a educação científica pede socorro

Março 2, 2014 § 9 comentários

No início do ano, participei dos eventos paralelos da exposição Túnel da Ciência, organizada pelo Instituto Max Planck. Uma das palestras foi proferida pelo Prof. Ildeu de Castro Moreira, físico da UFRJ e que já foi diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia, associado à pasta do MCTI a partir de 2004. Em sua fala, Ildeu destacou eventos de amplitude nacional, como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e as diversas Olimpíadas Científicas, como iniciativas fundamentais para a educação científica e a popularização da ciência entre jovens. Concordo completamente com ele. Especialmente no âmbito do ensino médio, essas atividades são raras oportunidades de cativar os jovens para a carreira científica, que pesquisas anteriores já demonstraram estar em situação crítica no Brasil. É por isso que fiquei muito tristemente surpresa com a dificuldade que algumas olimpíadas científicas brasileiras têm tido para seguir adiante.

Primeiro foi a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica que pediu socorro: organizou uma vaquinha virtual para conseguir comprar um planetário digital que muito ajudará na capacitação de professores e alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo é chegar em R$50 mil e pouco menos da metade já foi conseguido. Agora é a Olimpíada Brasileira de Biologia que lança mão de recurso similar. Após a negação do CNPq para apoio ao evento, a OBB está arriscada a não ocorrer e justamente quando completaria 10 anos! Por isso, a organização do evento, feita pela ANBio, pede a colaboração de todos. Replico abaixo o e-mail recebido:

OLIMPÍADA BRASILEIRA DE BIOLOGIA (OBB) PEDE APOIO PARA PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES

Este ano recebemos com grande surpresa e indignação a negativa de apoio do CNPq, órgão gestor do orçamento das Olimpíadas do conhecimento no país, ao nosso projeto para realizar a próxima edição da Olimpíada Brasileira de Biologia, quando estaremos completando 10 anos da competição. Sem este apoio não teremos como realizar a OBB e consequentemente nossos estudantes não poderão participar da XXV Olimpíada Internacional de Biologia que será realizada na Indonésia, nem na Ibero-Americana no México, depois de 10 anos de sucesso trazendo mais de 30 medalhas para o Brasil.

Diante da falta de recursos, lançamos uma campanha de doações, onde poderão participar professores, alunos, diretores, escolas, incentivadores da educação, sócios da ANBio e público em geral, com o intuito de tornar possível a realização deste projeto de grande impacto para a Educação, Ciência e Tecnologia em nosso país. Iniciamos a campanha de doações em 25 de fevereiro e encerraremos no dia 25/05/2014.

A forma que encontramos para receber essas doações, via boleto bancário ou cartão de crédito, foi através do site www.vakinha.com.br. Por favor, façam suas doações e nos ajudem a divulgar a todos os seus colegas e conhecidos, através de suas redes sociais, listas de emails, instituições de trabalho, rodas de conversa, etc.

Para realizar a doação, basta acessar o site www.vakinha.com.br, digitar OLIMPÍADA BRASILEIRA DE BIOLOGIA na linha de busca e seguir as instruções, ou então, ir direto no setor de doações http://www10.vakinha.com.br/VaquinhaE.aspx?e=255207 e clicar no botão “Contribua já”.

Toda doação será revertida para possibilitar o treinamento dos estudantes e para apoio das viagens da Equipe Olímpica de Biologia à Indonésia e ao México.

SEM O SEU APOIO NÃO TEREMOS COMO CONTINUAR ESTE PROJETO QUE JÁ PERMITIU A VÁRIOS ESTUDANTES EM 10 ANOS CONQUISTAR SEUS SONHOS PROFISSIONAIS COM BOLSAS DE ESTUDO EM UNIVERSIDADES NO EXTERIOR.

Esta “vakinha” foi a saída que encontramos para não deixar esta proposta morrer, pois é a única forma de vermos a Olimpíada de Biologia acontecer. É com sua “pequena” contribuição que chegaremos ao valor necessário para a realização da mesma.

