserção de genomas artificiais em bactérias, segundo o próprio Venter, são muitas. Há a possibilidade de desenvolver bactérias sob medida para produção de biocombustíveis, absorção de gás carbônico da atmosfera e outros resíduos tóxicos de nossa produção industrial, além da manufatura de vacinas.

O próximo passo dessa linha de pesquisa, de acordo com ele,

é entender a natureza básica da vida, quais são os conjuntos de genes mínimos necessários para ela. Ainda não sabemos todas as funções de genes presentes em uma célula. Trata-se, portanto, de um enigma fundamental. (veja entrevista de Venter ao jornal The Independent e traduzida no jornal O Globo)

O biólogo Rafael Soares (no blog RNAm) e a geneticista Mayana Zatz (em entrevista ao Jornal Hoje – vídeo) teceram importantes considerações sobre as reais perspectivas a partir desse feito. Clique nos links e entenda porque o “frisson” em voga sobre a criação de vidas artificiais é um tanto de exagero dos angustiados de plantão, começando pela percepção de que não foi, de fato, criada “vida artificial” como se está espalhando por aí e como foi sugerido no título do artigo de Venter na Science com o uso da palavra creation.

Sim, o debate sobre biossegurança e ética é válido e necessário, mas tanto quanto o é para os transgênicos (organismos geneticamente modificados), as células tronco, a clonagem reprodutiva etc. Como bem disse Mayana, toda pesquisa pode ter boas e más aplicações. Seguimos os estudos para desenvolvimento das boas e estabelecemos regulamentações que impeçam as más.

Para não tropeçar nos conceitos

  • genoma: é o conjunto de moléculas de DNA de uma espécie. Isso inclui tanto os genes, como as sequências não codificadoras do DNA (que até pouco tempo atrás eram erroneamente conhecidas como “DNA lixo”).
  • código genético: o uso errôneo do termo “código genético” é comum na imprensa leiga no Brasil e no mundo. Essa expressão é, geralmente usada em lugar de “sequência genética”. Mas qual a diferença? O código genético consiste na correspondência entre uma trinca de bases nitrogenadas do RNA mensageiro (códon) e um aminoácido por ela codificado no processo de tradução de uma proteína. Já sequência genética é a sequencia de bases nitrogenadas no DNA, ou seja, exatamente o que é identificado quando se anuncia que o genoma de alguma espécie (do homem, da Xylella fastidiosa, do boi etc) foi sequenciado.

Leia mais

Atualização em 24/05/2010: Está muito bacana a linha do tempo interativa sobre estudos do genoma que o Estadão publicou em abril por ocasião dos 10 anos do Projeto Genoma Humano. Vale a revisão agora que já temos um novo marco a acrescentar nessa linha. Via Miriam Salles.

Atualização em 28/05/2010: Imperdível o muito didático post de Roberto Takata em seu blog Gene Repórter: Vida sintética e artificialismos.

Atualização em 20/06/2010: Estão ótimos os quatro artigos sobre esse DNA sintético publicados na revista Pesquisa Fapesp desse mês:

Where Am I?

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