o cérebro vai ao parque

Março 14, 2013 § Deixe um comentário

cerebro

Divulgando o convite da Profa. Paula Ayako Tiba, do Centro de Matemática, Computação e Cognição da Universidade Federal do ABC:

Que tal passear no Parque do Ibirapuera e ainda aprender Neurociência?

Com atividades para todas as faixas etárias, neste sábado encerramos a Semana do Cérebro dialogando com a população sobre como o nosso cérebro se comunica e permite que nos comuniquemos com o mundo. Participe, divulgue, conecte-se!

UNIFESP, UFABC e SBNeC conectando Neurociência com a população!

E então, nos vemos lá?

Calendário dos demais eventos da semana em curso aqui no Brasil no blog da Semana Nacional do Cérebro.

a aprendizagem como propriedade emergente

Setembro 9, 2010 § 1 Comentário

Sistema auto-organizado é aquele em que a estrutura do sistema aparece sem intervenção explícita de fontes externas ao sistema. Os sistemas auto-organizados demonstram emergência, ou seja, a aparição de uma propriedade não previamente observada como uma característica funcional do sistema.

Sinto-me cada vez mais em um Tangram gigante, com as pecinhas pouco a pouco se encaixando e sempre mostrando novas possibilidades de encaixe.

Cena 1: No início do ano, em uma entrevista para a seção “Alô professor” da Ciência Hoje, falei um pouco sobre minha concepção de educação. O mote principal da conversa era a “escola tradicional” versus (ou mais) o uso das “novas mídias” e então eu defendi que o foco da educação não deveria ser o conteúdo puro e simples, mas sim as habilidades de relacionar, de interpretar, de extrapolar, de criar etc. Disse também que conteúdos das diversas áreas do conhecimento podem ser usados como ponto de partida para isso desde que o objetivo final seja formar o aluno em uma “profissão”: editor do mundo. Nesse caso, a escola “tradicional” não compete com as novas, velhas ou futuras mídias. Ela caminha lado a lado com essas informações e prepara o aluno para lê-las, compreendê-las, relacioná-las, questioná-las e para criar novos conhecimentos.

Cena 2: No último mês andei estudando um pouco de matemática, tentando apressadamente cobrir uma terrível lacuna que ficou em minha formação. Obviamente isso não se resolve em um mês ou dois. Mas ao menos a dimensão do buraco, esta sim, foi bem mapeada neste período em que trabalhei intensamente em cima de um convite delicioso e irrecusável (novidades em breve, tanto aqui quanto em artigo que, se aceito, será publicado na Scientific American Brasil). Neste período, estive às voltas com sistemas complexos, sistemas dinâmicos, sistemas caóticos, propriedades emergentes, variáveis de estado, parâmetros constitutivos etc, tentando entender como a pesquisa em sistemas biológicos tem se beneficiado e avançado cada vez mais a partir de um namoro com a modelagem matemática.

Tangram: E como isso tudo se encaixa? Na palestra abaixo, de que tomei conhecimento via fontes fantásticas no Twitter, o educador Sugata Mitra apresenta diversos (impressionantes e divertidos) experimentos educacionais recentes conduzidos na Índia, Inglaterra e Itália e conclui:

A educação é um sistema auto-organizado, em que a aprendizagem é um fenômeno emergente.

O pesquisador, hoje professor de educação tecnológica na Universidade de New Castle (Reino Unido), é bastante conhecido pelo projeto “Hole in the Wall”. O projeto vem desafiando alguns pressupostos da educação formal  ao demonstrar que, mesmo sem a interferência direta de um professor, um ambiente que estimula a curiosidade leva à aprendizagem por meio de auto-instrução e conhecimento compartilhado entre as crianças. É o que Mitra chama de “educação minimamente invasiva”. Do pouco que conheço de ambos os métodos, isso me lembrou os preceitos da educação Montessori. No mínimo, uma reflexão imperdível; confira no vídeo abaixo:

por dentro da célula

Dezembro 3, 2008 § 1 Comentário

celula

Semana passada estava em exposição no Instituto de Biociências da USP um modelo gigante de célula que agora poderá ser visitado na Estação Ciência em São Paulo. A iniciativa é da Dra. Eliana Beluzzo Dessen, coordenadora de Educação-Difusão do Centro de Estudos do Genoma Humano, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP. Eliana foi também co-curadora da Exposição Revolução Genômica, que vem passando por diversas cidades brasileiras desde o início de 2008.

O modelo é bastante interessante e permite que o público literalmente fique por dentro da célula e conheça um pouco mais sobre as organelas que a compõem. Parece ser um instrumento bastante eficaz para resolver um dos problemas mais frequentes do ensino de ciências, já que é muito comum que os estudantes confundam o conceito de célula com o de átomos e moléculas ou que apresentem dificuldade em entender as diversas estruturas que compõem a célula, suas funções e dimensões relativas. Ou, talvez pior, não é raro que estudantes que aparentemente compreenderam a célula e seu funcionamento, não percebam que outros seres vivos, ademais dos humanos, são compostos por células, ainda que por uma só.

Lembrei agora de uma pesquisa de percepção pública da ciência sobre organismos geneticamente modificados realizada na Itália há uns 2 anos em que os pesquisadores procuravam entender as razões da rejeição do público ao tomate transgênico. A pesquisa indicou que os italianos não queriam comprar o tomate transgênico porque este continha DNA e as pessoas estavam receosas de que comer DNA pudesse fazer algum mal. Discussões sobre benefícios ou malefícios dos transgênicos à parte, isso mostra a ignorância das pessoas com relação aos princípios mais básicos da biologia molecular. E a raiz do problema está no ensino e na divulgação da ciência, não?

Mas a boa notícia para aqueles motivados a envolverem-se nessas áreas é que o brasileiro se interessa por ciência e tecnologia tanto quanto pelo esporte e as coloca em posição nitidamente superior à política, que costuma ocupar inúmeras páginas nos jornais e revistas e tempo precioso nas emissoras de rádio e televisão. Esse dado foi um dos resultados da pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia publicada em 2007 e já mencionada em post anterior. A pesquisa intitulada Percepção Pública da Ciência e Tecnologia mostrou ainda que o brasileiro não subestima a sua capacidade de entender a ciência e a tecnologia e reconhece (esta é a opinião de 81% dos entrevistados) que é capaz de compreendê-las se “o conhecimento científico for bem explicado”. Clique aqui para ter acesso à integra da pesquisa no site do MCT.

Esses resultados todos, se bem analisados e acompanhados de vontade dos órgãos competentes, podem (e devem!) embasar algumas políticas públicas relacionadas à divulgação científica e ao ensino de ciências. Passou da hora já de termos cidadãos capazes de fazer uma reflexão relativa ao papel da ciência, sua função na sociedade, as tomadas de decisão correlatas, prioridades dos fomentos etc etc etc, e não apenas estudantes preparados a marcar X numa prova de vestibular (e, ainda por cima, mal preparados mesmo para isso…).

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