biogás + alumínio + ferro-gusa + jato de plasma superaquecido + telhas de Tetra Pak = Dia da Terra em São Paulo

Abril 22, 2011 § 1 Comentário

Hoje é o Dia da Terra. Se você é leitor usual deste blog, já deve ter notado que não costumo fazer referência a essas datas. Embora entenda a ideia por detrás delas (chamar a atenção para a importância do tema etc), penso que se tratam, na maior parte das vezes, de ações panfletárias inócuas. Com tantos “dias da Terra”, “dias da árvore”, “dias do meio ambiente”, “dias da água” e por aí vai, as pessoas acabam não levando a sério nenhum deles e, pior, nem a ideia que supostamente estaria embutida na celebração.

Assim, normalmente não dedicaria um post a um desses dias. E de fato não o farei também hoje. Mas é que por conta da comemoração que se faz do Dia da Terra, a NatGeo reexibiu há pouco (e repetirá algumas vezes mais nos próximos dias) um programa muito bacana, este sim tema do post. Trata-se do Megacidades: São Paulo.

A série Megacidades foi produzida há um par de anos com o intuito de mostrar “os órgãos vitais chave para sobrevivência de algumas megacidades”: Cidade do México, Hong Kong, Mumbai, Londres, Paris, Nova York, Las Vegas e São Paulo. Linhas de energia, sistemas de transporte, suprimentos de água, controle de tráfego aéreo e muitos outros bastidores dessas megacidades são abordados por meio de “uma narrativa dramática, acesso sem precedentes aos locais e o uso de computação gráfica de última geração”. A cara da Nat Geo, ou seja, imagens excelentes um tanto estragadas por uma narração, digamos, superlativa.

Não assisti aos demais programas da série, mas ao menos o sobre São Paulo vale a pena! A sequência toda é ótima e mostra soluções inovadoras desenvolvidas por diversas empresas em São Paulo para lidar com os cerca de 14 milhões de toneladas de lixo geradas diariamente na cidade.

A “mensagem” do programa é que São Paulo “encontrou tesouro em seu lixo”. Lixo orgânico vira gás metano que vira eletricidade no Aterro Bandeirantes (na verdade, virava na época em que foi feito o programa, porque hoje esse aterro já atingiu sua capacidade máxima). Antigos sobreviventes de restos de lixo recolhidos dos antigos lixões transformaram-se em catadores de materiais recicláveis. Ferro-gusa vira aço puro. Resíduos de plástico e alumínio de embalagens Tetra Pak viram telhas ecológicas. E por aí vai.

Alguns números apresentados no programa dão conta desta “mensagem”:

  • 1 tonelada de lixo orgânico em decomposição = 200 toneladas de gás metano = energia elétrica para abastecer uma casa por 1 hora;
  • 74 latinhas de alumínio recolhidas = 1 almoço para o catador;
  • 7 toneladas de latinhas usadas = 6,3 toneladas de alumínio reciclado;
  • 1 embalagem de Tetra Pak = 6 camadas de papel, plástico e aluminio difíceis de serem separados e, portanto, difícies de serem reaproveitados. Mas após o recém criado método de reciclagem com jato de plasma superaquecido, 1 embalagem de Tetra Pak = papel reciclado para compor embalagens de papelão + gás obtido a partir do plástico para ser transformado em parafina + alumínio para os mais diversos usos, inclusive latinhas de bebidas.

É bem interessante ver um “olhar estrangeiro” sobre sua cidade. Acho que quando vemos programas do tipo sobre outras cidades, temos a impressão de estarmos diante do lugar mais magnífico do mundo. E quando estamos vendo algo do tipo sobre a cidade em que vivemos, sabemos que não é bem assim e, então, conseguimos dar o devido desconto pro maravilhamento enviesado da reportagem.

Mas não estou com isso querendo diminuir os méritos do programa! Que, aliás, fecha bem a narrativa reforçando diretamente a tal mensagem do tesouro que vem do lixo ao afirmar que São Paulo vem lidando muito bem com o mais potente dos combustíveis: o dinheiro. A ideia é que o combo preservação ambiental, reuso, fontes alternativas de energia e cia só começou a funcionar quando foi montada uma verdadeira cadeia produtiva em torno da reciclagem. Quando a sustentabilidade ambiental dá dinheiro, a coisa funciona!

Clique na imagem que abre este post para assistir ao episódio na íntegra. E para saber mais sobre os temas mencionados, consulte:

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