ACREDITE NA EDUCAÇÃO, POIS UM DIA ELA MUDARÁ O BRASIL!

Cordialmente,

Leila dos Santos Macedo
Educadora, Pesquisadora e Presidente da ANBio
www.anbiojovem.org.br

Em e-mail anterior, a associação divulgou ainda outra forma de auxílio, pensando especialmente em empresas que possam contribuir com valores um pouco mais elevados ou mesmo de se dispor a “adotar” um estudante brasileiro que tenha sido selecionado para participar da versão internacional da olimpíada. Segue a mensagem:

A Associação Nacional de Biossegurança – ANBio, organizadora oficial da Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB) há 10 anos, diante da iminência dos estudantes brasileiros não poderem participar da Olimpíada Internacional de Biologia e da Olimpíada Ibero-Americana de Biologia este ano, devido não ter recebido apoio do Governo, lança CAMPANHA APOIE UM ESTUDANTE AMANTE DA BIOLOGIA! A campanha visa possibilitar a ida de estudantes selecionados durante a competição nacional (OBB), para as competições internacionais que serão na Indonésia e a Ibero-Americana no México.

“Durante esses 10 anos que participamos da Olimpíada Internacional de Biologia já trouxemos 30 medalhas para o Brasil . Cada vez mais temos participação de estudantes provenientes de escolas públicas nessas competições (cerca de 60%). Isto mostra a importância para a educação e o papel social da OBB. Mesmo assim é lastimável ver que o Governo não considera a Olimpíada de Biologia como prioritária e importante para o país”- lamenta a Dra. Leila Macedo, Presidente da ANBio. “Até agora só contamos como o apoio da FAPERJ que dará apenas para cobrir parte das despesas da fase nacional. Mais de 43 países já confirmaram a participação e até a Argentina nossa vizinha estará presente. Considero isto um retrocesso e uma vergonha para o país.”, afirma Leila.

O Conselho Federal de Biologia (CFBio) apoia a OBB e a considera fundamental para o fortalecimento e estímulo das Ciências Biológicas.

Os patronos da OBB poderão ter quotas de participação Ouro, Prata ou Bronze. Dentre as contrapartidas a empresa poderá abater parte da doação do seu imposto de renda. Saiba mais sobre como participar enviando mensagem para:
Email: olimpiadas@anbio.org.br.

APOIE ESTA INCIATIVA EM PROL DE UM FUTURO MELHOR PARA A EDUCAÇÃO NESTE PAÍS!

Escrevi para o e-mail supra referido e obtive as seguintes informações complementares de Cecília Lamêgo Pinho, da Secretaria Executiva da Olimpíada Brasileira de Biologia:

As doações (pessoa jurídica) são em cotas. Cota ouro R$ 15 mil; Cota Prata R$ 10 mil e Cota Bronze R$ 5 mil. Cada uma dessas dá direito a algumas vantagens (as vantagens constam no site). Esse tipo de doação vai diretamente para a conta da ANBio, que é a instituição executora da OBB e será utilizada durante todo o período da competição.

A empresa/instituição também pode “apadrinhar” um aluno. Na terceira fase da OBB, os 10 primeiros colocados virão ao RJ para o treinamento prático para se prepararem para as Olimpíadas Internacionais, que nesse ano serão em Bali e no México. A empresa pode apadrinhar um desses alunos, patrocinando toda a estadia no RJ, e a viagem para o exterior.

A OBB precisa arrecadar cerca de R$ 270 mil reais para que possa acontecer.

E então, vamos ajudar?

