ciência na camiseta

Janeiro 7, 2011 § 11 comentários

Não é linda a camiseta que ganhei do Roberto Takata?

Ela foi desenhada para comemoração dos dois anos da primeira postagem no Gene Repórter, que teve como prêmio para o concurso promovido uma camiseta igual à acima.

A citação There is grandeur in this view of life pertence ao encerramento da obra mais conhecida de Darwin, cuja primeira edição foi publicada há 151 anos – Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida :

[livre-tradução: Há grandeza nesta concepção da vida, com suas diferentes forças, tendo sido originalmente criada sob diferentes formas ou sob uma só; e que, enquanto este planeta foi girando em concordância com a constante lei da gravitação, uma infinidade de formas belas e admiráveis se desenvolveram e estão se desenvolvendo a partir de um começo tão simples.]

A ilustração, por sua vez, foi feita pelo próprio Darwin em 19371837, em um de seus caderno de notas. Ele desenhou um diagrama em forma de árvore com ramos para representar a evolução dos seres vivos na Terra, com as espécies mais antigas na base e os descendentes surgindo nos vários ramos. A esta ilustração Darwin adicionou a frase I think (Eu penso/ Eu acho).

Em suma: todos os seres vivos do planeta surgiram a partir de um ancestral comum por meio de um processo de descendência com modificação. Essa é a essência da ideia que Darwin desenvolveu em seu livro. E, de fato, há muita grandeza e beleza nessa concepção! Expanda seu conhecimento sobre ela:

[Fonte das imagens: clique sobre elas para vê-las em seu contexto original.]

retrospectiva ciência na mídia 2009: VIII – história da ciência

Dezembro 29, 2009 § Deixe um comentário

As fases da Lua, como desenhadas por Galileu a partir de suas observações com auxílio de uma luneta.

Este foi um ano movimentado no que concerne à história da ciência. Por exemplo, foi o Ano Internacional da Astronomia e também o Ano de Darwin.

No primeiro caso, uma das razões para a celebração é que há 400 anos Galileu Galilei apontou para o céu a luneta de fabricação própria e bisbilhotou as luas de Júpiter, as manchas solares, a constelação de Órion e outras tantas visões astronômicas.

Charles Darwin retratado à época da viagem a bordo do Beagle.

No segundo, a comemoração foi dupla: 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos da publicação de seu livro “A Origem das Espécies […]”.

Também comemoramos os 180 anos da morte de Jean-Baptiste Lamarck e os 200 anos da publicação de seu livro “Filosofia Zoológica”, embora infelizmente com menos ênfase que os festejos direcionados a Darwin. Aqui um raro exemplo de justiça à importância de Lamarck para a história da ciência.

Aldrin na superfície da Lua em 1969 fotografado pelo comandante da Apollo 11, Armstrong.

Por fim, este também foi o ano em que se festejou os 40 anos da chegada do homem à Lua, “um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”.

[Veja aqui os demais posts da série retrospectiva ciência na mídia 2009.]

“funcionário do mês” – Fritz Müller

Dezembro 11, 2009 § 1 Comentário

Johann Friedrich Theodor Müller, em rara fotografia disponível.

Johann Friedrich Theodor Müller, mais conhecido como Fritz Müller, foi um naturalista alemão (1821-1897) que emigrou para o Brasil, instalando-se em Blumenau-SC nos anos 1850. Müller era um grande entusiasta da teoria da seleção natural de Darwin. Mais que isso, foi dos mais importantes colaboradores para o teste empírico desta.

As várias observações experimentais com seres vivos realizadas por Müller ofereceram diversos argumentos em favor das concepções de Darwin. O primeiro conjunto de observações foi realizado com crustáceos do litoral catarinense e organizado no livro Für Darwin (Pró Darwin – versão em inglês disponível no Projeto Guttemberg). O livro também marcou uma longa série de correspondências trocadas entre Darwin e Müller.

Dentre as diversas contribuições de Müller à biologia evolutiva, destaca-se a descrição do fenômeno que ficou conhecido como mimetismo mülleriano (à diferença do mimetismo batesiano, em que a interação entre as espécies resulta em benefícios apenas para o mímico, com eventuais prejuízos para o modelo, no mimetismo mülleriano há benefícios mútuos para as espécies envolvidas).

Apesar de todas essas importantes contribuições, incluindo o fato de que importantes testes empíricos da teoria de Darwin tenham sido conduzidos por aqui, Fritz Müller é bastante desconhecido dos brasileiros, mesmo entre os biólogos. Esse ano, excepcionalmente, a figura de Müller  finalmente veio à tona com as comemorações do ano de Darwin, embora ainda de maneira incipiente. Em outubro, a Universidade Federal de Santa Catarina concedeu-lhe, in memorian, o título de doutor honoris causa.

Para saber mais sobre a vida e obra de Fritz Müller:

[A coluna “Funcionário do Mês” é postada todo dia 10 (dessa vez 11!) aqui no blog. Acesse aqui as colunas anteriores sobre a vida e trabalho de outros importantes cientistas e/ou divulgadores de ciências.]

Atualização em 16/12/2009: Descobri no blog da Miriam Salles que há 3 excelentes documentários sobre Fritz Müller. No link indicado você pode assistir a um deles (Caro Mr. Müller) e ter acesso a outros dois (Fritz Müller; A prova da evolução).

de Einstein e boa música

Dezembro 2, 2009 § 4 comentários

Clique para ver a imagem em contexto original no Humor na Ciência.

