os seres mais antigos do mundo

Setembro 18, 2010 § 6 comentários

Nesta última quinta feira ganhei de um aluno uma dessas perguntas que engasgam o professor ao mesmo tempo que o enchem de orgulho: por que as plantas podem viver milênios e os animais não?

E qual não foi minha surpresa ao encontrar essa ótima TED Talk num sábado de navegação pela web: The world’s oldest living things. A palestra é proferida por Rachel Sussman, que ao longo dos últimos 5 anos tem viajado ao redor do mundo com o intuito de registrar a resilência da vida identificando e fotografando seres vivos com mais de 2 mil anos de idade.

Achei a proposta fantástica! O trabalho, que como ela mesma classifica “é metade arte e metade ciência”, tem o dom de nos fazer refletir sobre o tempo, esse nosso eterno inimigo (será?).

E Ariel estava coberto de razão: dentre os matusaléns espalhados pelo mundo há muitas plantas, um fungo, uma super bactéria congelada em permafrost e apenas um animal (um coral de 2 mil anos de idade, um dos mais jovens da turma, localizado na costa de Tobago).

A beleza inusitada do trabalho de Sussman vem acompanhada de um alerta triste: muitos desses seres milenares agora estão sob ameaça. Por exemplo, a actinobactéria que já vive há 500 mil anos poderá ser eliminada por conta do aquecimento global se a camada de permafrost siberiano derreter!

Aprecie e reflita:

E a resposta para a dúvida, como fica? Bem, eu só sei sobre os meristemas (aqui em imagens), as “células-tronco das plantas”, e gostaria muito de receber ajuda para uma resposta mais completa. Quem se habilita?

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§ 6 Responses to os seres mais antigos do mundo

  • Ver que seus alunos estão com dúvidas deste nível é um ótimo sinal.

    Já notei que as crianças pequenas são as que, na maioria das vezes, fazem as perguntas mais profundas. Mesmo perguntas simples, elas podem ser profundas. Mas parece que no caso que você descreveu o aluno já está bem crescido.

    A garotada maior, na fase adolescente, já está com a mente tão “encaminhada” na maneira de pensar, pois foram ensinados/treinados para isso, que suas perguntas são, em geral, bastante óbvias.

    Ótimo saber que você fomenta este tipo de discussão.

    Infelizmente não tenho resposta pra sua pergunta, mas também me deixou com a pulga atrás da orelha.

    Ótima dica de vídeo!

    Um grande abraço

    • trnahas diz:

      Oi, Alessandro!
      Obrigada pelo comentário!
      O aluno em questão é do médio. Mas você tem razão, algumas vezes acabamos formatando os alunos para os concetúdos que consideramos relevantes e não para o exercício da discussão… É uma meta que o professor deve sempre ter. Pra isso, um primeiro passo é deixar de lado sua vaidade, já que muitos não conseguem encarar como normal o fato de não terem as respostas para todas as dúvidas dos alunos. um comportamento que mina e relação e não contribui para a formação de nenhum dos lados.
      Abração!

  • JAMES COLEMAM ALVES diz:

    Sou Licenciado em Ciências Exatas, mas minha habilitação é em Física. Leciono Física, Matemática e Ciências em Escola Públicas do interior de São Paulo. Também fico maravinhado quando aparece esse tipo de contribuição de meus alunos. Obviamente, minha capacidade de responder a perguntas tão específicas é limitada, mas tenho ao menos alguns elementos que podem senão responder satisfatoriamente, ao menos ampliar a reflexão à respeito.
    Penso que o caminho para essa resposta possui duas linhas: o “ritmo” metabólico e a sucetibilidade ao oxigênio.
    O primeiro elemento é de mais fácil percepção pois, percebemos facilmente que os animais realizam muito mais atividades que os vegetais e, se pensarmos nos seres vivos como sistemas em que ocorre um fluxo de energia, esse fluxo é mais intenso nos animais.
    Quanto ao segundo elemento, assim entendo, está muito relacionado ao primeiro; é a interação entre o ser vivo e o oxigênio. Os animais respiram muito mais que as plantas e estão por isso sujeitos aos efeitos da oxidação (só não sei se caracterizam-se radicais livres em vegetais também, é outra pergunta!) que é o grande vilão dos seres animais.
    Nessa reflexão, cabe-me ainda levantar uma última questão que não me lembro de ter lido nada à respeito: quais os efeitos dos raios ultravioleta nas plantas? Refletindo sobre esses três elementos, ou teremos respondido satisfatoriamente à questão ou teremos um rico material para pesquisa!

    • trnahas diz:

      Oi, James!
      Sem dúvida um rico material para pesquisa!
      Interessante sua hipótese do gasto energético, mas não estou segura se os animais realizam mais atividades que os vegetais. Só a fotossíntese já é uma baita atividade… O mesmo para o processo de evaptraspiração. Também tem produção de pólen e néctar no caso das plantas com flores e condução de seivas no caso das trasqueófitas. Além dos movimentos vegetais (nastismos e tropismos). Não sei a contabilidade energética disso, menos ainda comparada com uma “média animal”. Vou ver se descubro essas informações em algum lugar.
      E sobre efeitos de radicais livres e raios ultravioleta em plantas… também preciso estudar!
      Obrigada pelo comentário, jogou água no gremlin aqui :)

      • JAMES COLEMAM ALVES diz:

        Nossa, realmente há momentos em que aprendemos com nossos alunos. Neste caso particular, aprendemos a refletir para além das informações já disponíveis nos livros-textos. Não parei de pensar nessa questão hoje. Inclusive, estive conversando com outros colegas professores de Biologia e de Ciencias. Refletimos bastante , já em casa, estava pensando em outro detalhe que, assim como outras colocações, visa contribuir com essa reflexão “coletiva”. Pode ser que a proteção proporcionada pela parede celular também contribua para atenuar os efeitos do tempo sobre os vegetais; inclusive contra os efeitos da radiação ultravioleta, terrível para os “corpos moles” dos animais! Cutucando um pouco mais a linha de comparações com os animais, grande parte da energia gasta pelos animais é utilizada para manter a temperatura corpórea (mamíferos e aves), sendo que os animais pecilotermos (peixes, anfíbios e répteis) apresentam gasto muito menor de energia, apesar de ainda sentirem os efeitos das mudanças no tempo ao seu redor. Neste aspecto, a “casca” proporciona ainda, uma resistência muito maior às “agressões climáticas”!

        • trnahas diz:

          Olá, James!
          Hoje segui a discussão com uma colega e ela lembra de já ter lido que essa diferença tem relação com o fato de os animais, de alguma forma, sofrerem mais as consequências dos radicais livres. Mas ainda não consegui encontrar em nenhum lugar uma espécie de quantificação do gasto energético animal com seu metabolismo em comparação com o do vegetal, bem como uma quantificação sobre possíveis efeitos diferenciados dos radicais livres nesses dois grupos.
          Essa sua ideia do envoltório é interessante também. Ajudaria inclusive a explicar porque entre os seres milenares indicados no vídeo há um fungo e uma bactéria (embora não seja celulose como nas plantas).
          Mas tô agora tentando raciocinar pela exceção: entre os seres milenares só há um animal, que é um coral. O que poderia garantir a logevidade em um coral? Talvez aí encontremos o elemento comum com as plantas…
          Obrigada por manter a discussão acesa!

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