rumo à Antártica!

Março 17, 2014 § 6 comentários

Estação Comandante Ferraz na Antártica - créditos: Proantar/Marinha. Fonte: http://fotospublicas.com/nova-base-brasileira-na-antartica-tem-inauguracao-adiada-para-2014/

Estação Comandante Ferraz na Antártica. Créditos: Proantar/Marinha do Brasil. Foto extraída do site Fotos Públicas.

O Carnaval de 2014 foi dos mais animados que já vivi. Enquanto muitos vestiam suas fantasias para sambar ao som de algum bloco pela cidade e outros enfrentavam horas de congestionamento rumo às praias, eu me deleitava com o filme imaginário de um local lindamente branco e assustadoramente gelado. Eu havia acabado de receber o telefonema de uma aluna querida dando a mais deliciosa das notícias: vamos para a Antártica!

O filme imaginário que passou em minha cabeça na noite de 28/02 tinha alguns flashbacks: em 06 de janeiro, em meio às férias escolares, Tamara me enviou um e-mail contando que havia decidido participar do concurso cultural promovido pela Marinha do Brasil para alunos do ensino médio e me convidando para ser sua orientadora no trabalho que deveria entregar sob a forma de um vídeo de até três minutos. Mas havia pouco tempo para finalizar o trabalho, posto que o concurso se encerrava no dia 10 e ela já tinha uma viagem marcada para o dia 08. Conhecendo a enorme capacidade de Tamara depois de um ano letivo em que ela sempre se sobressaiu tanto no curso regular quanto na disciplina eletiva de Biologia, não tive dúvidas de que seria possível finalizar o vídeo no tempo exíguo. Ao baixar o anexo da mensagem, a confirmação: o vídeo que ela havia roteirizado, editado e produzido sozinha estava excelente!

Após algumas trocas de mensagens com sugestões de acertos pontuais, Tamara chegou à versão final do vídeo que venceu o concurso. Nele, ela narra como foi firmado o Tratado Antártico, garantindo que esse seja um continente para a ciência e para a paz. Conta ainda quais são as pesquisas realizadas no continente gelado, os principais achados já feitos – como o estudo da atmosfera de muitos anos atrás por meio de amostras de gases aprisionadas nas diversas camadas de gelo –, os potenciais tecnológicos que devem advir dos estudos e como o Brasil tem participado disso, tanto de maneira independente, quanto em colaboração com outros países.

Agora, junto a mais três estudantes do ensino médio também vencedores do concurso e seus respectivos orientadores, vamos conhecer de perto algumas dessas pesquisas conduzidas na Estação Comandante Ferraz na Antártica. Antes, participaremos do Treinamento Pré-Antártico na base da Marinha no Rio de Janeiro para aprender as normas de segurança.

A oportunidade é ímpar: além de poder frequentar um lugar que poucos vão conhecer um dia, conheceremos a estação brasileira, acompanharemos as pesquisas científicas na maior reserva de água doce do mundo, veremos de perto porque o clima brasileiro é influenciado pelo que ocorre na Antártica, embarcaremos em navio usado em expedições científicas, dormiremos na estação provisória construída após o incêndio de 2012… enfim, experiências únicas que poderemos desfrutar graças ao competente trabalho enviado para o concurso.

Espero que você nos acompanhe nessa aventura! Para isso, criamos o blog Tamara e Tati rumo à Antártica. E já tem um primeiro post lá: afinal, é Antártica ou Antártida?

a educação científica pede socorro

Março 2, 2014 § 9 comentários

No início do ano, participei dos eventos paralelos da exposição Túnel da Ciência, organizada pelo Instituto Max Planck. Uma das palestras foi proferida pelo Prof. Ildeu de Castro Moreira, físico da UFRJ e que já foi diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia, associado à pasta do MCTI a partir de 2004. Em sua fala, Ildeu destacou eventos de amplitude nacional, como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e as diversas Olimpíadas Científicas, como iniciativas fundamentais para a educação científica e a popularização da ciência entre jovens. Concordo completamente com ele. Especialmente no âmbito do ensino médio, essas atividades são raras oportunidades de cativar os jovens para a carreira científica, que pesquisas anteriores já demonstraram estar em situação crítica no Brasil. É por isso que fiquei muito tristemente surpresa com a dificuldade que algumas olimpíadas científicas brasileiras têm tido para seguir adiante.

Primeiro foi a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica que pediu socorro: organizou uma vaquinha virtual para conseguir comprar um planetário digital que muito ajudará na capacitação de professores e alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo é chegar em R$50 mil e pouco menos da metade já foi conseguido. Agora é a Olimpíada Brasileira de Biologia que lança mão de recurso similar. Após a negação do CNPq para apoio ao evento, a OBB está arriscada a não ocorrer e justamente quando completaria 10 anos! Por isso, a organização do evento, feita pela ANBio, pede a colaboração de todos. Replico abaixo o e-mail recebido:

OLIMPÍADA BRASILEIRA DE BIOLOGIA (OBB) PEDE APOIO PARA PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES

Este ano recebemos com grande surpresa e indignação a negativa de apoio do CNPq, órgão gestor do orçamento das Olimpíadas do conhecimento no país, ao nosso projeto para realizar a próxima edição da Olimpíada Brasileira de Biologia, quando estaremos completando 10 anos da competição. Sem este apoio não teremos como realizar a OBB e consequentemente nossos estudantes não poderão participar da XXV Olimpíada Internacional de Biologia que será realizada na Indonésia, nem na Ibero-Americana no México, depois de 10 anos de sucesso trazendo mais de 30 medalhas para o Brasil.

