cientometria e informetria em três atos – parte II

Julho 7, 2011 § 5 comentários

Ato II: a cientometria e a informetria [por Sibele Fausto*]

A Cientometria e a Informetria (incluindo a novíssima Webometria) são as vertentes mais recentes no cenário de expressiva expansão dos estudos métricos da informação, iniciados no século XIX e sistematizados a partir do século XX, com o uso de métodos estatísticos e matemáticos no mapeamento de informações em registros bibliográficos de documentos (livros, periódicos, artigos), para fins de gestão de bibliotecas e bases de dados, sob a denominação Bibliometria [1].

Tais métodos bibliométricos [2], baseados majoritariamente no número de publicações e na contagem de citações, ainda são alvo de intensos questionamentos na área, criticando principalmente as fontes restritas (leia-se: bases de dados como a Web of Knowledge – novo nome da antiga ISI após sua compra pela Thomson-Reuters) onde são coligidos os dados que subsidiam essas metrias, que não consideram a produção científica mundial de uma forma ampliada e compreensiva, além de desconsiderar as especificidades dos diversos contextos de pesquisa nos diferentes países, e mesmo as distinções próprias da pesquisa em básica e aplicada.

Aliás, a origem do próprio termo Bibliometria é alvo de questionamentos, com alguns pesquisadores atribuindo-a à Allan Pritchard e outros, a Paul Otlet, deixando entrever o viés linguístico fortemente ancorado no idioma inglês [3], e mesmo a origem da Cientometria, a “ciência da ciência”, gera controvérsias, com autores atribuindo sua origem na antiga URSS, nos anos 60, com o nome de “naukometrija”, sendo Nalimov e Mulchenko os primeiros autores a trabalhar com essa disciplina, seguidos de Dobrov e Karennoi (numa publicação do All-Union Institut for Scientific and Technical Information, em 1969), outros atribuindo sua origem a J.D. Bernal (com a obra The Social Function of Science, de 1935) e havendo certo consenso sobre o pioneirismo de Derek John de Solla Price, com a obra Little Science, Big Science, de 1963, como um dos fundadores da nova disciplina, ao sistematizar idéias já existentes sobre análises estatísticas da bibliografia científica. Inclusive, o próprio termo Cientometria também não é consenso, observando-se o emprego frequente de Cienciometria [4].

O crescimento da área deve-se em boa parte ao surgimento de tecnologias facilitadoras de extração, modelagem, tratamento e análise de grandes quantidades de dados de naturezas diversas, tanto numéricos/estatísticos como linguísticos, expandindo os estudos da ciência para além da bibliometria e fazendo surgir novas metodologias de pesquisa, e mesmo novos termos, como a Informetria (Informetrics), num modelo mais recente que apreende os aspectos cognitivos da informação.

Nessa edição 2011 da ISSI, o programa deixa perceber a expansão das temáticas abordadas, ultrapassando os estudos bibliométricos tradicionais baseados em revistas e em citações:

  • Análise de periódicos (Journal Analysis);
  • Campos Emergentes (Emerging Fields);
  • Carreira Acadêmica (Academic Careers);
  • Ciência & Tecnologia & Inovação (Science & Technology & Innovation);
  • Colaboração (Collaboration);
  • Estudos Disciplinares (Disciplinary Studies);
  • Estudos de Gênero (Gender Studies);
  • Estudos Nacionais (National Studies);
  • Financiamento de Pesquisas (Funding Studies);
  • Fontes de Dados (Data Sources);
  • Mapeamento/Agrupamento (Mapping/Clustering);
  • Metodologia (Methodology);
  • Novos Desenvolvimentos (New Developments);
  • Redes e Visualização (Networks and Visualization);
  • Revisão por Pares (Peer-Review);
  • Webometria (Webometrics).

Esse cenário de crescimento expressivo dos estudos de Bibliometria, Cientometria e Informetria cria novas oportunidades e desafios fascinantes, para todas as áreas. A sua, inclusive!

Em tempo:  Para acompanhar a ISSI 2011, acesse o blog Cadernos de Tecnologia Social, do doutorando em CI na ECA-USP Dalton Martins – ele está reportando tudo!

Referências:

[1] SANTOS, R.N.M., & KOBASHI, N.Y. (20101). Bibliometria, cientometria, infometria: conceitos e aplicações Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, 2 (1), 155-172 Other: 1983-5116

[2] VANZ, S. A. S., & STUMPF, I. R.C. (2010). Procedimentos e ferramentas aplicados aos estudos bibliométricos Informação & Sociedade: estudos, 20 (2), 65-75 Other: 1809-4783

[3] FONSECA, E.N. (1973). Bibliografia Estatística e Bibliometria: uma reivindicação de prioridades. Ciência da Informação, 2 (1), 5-7 Other: 1518-8353

[4] STUMPF, I. R. C.; CAREGNATO, S.; VANTI, N.; VANZ, S.A.; CORRÊA, C.; CRESPO, I.M.; GALDINO, K.; GOMES, J. Uso dos termos Cienciometria e Cientometria pela comunidade científica brasileira. In: PLOBACIÓN, D. A.; WITTER, G.P.; MODESTO DA SILVA, J.F. (Org.). Comunicação & Produção Científica: contexto, indicadores e avaliação. São Paulo: Angellara, 2006, p. 343-369.

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* Como dito, este texto foi escrito por Sibele Fausto, bibliotecária pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e curiosa sobre Cientometria.

Adicionei os diagramas acima para ilustrar as discussões que vêm sendo travadas sobre a abrangência destas áreas. Fontes dos originais: 1, 2 e 3.

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§ 5 Responses to cientometria e informetria em três atos – parte II

  • Gilson Volpato diz:

    Qualquer forma de medida da atividade humana será sempre incompleta… mas nem por isso desnecessária. Mas as ideologias subjacentes devem sempre ser incluídas nas análises.

    • trnahas diz:

      Caro Prof. Gilson,
      que enorme prazer em receber sua visita por aqui!
      Um respeitoso abraço,
      Tatiana

      • Gilson Volpato diz:

        Belo texto Tatiana. Obrigado por nos propiciar essa informações. Será um prazer estar por perto desses assuntos.
        Abraços,
        Gilson

        • trnahas diz:

          Sem dúvida tema de grande relevância e, infelizmente, ainda sem a devida ênfase nos meios de divulgação científica!
          O texto, porém, não é meu. Convidei a Sibele Fausto para este post como continuidade da nossa parceria iniciada no trabalho que será exposto no próximo post e por ser ela uma estudiosa da área (embora ela modestamente prefira se colocar como curiosa :)
          Abraços!

        • Sibele diz:

          Prof. Gilson!

          “Belo texto”??? Isso, vindo de um especialista em redação científica é uma glória!!!

          Obrigada pela presença e seja muito bem-vindo! :)

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