arte e ciência a la da Vinci

Julho 14, 2011 § Deixe um comentário

Lendo as notícias recentes sobre o que esta rolando na 63a. Reunião da SBPC, soube hoje que houve uma conferência sobre ilustração científica por lá, proferida pela bióloga e ilustradora Diana Carreiro.

Fiquei bem contente porque tenho apreço pelo tema ao qual, como ressaltou a palestrante, não costuma se dar muita importância em centros universitários e/ou reuniões científicas. Mas qualquer um que já escreveu (ou mesmo só usou como fonte de estudo) um material didático e/ou de divulgação científica sabe da dificuldade de encontrar um ilustrador científico que não seja um copista e, ainda por cima, de baixa qualidade.

Ultimamente venho me deparando com ótimos redutos da ilustração científica na web. Dois já viraram post por aqui (o paraíso virtual das ilustrações científicas ; de encher os olhos!) e acabo de esbarrar em mais um.

A australiana Susan Dorothea White se especializou em desenhos da anatomia humana inspirada pelos magníficos estudos de Leonardo da Vinci. Além de conseguir produzir belas ilustrações em quadro negro e giz, como as  imagens abaixo (Michelangelo’s David anatomized), elaborou um livro que é uma espécie de guia de ilustração científica chamado Draw Like Da Vinci (2006).

[Clique no “Davi frente e verso” para ver os desenhos em seu contexto original e acessar uma galeria das ilustrações de Susan]

É vendo belos exemplos como o de Susan e os demais apontados nos posts anteriores que me pergunto porque há essa mania em dissociar ciência de arte, educação de arte, etc de arte. Por que a arte tem que ser circunscrita a um site de arte, a um livro de arte, a uma exposição de arte? Por que não posso ter beleza enquanto aprendo e/ou ensino, por exemplo, ciência?

Lembro do privilégio que foi ter tido parte das aulas de zoologia dos invertebrados com o já falecido professor Osmar Domaneschi. Confesso que o tema das aulas em si não me eram muito atraentes (moluscos…), mas os desenhos maravilhosos que ele fazia na lousa eram um espetáculo. E com que clareza permitiam a compreensão das mais esquisitas estruturas de que falava!

A ilustração científica não pode ser disciplina obrigatória, mas deve ser oferecida nas instituições de modo interdepartamental, uma vez que abrange áreas diversas como Botânica, Medicina, Zoologia, Paleontologia, Biologia. Ela deve formar profissionais que tenham acuidade representativa, precisão, expressão, clareza, harmonia no espaço gráfico e senso estético,

explicou Diana em sua conferência (segundo relato do Jornal da Ciência). Convencida de que materiais mais belos e elucidativos da beleza inerente à ciência facilitam muito o aprendizado, concordo plenamente!

[Só que agora pós Osmar e Susan não me arrisco mais a desenhar sequer um quadrado na lousa para os meus alunos em sala de aula… E viva os slides!]

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