Diante da falta de recursos, lançamos uma campanha de doações, onde poderão participar professores, alunos, diretores, escolas, incentivadores da educação, sócios da ANBio e público em geral, com o intuito de tornar possível a realização deste projeto de grande impacto para a Educação, Ciência e Tecnologia em nosso país. Iniciamos a campanha de doações em 25 de fevereiro e encerraremos no dia 25/05/2014.

A forma que encontramos para receber essas doações, via boleto bancário ou cartão de crédito, foi através do site www.vakinha.com.br. Por favor, façam suas doações e nos ajudem a divulgar a todos os seus colegas e conhecidos, através de suas redes sociais, listas de emails, instituições de trabalho, rodas de conversa, etc.

Para realizar a doação, basta acessar o site www.vakinha.com.br, digitar OLIMPÍADA BRASILEIRA DE BIOLOGIA na linha de busca e seguir as instruções, ou então, ir direto no setor de doações http://www10.vakinha.com.br/VaquinhaE.aspx?e=255207 e clicar no botão “Contribua já”.

Toda doação será revertida para possibilitar o treinamento dos estudantes e para apoio das viagens da Equipe Olímpica de Biologia à Indonésia e ao México.

SEM O SEU APOIO NÃO TEREMOS COMO CONTINUAR ESTE PROJETO QUE JÁ PERMITIU A VÁRIOS ESTUDANTES EM 10 ANOS CONQUISTAR SEUS SONHOS PROFISSIONAIS COM BOLSAS DE ESTUDO EM UNIVERSIDADES NO EXTERIOR.

Esta “vakinha” foi a saída que encontramos para não deixar esta proposta morrer, pois é a única forma de vermos a Olimpíada de Biologia acontecer. É com sua “pequena” contribuição que chegaremos ao valor necessário para a realização da mesma.

ACREDITE NA EDUCAÇÃO, POIS UM DIA ELA MUDARÁ O BRASIL!

Cordialmente,

Leila dos Santos Macedo
Educadora, Pesquisadora e Presidente da ANBio
www.anbiojovem.org.br

Em e-mail anterior, a associação divulgou ainda outra forma de auxílio, pensando especialmente em empresas que possam contribuir com valores um pouco mais elevados ou mesmo de se dispor a “adotar” um estudante brasileiro que tenha sido selecionado para participar da versão internacional da olimpíada. Segue a mensagem:

A Associação Nacional de Biossegurança – ANBio, organizadora oficial da Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB) há 10 anos, diante da iminência dos estudantes brasileiros não poderem participar da Olimpíada Internacional de Biologia e da Olimpíada Ibero-Americana de Biologia este ano, devido não ter recebido apoio do Governo, lança CAMPANHA APOIE UM ESTUDANTE AMANTE DA BIOLOGIA! A campanha visa possibilitar a ida de estudantes selecionados durante a competição nacional (OBB), para as competições internacionais que serão na Indonésia e a Ibero-Americana no México.

“Durante esses 10 anos que participamos da Olimpíada Internacional de Biologia já trouxemos 30 medalhas para o Brasil . Cada vez mais temos participação de estudantes provenientes de escolas públicas nessas competições (cerca de 60%). Isto mostra a importância para a educação e o papel social da OBB. Mesmo assim é lastimável ver que o Governo não considera a Olimpíada de Biologia como prioritária e importante para o país”- lamenta a Dra. Leila Macedo, Presidente da ANBio. “Até agora só contamos como o apoio da FAPERJ que dará apenas para cobrir parte das despesas da fase nacional. Mais de 43 países já confirmaram a participação e até a Argentina nossa vizinha estará presente. Considero isto um retrocesso e uma vergonha para o país.”, afirma Leila.

O Conselho Federal de Biologia (CFBio) apoia a OBB e a considera fundamental para o fortalecimento e estímulo das Ciências Biológicas.

Os patronos da OBB poderão ter quotas de participação Ouro, Prata ou Bronze. Dentre as contrapartidas a empresa poderá abater parte da doação do seu imposto de renda. Saiba mais sobre como participar enviando mensagem para:
Email: olimpiadas@anbio.org.br.

APOIE ESTA INCIATIVA EM PROL DE UM FUTURO MELHOR PARA A EDUCAÇÃO NESTE PAÍS!

Escrevi para o e-mail supra referido e obtive as seguintes informações complementares de Cecília Lamêgo Pinho, da Secretaria Executiva da Olimpíada Brasileira de Biologia:

As doações (pessoa jurídica) são em cotas. Cota ouro R$ 15 mil; Cota Prata R$ 10 mil e Cota Bronze R$ 5 mil. Cada uma dessas dá direito a algumas vantagens (as vantagens constam no site). Esse tipo de doação vai diretamente para a conta da ANBio, que é a instituição executora da OBB e será utilizada durante todo o período da competição.

