a ciência operativa de Francis Bacon

Agosto 21, 2009 § Deixe um comentário

Encontro de História e Filosofia da Biologia 2009

Encontro de História e Filosofia da Biologia 2009

Neste terceiro post da série “cobertura informal do Encontro de História e Filosofia da Biologia” (veja o contexto aqui e post anterior aqui), apresento um resumão de uma palestra proferida dentro da seção ” Concepções de vida e suas alterações”.

A longevidade segundo a concepção de vida de Francis Bacon. Palestrante: Luciana Zaterka (Depto. de Filosofia Universidade São Judas e GTHC da Unicamp)

Francis Bacon estabelecia uma distinção entre a palavra de Deus e a obra de Deus. Na sua visão, esta última, nada menos que a natureza, estava ao alcande da razão humana. Ressalte-se, contudo, que seu pensamento, à semelhança do que ocorria com a maioria dos homens de sua época, inseria-se num âmbito teológico. Acreditava, portanto, que Deus criou os homens sem imperfeições e que a doença, o envelhecimento e a morte foram adquiridos após o pecado original.

Em sua obra Instauratio Magna, aponta a necessidade de restauração do conhecimento humano que, segundo o filósofo, foi interrompido com o pecado original. Para isto, propõe uma nova concepção de ciência que restabeleça o conhecimento e a imortalidade perdidos. Trata-se, portanto, de uma concepção operativa de ciência, segundo a qual a filosofia natural deve beneficiar a humanidade.

No segundo volume desta obra, denominado Historia Vitae e Mortis, ele deixa clara a sua concepção de história natural: uma investigação exaustiva de tudo que se possa classificar e investigar sobre os fenômenos da natureza e dos corpos. Lança as bases, então, de uma história natural não descritiva, mas ativa, fundamentada no método experimental.

Para Bacon, o bom experimento deve atingir os “segredos da natureza” e isso só é possível se esta for “atormentada, dissecada, alterada”. Esta constituiria, inclusive, uma das categorias da natureza segundo a divisão de Bacon, que reparte a natureza em: (a) natureza em curso (gerações), (b) maravilhas ou aberrações da natureza (pretergeração) e (c) natureza modificada pelo homem (Arts).

Nesse contexto de experimentação e compreensão da natureza, o objetivo de prolongar a vida constitui uma das principais finalidades do programa baconiano de reforma do conhecimento. Como o filósofo acreditava que os corpos são compostos por espíritos, sendo estes partículas ativas da matéria, a investigação sobre a longevidade humana deveria começar, portanto, por uma investigação sobre os próprios espíritos.

Assim, na obra Novum Organum, Bacon propõe sua Teoria dos Espíritos, em que distingue matéria tangível de espíritos (compostos voláteis). Para ele, ambos são constituintes da matéria, mas os espíritos são os constitutivos ativos da matéria. Estes são, então, dotados de volição (apetites, desejos, impulsos), em oposição à matéria tangível que é passiva, fria e inerte.

É, então, sobre os espíritos que deve operar a reforma do conhecimento em busca da longevidade.

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