“funcionário do mês” – Newton Freire Maia

Fevereiro 15, 2010 § 5 comentários

Natural do município de Boa Esperança (MG), o geneticista Newton Freire Maia fundou o Departamento de Genética da Universidade Federal do Paraná, instituição à qual esteve ligado por 52 anos.

Oriundo da Universidade de São Paulo, onde lecionava na década de 1940,  Freire Maia vivenciou o surgimento da genética no Brasil, bastante relacionada às visitas de Dobzhansky a esta instituição.

Neste período, estudou características genéticas de populações da drosófila, inseto conhecido como mosca da fruta. Das populações de drosófilas, passou ao estudo das populações humanas e, de acordo com Oswaldo Frota-Pessoa, foi provavelmente o primeiro brasileiro a publicar um trabalho de genética humana em uma revista dedicada à pesquisa genética, o que o credenciaria como “pai” da Genética Humana brasileira.

Analisou a relação entre diversas situações de casamentos consanguíneos e a incidência de anomalias genéticas relacionadas, e também estudou as displasias ectodérmicas (doenças devidas a malformação de unhas, dentes, cabelo e glândulas de suor). Foi pioneiro no desenvolvimento do aconselhamento genético no Brasil. Frota-Pessoa assim se refere a essa passagem da biografia de Freire Maia (referência do artigo abaixo):

Também a passagem da Genética Humana para a Genética Médica foi facilitada, no Brasil, por seus trabalhos. O Serviço de Aconselhamento Genético que prestava ao público desde 1957, em seu laboratório da Universidade Federal do Paraná, punha-o em contato com síndromes que era preciso diagnosticar. Isso o tornou um excelente geneticista médico, embora não fosse formado em medicina. Os artigos em que descreveu, com Marta Pinheiro, várias novas displasias ectotérmicas e os estudos que fez sobre esse grande grupo de afecções credenciou seu serviço como um laboratório de referência internacional sobre essas anomalias.

Newton Freire Maia faleceu em maio de 2003 aos 84 anos. O Parque da Ciência Newton Freire Maia, localizado em Pinhais (PR), recebe este nome em sua homenagem.

Boas (poucas, que coisa!) fontes de informação sobre Newton Freire Maia e sua pesquisa:

  • entrevista concedida a Oswaldo Frota-Pessoa, Darcy Fontoura de Almeida, Alicia Ivanissevich e Myriam Regina Del Vecchio que integra o livro Cientistas do Brasil da SBPC;
  • artigo de Oswaldo Frota-Pessoa sobre os primórdios da Genética Humana no Brasil, publicado na revista Ciência & Ambiente em 2003 (infelizmente a revista não disponibiliza a íntegra dos artigos online, apenas um resumo);
  • página de Newton Freira Maia no site do Grupo de Genealogia da Família Freire;
  • página sobre Newton Freire Maia elaborado por seu ex-orientando e atualmente professor do Departamento de Genética da UFPR, Erasto Villa-Branco-Junior;
  • artigo de Newton Freire Maia descrevendo o trabalho do Laboratório de Genética Humana da Universidade do Paraná publicado nas Atas do Primeiro Simpósio Sul Americano de Genética [não encontrei disponível online; tenho apenas cópia impressa – referência: da Cunha, A.B.; Frota-Pessoa, O.; Blumenschein, A. (eds.) Atas do Primeiro Simpósio Sul Americano de Genética. São Paulo: FFLCH/USP, 1961]

[A coluna mensal “Funcionário do Mês” é postada todo dia 10 aqui no blog. Excepcionalmente esse mês a postagem atrasou um pouco. Veja as colunas anteriores sobre a vida e trabalho de importantes cientistas aqui.]

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§ 5 Responses to “funcionário do mês” – Newton Freire Maia

  • Tenho um imenso prazer o orgulho de ser de boa esperança,

  • Paulo Freire Maia diz:

    Sou irmão de Newton Freire Maia, que aliava a sua condição de cientista a uma extraodinária capacidade de comunicação, possuindo um conteudo humano excepcional. Converria com muita competência e humildade com Einstein tanto quanto com as pessoas mais humidades que encontrava e procurava para um “papo amigo”. Não é sem razao que se entitulava comunista, na época em que isso significava uma sonho de mundo melhor, e se dizia sempre, depois,ser socialista. Exercia a ciência como o que se costumava chamar de um sacerdócio. Vivia a ciência. Era um pesquisador da verdade, onde ela pudesse encontrar-se. A verdade e o amor às pessoas eram a razão de sua vida. Era, enfim, o que se costuma chamar de “um grande cara” ! Quando, já idoso, morria algum amigo, dizia que – “a longevidade é o preço que se paga para assistir a morte das pessoas queridas”.

    • trnahas diz:

      Prezado Paulo,
      agradeço a ilustre visita ao blog e a preciosa contribuição sobre Newton Freire Maia.
      Sinto que um dos aspectos mais interessantes e ao mesmo tempo mais ausentes no conhecimento das pessoas em geral sobre os grandes cientistas é sua figura humana. Que bom podermos saber um pouco mais sobre seu irmão desta forma!
      Um abraço,
      Tatiana

      • Paulo Freire Maia diz:

        Tatiana, Obrigado, muito obrigado! Aproveito sua manifestação para corrigir o meu texto: “converria” é conversava; “Einstein”, melhor – os sábios; “entitulava” – intitulava; “uma sonho” – um sonho.
        Paulo Maia

  • Murilo Girardelli diz:

    Amigos Paulo e Domiciano.
    Vocês certamente tem muito orgulho do Mano. Li tudo e fiquei tambem feliz de saber de seu trabalho.
    Murilo

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