Esse post é sobre um artigo que defende que o “uso abusivo de terminologia científica confunde, em vez de esclarecer conceitos do cotidiano”. Mas antes vem um pouco de historinha.

Penso que o passeio pela blogosfera propicia desses prazeres que de tão bons a gente não sabe nem como explicar. Minha última deliciosa surpresa foi reencontrar, virtualmente e depois de mais de 15 anos, um professor que me marcou muito.

Tudo começou num post do Física na Veia. Do comentário que lá deixei até o pdf do artigo chegar direto da fonte na minha caixa de e-mail transcorreu pouco mais de um mês. Nesse entretempo, o prazeroso reencontro com José Roberto Castilho Piqueira e um proveitoso bate papo que espero se prolongar.

Piqueira é professor da Poli-USP e dos poucos pesquisadores que conheci ao vivo e a cores que se importam de verdade com a divulgação científica ao ponto de praticá-la. O texto em questão, do qual tivemos um resumo antecipado lá no Física na Veia, foi publicado na edição deste mês da Scientific American Brasil.

Começa assim:

É comum, em nosso cotidiano, que conceitos de teorias científicas passem ao vocabulário usual com sentido distorcido e aplicado de maneira muitas vezes incorreta, com apoio pressuposto do argumento de autoridade, legitimando ideias enganosas e não verificáveis.

Então segue para um exemplo sobre distorções das ideias de Darwin e chega, enfim, em Einstein, cujas ideias expressas na Teoria da Relatividade Especial foram equivocadamente transformadas na expressão “tudo é relativo”. Enfim, o artigo traz uma discussão bastante pertinente e super recomendo a leitura. Ei-lo em versão completa: Relatividade não muito relativa.

P.S.: Esse post foi escrito ao som da deliciosa trilha de espetaculares clássicos da guitarra que Joey Salgado tão bem selecionou. Não estou dizendo que o passeio pela blogosfera propicia desses prazeres que de tão bons a gente não sabe nem como explicar?

Darwin, A origem e… história da ciência

Novembro 28, 2009 § 1 Comentário

Chegamos a fim da semana comemorativa aos 150 do livro apelidado de “Origem das Espécies”. Houve muitas comemorações, palestras, debates e, claro, a blogosfera científica pegou fogo.

Procurei reunir em post anterior, publicado no dia D, o que vi de mais interessante nas navegadas pela net. Tinha ideia de fazer uma nova seleção para fechar a semana, mas o urgente vem cada vez mais tomando o lugar do importante. Assim, vou apenas dar um breve “tchau, Darwin!”:

  • está impagável a sequência de tirinhas comemorativas que o Fernando Gonzáles publicou na edição impressa da Folha de São Paulo em 22/11/09. A que abre o post é um exemplo, mas há MUITAS mais. Veja aqui o material completo;
  • o Espaço Aberto Ciência e Tecnologia da Globo News fez um especial  muito bacana com o seguinte mote: “e se Darwin pudesse usar fotos da Nasa e a ciência do genoma em sua viagem pelo mundo a bordo do Beagle?” Veja o vídeo do programa aqui;
  • No Discutindo Ecologia, o Luiz Bento apresentou uma importante reflexão sobre a construção histórica da teoria da evolução, enfatizando a importância dos antecessores e contemporâneos de Darwin, geralmente negligenciados ou rapidamente apontados como aqueles que apresentaram a “teoria errada”. Leia aqui. Recomendo fortemente a leitura desse post, muito sintonizado com o que falei outro dia aqui sobre a história da ciência no ensino de ciências (a história que falta).

Depois dessa ligação entre os antecessores e os sucessores de Darwin, encerro com as palavras de Salzano*:

DA ORIGEM DAS ESPÉCIES À BIOLOGIA MODERNA

Há 200 anos, nascia em família abastada da Inglaterra o naturalista Charles Darwin. Sua obra principal, “Origem das Espécies”, publicada em 24 de novembro de 1859, pode ser considerada como uma das mais importantes em toda a história da humanidade. Enquanto os estudos de Nicolau Copérnico (1473 – 1543) demonstraram que nosso planeta não estava no centro do universo conhecido, Darwin realizou tarefa semelhante, de demolição da ideia de que éramos seres privilegiados, criados de maneira separada de todos os outros seres vivos. Na verdade, somos apenas um elo no processo evolutivo que liga toda a matéria viva entre si. Caía por terra, portanto, todo um passado de arrogância. O mundo nunca mais seria o mesmo após a publicação de seu livro.

Darwin certamente ficaria maravilhado com os desenvolvimentos que ocorreram, especialmente nos últimos 30 anos, na área da genética e da biologia molecular. Um século e meio após a publicação de sua obra seminal, o paradigma principal da seleção natural como força direcionadora da evolução, reavivado pela teoria sintética** e reforçado pela revolução molecular, permanece tão atual como nunca.

* Francisco Salzano é professor no Departamento de Genética, Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Esse texto de sua autoria integrou material comemorativo do Conselho Regional de Biologia – 1a. Região.

** Falei um pouco sobre a teoria sintética nesse post aqui.

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