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§ 9 Responses to a educação científica pede socorro

  • Tati,
    td bem?
    Sabe que sou muito pé atrás com essas Olimpíadas….
    Será que não é um estímulo, desnecessário, à – já tão estimulada – competição precoce? Sabe que algumas escolas aliciam e ´compram o passe´ de alunos que vão bem nas Olimpíadas para propagandear a qualidade do ensino da instituição… sabemos, professores, que não é bem assim….
    A ANBio (Bio de Biosssegurança…) fazendo avaliação de estudantes? Sabe que a SBENBio (Associação Brasileira de Ensino de Biologia) que reúne professores (da ed básica e tb universitária) e pesquisadores no assunto, nunca foi favorável á esta iniciativa… (ver em http://www.docstoc.com/docs/107587905/SOCIEDADE-BRASILEIRA-DE-ENSINO-DE-BIOLOGIA-%EF%BF%BD-SBEnBio—DOC e https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/sbenbio/conversations/topics/7751 algumas discussões do passado)
    Sei lá, educação científica não é corrida né Tati? Tem muitas outras formas de estimula-la e Olimpíadas me cheira tecnicismo dos 70, busca por gênios, Nobel…
    Bjs radicais!
    Luiz

    • trnahas diz:

      Oi, Luiz! Concordo que educação científica não é corrida, por isso não deve ser centrada somente neste tipo de iniciativa. Mas as olimpíadas do conhecimento tem cativado muitos jovens para a carreira científica e, portanto, contribuído sobremaneira para a divulgação da ciência entre eles e, principalmente, para apresentar a ciência como uma carreira possível. Obviamente não é a única forma de se fazer isso, mas acho que é um complemento importante. Ainda que parte da competições seja um pouco deturpada, como você falou, com algumas escolas “mascarando” a seleção de alunos (coisa que sempre aconteceu, por exemplo, no envio dos alunos para prestar o ENEM). Mas isso são imprecisões que precisam ser corrigidas, mas que não justificam a eliminação do concurso por isso. Até porque não são todas as escolas que fazem isso, inclusive porque muitos dos premiados são oriundos de escolas públicas (mais uma razão para valorizar esse tipo de iniciativa: o aluno acaba tendo chance de se destacar, de conhecer outras pessoas e outros países, de ser requisitado por instituições de pesquisa de peso, como o IMPA – me refiro ao de matemática, que já recrutou pessoas dessa forma).
      Sobre o fato de ser a Anbio a organizadora das Olimpíadas de Biologia, sempre achei isso muito estranho, especialmente se compararmos com quais são as instituições organizadoras das olimpíadas das outras áreas, mas se outras instituições de Bio optaram por não organizar, acho bacana que alguma tenha tomado a iniciativa…
      Obrigada pelo link, vou ler com carinho os comentários e refletir melhor sobre essa discussão!

  • Tem algum estudo que analise o efeito das olimpiadas (não uso olimpíadas, com acento, porque o COI fica ressabiado) de conhecimento? Os alunos que ganham tornam-se profissionais mais destacados do que os que não ganham? Depois da implantação dos torneios, há um número maior de interessados na área?

    []s,

    Roberto Takata

    • trnahas diz:

      Roberto, não conheço nenhum estudo acadêmico sobre isso. De qualquer forma, duvido que haja essa relação de alunos ganhadores se tornarem profissionais mais destacados do que os que não ganharam e/ou não participaram. Acho que é mais uma coisa de despertar o interesse pela área, mostrar como um dos caminhos possíveis de atuação profissional. Além disso, é uma forma de premiar/ valorizar o conhecimento. A gente está acostumado a ver o desempenho em diferentes esferas sendo valorizado, inclusive por meio de competições, mas não o conhecimento (ou muito pouco o conhecimento)…
      Ou seja, certamente seria bom fazer algum estudo para responder de maneira mais objetiva essas suas questões, mas acho que também se trata de algo para além dos números, ou algo que mesmo que os números sejam pequenos, vale a pena – se 5 alunos (tô inventando um número qualquer, propositadamente pequeno) se interessarem por ciência a partir disso, será que não vale a pena?
      O que sei de dados a serem explorados são entrevistas com os ganhadores e os finalistas em que sempre contam um pouco como foi o processo, que os alertou pra competição, como se prepararam o que acham que aprenderam, o que planejam daí em diante etc. São relatos emocionantes e que me fazem responder com um sim à questão anterior.
      Por fim, talvez nos links indicados pelo Luiz no comentário anterior tenha referência a alguma pesquisa assim, ainda não tive tempo de olhar as discussões lá.
      Abração!

