um cérebro famoso em fatias e ao vivo

Dezembro 4, 2009 § 6 comentários

(The Brain Observatory: exploring the brain of the most famous patient)

A novidade mais “quente” da neurociência no momento é que o cérebro de H.M. está sendo fatiado ao vivo no The Brain Observatory. No final do post há uma perguntinha sobre isso para você. Mas antes uma contextualização:

Quem é H.M?

Há algum tempo atrás, escrevi o post o inesquecível H.M.. Tiro de lá essa breve descrição:

Todo mundo que já fez alguma incursão nos estudos sobre memória ouviu falar de H.M. Acho que é o cérebro mais escarafunchado da história da neurociência: está nos livros didáticos de ensino superior, em artigos científicos da área, em slides de aulas de fisiologia do sistema nervoso. O estudo do cérebro de H.M., submetido em 1953 a uma secção bilateral do lobo temporal medial, incluíndo amígdala e 2/3 do hipocampo (à época, uma tentativa de cura para a epilepsia), permitiu muitos avanços no estudo da memória.

Após a cirurgia, H.M. perdeu a capacidade de formar novas memórias. Bastava interromper uma conversa por qualquer razão que ele já não se lembrava mais com quem falava, o que estava fazendo ali etc.

Henry Gustav Molaison. Fonte: The New York Times.

(leia mais aqui)

Como é o estudo e qual o seu propósito?

Acho que a melhor descrição está no e-mail enviado em 03/12/09 com o fim de divulgá-lo:

Dear NSBers,

If you haven’t already heard of patient H.M., he is the most famous patient in the history of neuroscience. From the age of 10 onward, he suffered from increasingly severe seizures that were being generated in the medial temporal lobe. The epilepsy became so severe that in 1953, when he was 27, he was operated on in Hartford CT by the famous neurosurgeon William Scofield, who removed large amounts of temporal lobe tissue (including most of the hippocampus) bilaterally. Before then, little was known about the function of this brain region. However, it soon became apparent that the surgery caused H.M. to develop severe anterograde amnesia (that is, he couldn’t remember new events in his life that occurred more than about 15 minutes earlier). Over the years, H.M. was studied extensively by neurologists, neuropsychiatrists, etc., and his personal tragedy became the inspiration for a new era of research on the neurobiological basis of memory.

H.M. passed away a year ago in a Connecticut nursing home. Having donated his brain for further study, the brain was preserved in formalin, transported to San Diego, and is now being sectioned by a team of neuroanatomists at the University of California San Diego. The sectioning began yesterday, and today (at 11:00AM EST) the team will resume cutting. They are entering the medial temporal lobe, which of course, is the key area of damage. If you would to witness this historic event in real time, you can go to

http://thebrainobservatory.ucsd.edu/hm_live.php.

I urge the students, in particular, to take advantage of this once-in-a-lifetime opportunity.

Jerry

Jerrold S. Meyer, Ph.D.
Professor, Department of Psychology
Director, Neuroscience and Behavior Program
University of Massachusetts

O projeto:

Veja informações aqui: http://neurosciences.ucsd.edu/

À esq.: micrótomo fatiando o cérebro de H.M.; à dir: em cima, painel do micrótomo, e abaixo, vista geral do laboratório.

A pergunta:

São duas, na verdade. Foram colocadas lá no Neurotopia e repito-as também aqui para os caros leitores:

Você doaria seu cérebro à ciência? Por que sim ou porque não?

E, caso doasse, você se importaria que ele fosse fatiado ao vivo após sua morte? Por que sim ou porque não?

Atualização em 15/12/09: Há uma ótima descrição desse projeto e dos históricos dos estudos de memória com H.M. no blog Neurophylosophy: aqui (em inglês).

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§ 6 Responses to um cérebro famoso em fatias e ao vivo

  • […] This post was mentioned on Twitter by Fábio Albuquerque, Fernanda Poletto, Bê Neviani, Gabriela Bauermann, Casa da Ciência, Academia de Ciência and Tatiana Nahas. […]

  • Bê neviani diz:

    1- Eu doaria.Adoraria que tentassem saber sobre ele,aquela coisa narcisa.
    2-não, não me importaria,doei façam o que for preciso e para quem quiser apreciar.
    abraços

  • êta perguntinha complicada… Meu lado racional diz: sim, claro que doaria, é pelo crescimento da ciência! Mas o meu lado passional egoísta diz: ei! não quero ninguém escarafunchando em mim como os estudantes dos cursos de saúde fazem com os cadáveres na anatomia! (vergonhoso pensar assim, eu sei). Como a ideia de doar o próprio cérebro é algo distante e improvável de acontecer, é difícil dizer com franqueza qual lado venceria – aí, num exercício de extrapolação, pensei em algo muito mais banal, como a doação regular de sangue para hemocentros, e nem isso eu faço … Que droga.

  • dra_lulu diz:

    eu doaria tudo e morta , nao ia me importar com o destino do corpinho. Por mim q aproveitem ate o cabelo pra alguma peruca!!Ao vivo, em filme, HQ , ou no you tube.. a vontade!!
    se não for util pra conhecimento e aprendizagem, que seja cremada pra nao ocupar espaço!!

  • Flávio Nunes diz:

    1) Você doaria seu cérebro à ciência? Por que sim ou porque não?

    Sim, doaria. Acredito que possa contribuir para mais estudos cientificos (Anatomia, fisiologia, neurociencia, etc…).

    2) E, caso doasse, você se importaria que ele fosse fatiado ao vivo após sua morte? Por que sim ou porque não?

    Sim, poderia ser fatiado, masserado, dados aos cães, sei lá… poderiam fazer o que quisessem! Afinal ele me serviu, e muito, enquanto eu estava vivo; se poderia servir para alguma coisa útil após a minha morte, que assim seja…rs…

  • Lacy diz:

    Já doei tudo. Está em testamento. E adoraria ver meu cérebro fatiado, desde que não fique perdido, como o de Einstein num vidro de laboratório qualquer, após vagar pelo país no banco de trás de um automóvel.
    Doarei qualquer parte do meu corpo que sirva ao avanço do conhecimento científico.

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