paisagens neuronais

Agosto 13, 2009 § Deixe um comentário

Uma das imagens da esposição Paisagens Neuronais. Fonte: Instituto Cervantes (http://saopaulo.cervantes.es).

Uma das imagens da esposição Paisagens Neuronais. Fonte: Instituto Cervantes (http://saopaulo.cervantes.es).

Santiago Ramón y Cajal (1852 – 1934), médico e histologista espanhol, é conhecido como “pai da neuroanatomia”. Ele usou a técnica de coloração histológica desenvolvida pelo italiano Camillo Golgi (sim, aquele mesmo do organóide celular complexo de Golgi, agora chamado de complexo golgiense) para estudar a estrutura microscópica do sistema nervoso.

A partir desses estudos, Ramón y Cajal acabou por apresentar uma visão sobre o arranjo do sistema nervoso discordante daquela defendida pelo próprio Golgi. Golgi estava de acordo com a proposição do alemão Joseph von Gerlach, que havia descrito o sistema nervoso como uma rede de elementos contínuos. Ramón y Cajal enxergou esse sistema como uma rede difusa de filamentos interligados uns aos outros. Era o embrião da idéia de sinapse.

Esses achados foram publicados por Ramón y Cajal no livro Textura del sistema nervioso del hombre y los vertebrados, ricamente ilustrado por desenhos do próprio cientista (como o exemplo abaixo), os quais foram reproduzidos em diversos livros didáticos de neurociências desde então.

Em 1906, Ramón y Cajal recebeu o prêmio Nobel de Medicina, compartilhado com Golgi, “em reconhecimento ao trabalho sobre a estrutura do sistema nervoso”. Em 2006, o Instituto Cervantes criou a exposição Paisagens Neuronais (o nome é perfeito, né não?) em comemoração ao centenário do Nobel recebido pelo cientista, mas esta só chegou ao Brasil no final de 2008, quando foi exibida em São Paulo. Depois passou por diversas cidades e agora está em Belo Horizonte até 01/09/09.

Ilustração do tetum óptico de um pardal desenhada por Ramón y Cajal (Fonte: http://nobelprize.org).

Ilustração do tetum óptico de um pardal desenhada por Ramón y Cajal (Fonte: http://nobelprize.org).

A exposição apresenta 50 imagens (como a reproduzida acima) acompanhadas por textos poéticos, que ilustram a evolução do conhecimento do sistema nervoso desde o início do século XX. Realmente vale a pena conferir; mineiros, aproveitem! (Mais informações aqui).

Aqueles que já se deliciaram com as imagens e/ou aqueles que não terão a chance de fazê-lo, podem apreciar essa seleção de (ótimos) textos sobre o trabalho de Ramón y Cajal publicados em edição especial da revista Quark (por coincidência, essa é justamente – e infelizmente – a derradeira edição dessa excelente revista):

Em português, um bom material sobre a história da descoberta dos neurônios e sinapses é o elaborado pelo neurocientista Renato Sabbatini (veja aqui).

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