    • Tati e Roberto,

      conversei sobre o assunto com um colega aqui da UFSM que colabora com a Olimpiada de Física e que orienta alunos com enfoque nestas atividades. Um deles, Lucas Ramos, me escreveu a seguinte msg:

      Olá, Prof. Luiz,
      conforme conversamos, envio em anexo um trabalho (tese) sobre a relação entre participação de alunos nas olimpíadas científicas e escolha de carreira científica ou tecnológica. E realmente existe essa relação, como constata-se num trecho retirado do abstract da tese a seguir:

      “The qualitative and quantitative data clearly showed that Science Olympiad had an impact on the career choices of participants. The qualitative data showed that participants gained an increased level of learning and interest in science and STEM areas, 21″ century skills. and overall positive benefits as a result of being involved. The qualitative data was almost exclusively positive. The quantitative data however, did not capture the significance of each researched category that the qualitative anecdotal evidence depicted. The data showed that females were engaged in STEM (Science, Technology, Engineering, and Mathematics) areas when involved in Science Olympiad.”

      Adendos:

      – Eu encontrei essa tese há alguns dias. Ainda não a li toda, e não verifiquei a coerência e confiabilidade dos resultados.

      – Não encontrei nenhum artigo da autora da tese sobre esse assunto das olimpíadas. Parece haver apenas a tese como fonte;

      – A palavra “anecdotal”, utilizada no texto, não é sinônimo de piada, mas significa que as conclusões (qualitativas) não tem comprovação experimental.

      Qualquer comentário, sinta-se a vontade para enviar-me.

      Abraços

      Lucas


      Atenciosamente,
      Lucas Ramos Vieira
      Doutorando em Educação em Ciências (UFSM)

      A tese a que ele se refere foi apresentada em 2011 na Seton Hall University de N.Jersey e está disponível em:

      http://scholarship.shu.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1014&context=dissertations

      Se alguém se animar a ler, poderiamos expandir a discussão.
      Abs saudosos,
      Luiz

  • Não tenho acesso (não tem nem resumo), mas talvez tenha alguma informação útil ao tema:

    Abernathy & Vineyard 2001. Academic competitions in science: what are the rewards for students? The Clearing House vo. 74(5)
    http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00098650109599206
    ———————-

    []s,

    Roberto Takata

  • trnahas diz:

    Alguns dados mais, esses qualitativos, um pouco na linha do que disse que já tinha visto na resposta ao comentário anterior do Roberto: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.php?id=92150

  • Texto de Mensagem há Instantes Enviada à Associação Nacional de Biossegurança

    Boa noite, prezados senhores e senhoras. Graça, bem, paz, sabedoria e vida em plenitude.
    Caso haja uma movimentação compatível de vendas do meu livro sobre a Bíblia, em virtude de cujas receitas há geração de recursos assistenciais também para a Educação (em particular equipamentos de escolas e bolsas de estudo universitárias e técnicas especializadas), com a venda do estoque remanescente da Edição do Jubileu (6000 exemplares ao custo individual de R$44,90) ASSEGURO A TODOS OS INTERESSADOS QUE O ADQUIRIREM SATISFATORIAMENTE NESTE INTUITO que as Iniciativas T.S. SAL bancarão integralmente o orçamento previsto para financiamento das OBB 2014 pelo CNPq.
    Caso tenham interesse em implementar a campanha de venda das 6000 unidades em estoque cuja renda líquida possibilitará o apoio acima desde já assumido para todos os fins de Direito, podem iniciar a divulgação que eu garanto o resultado. Isto é coadunado com as diretrizes que temos para corresponder às populações adquirentes de nossa publicação em apreço.
    [comentário editado para remoção de propaganda]
    Com meus melhores votos de amizade, apreço e realizações, desejando a todos uma abençoada Quaresma, par Páscoa e excelente Olimpíada 2014, firmo-me
    Cordialmente,
    Tarcísio Santos de Salles, Iniciativas T.S. SAL, Diretor Geral
    [comentário editado para remoção de propaganda]

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