A empresa/instituição também pode “apadrinhar” um aluno. Na terceira fase da OBB, os 10 primeiros colocados virão ao RJ para o treinamento prático para se prepararem para as Olimpíadas Internacionais, que nesse ano serão em Bali e no México. A empresa pode apadrinhar um desses alunos, patrocinando toda a estadia no RJ, e a viagem para o exterior.

A OBB precisa arrecadar cerca de R$ 270 mil reais para que possa acontecer.

E então, vamos ajudar?

o tempo na vida

Julho 12, 2013 § Deixe um comentário

O Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos da USP, capitaneado pelo Prof. Menna-Barreto, vem desenvolvendo um projeto muito bacana de feira de ciências. O tempo na vida difunde os conceitos da Cronobiologia para que professores possam introduzi-los no currículo escolar. A iniciativa é bastante interessante, posto que a Cronobiologia – “que propõe uma leitura da organização dos seres vivos sob uma dimensão temporal” –  tem um corpo de conhecimentos bem estruturado desde a segunda metade do século passado, mas ainda não ganhou espaço nos livros didáticos e dos currículos escolares em geral.

O vídeo abaixo traz a fala do Prof. Menna-Barreto explicando um pouco do funcionamento do projeto entremeada com cenas da animação interativa Família Dias, desenvolvida pelo grupo. Na animação, o espectador pode selecionar um membro da família para acompanhar suas atividades diárias, dissecando seu ritmo dentro do ciclo vigília-sono.

O projeto ainda cuidou da elaboração de uma apostila e mapas conceituais específicos para cada segmento de ensino, tudo disponibilizado para download. Ótima dica para os professores de ciências, biologia e curiosos em geral fornecida Felipe Beijamini, que também trabalha na área de Cronobiologia e comanda o excelente blog Sonhos do Neuro.

Para saber um pouco mais sobre Cronobiologia e como são feitas pesquisas na área, não deixe de ler essa entrevista com a Verônica Valentinuzzi, cronobióloga de primeira com quem tive o prazer de trabalhar durante a pós-graduação!

potências de 10

Julho 7, 2013 § Deixe um comentário

Anteontem conheci a Casa da Imagem, integrante do Museu da Cidade aqui de Sampa, e fui agradavelmente surpreendida pela exposição Potências de 10. Trata-se de um trabalho do artista Marcelo Moscheta a partir do documentário Powers of Ten (1977) de Ray e Charles Eames.

O documentário é um passeio por diferentes magnitudes: a cada 10 segundos de filme aumentamos ou reduzimos 10 vezes a escala de observação de forma a ir das fronteiras de nossa galáxia até o próton de um átomo de carbono de uma molécula de DNA de um glóbulo branco humano. Veja você mesmo:

O artista se inspirou neste documentário para produzir um ensaio sobre a relatividade das escalas do universo em frações de 10. As imagens, montadas como pranchas de ilustração científica, estão dispostas num impresso em formato tabloide que é fornecido aos visitantes. Um belo material para trabalho com escalas e ótimo ponto de partida para trabalho multidisciplinar envolvendo matemática, geografia, biologia, física e fotografia!

Marcelo_Moscheta_-_Potencia_de_10 ***

Aproveitando o tema, há uma ferramenta fantástica para visualização de diferentes objetos em diferentes escalas elaborado pela Universidade de Utah: Cell size and scale. O prof. Carlos Hotta, do IQ-USP, escreveu sobre a ferramenta e traduziu para o português cada objeto nela utilizado.

Outros links com ótimas ferramentas para visualização de objetos em diferentes escalas:

quatro heranças

Maio 26, 2013 § Deixe um comentário

É sempre difícil encontrar, ainda mais em português, um filme sobre pesquisas científicas que apresente as informações conceituais de maneira correta e contextualizada e utilizando uma linguagem acessível (mas sem alguns dos vícios da divulgação mais “preguiçosa”, como a eterna comparação de tamanho de qualquer coisa grande com X campos de futebol…). Assim, é um prazer contar com vídeos como o “Quatro heranças”, sobre genética médica populacional.

Além de explicar os princípios básicos desse campo de estudos, parte para a prática com quatro exemplos brasileiros de pesquisa na área em partes diferentes do país, abordando e conceituando diferentes condições genéticas, como gemelaridade e doenças de transmissão hereditária, e também os processos de pesquisa médica e científica. Mais que um excelente material para uso em aula para aprendizado a respeito dos diferentes mecanismos de herança, é um belo exemplo de divulgação científica de qualidade!

Emendando com a história da “terra dos gêmeos” no final do filme, que explica o conceito genético de “efeito fundador”, vale a pena ver também, da mesma produtora, o filme “Efeito Fundador”, que conta a história da formação do Departamento de Genética da UFRGS, que percorre a história da genética no Rio Grande do Sul e no Brasil.

Where Am I?

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