a gripe suína volta à mídia

Julho 22, 2009 § Deixe um comentário

Desde que o alerta da OMS sobre a gripe suína subiu mais um nível, tendo sido decretada a pandemia de fato, os sistemas de saúde em diversos países do mundo alteraram sua estratégia de combate ao H1N1. Não foi diferente aqui, até porque agora foi identificada a transmissão sustentada e elevação no número de mortes. Assim, passamos do foco na conteção para o de combate à letalidade. Somando isso à preocupação com a lotação em hospitais, o governo começou atacar mais enfaticamente a frente de disseminação de informações.

O Ministério da Saúde, na figura do ministro Temporão, está no movimento de evitar o pânico, de informar sobre as formas de prevenção, os sintomas e encaminhamentos necessários. Na última semana, usou tudo que pôde a mídia (um exemplo aqui) para apresentar orientações desde como lavar as mãos até solicitação para que as pessoas evitem os hospitais como primeira procura de tratamento.

Longo parênteses – parte 1: já começou também aquela coisa de empurrar para o outro: ouvi o ministro, em entrevista à Globo News e ao Jornal da Record, dizer que o combate à enfermidade e possíveis equívocos nos procedimentos tratam-se de responsabilidade das secretarias municipais de saúde. Tá certo que essa é mesmo a estrutura do SUS, mais focada no município. Mas até agora, pra dizer que tava tudo controlado, falava-se em uníssono. Agora que começam a pipocar mortes e tensão, começou-se a apontar pro lado…

Longo parênteses – parte 2: com toda a parafernália instalada em alguns municípios para o combate à gripe suína e a ação nacional coordenada pelo ministério, alguns absurdos continuam colocando tudo a perder. Há, por exemplo, o caso relatado por um conhecido de uma amiga (sei que parece começo de fofoca, mas a informação está documentada aqui): no Centro de Atendimento à Saúde (CASA) de Santa Cruz do Sul (RS) foi avistado um copo para uso comum no bebedouro público de um lugar por onde passam centenas de pessoas. Palavras indignadas do denunciante:

o fato agravante e irônico é que a 20 passos do bebedouro e do tal copo está um desses cartazes sobre a prevenção da gripe Influenza A (H1N1), a conhecida gripe suína (que tanto tem assustado a população), e nele consta em letras garrafais (com direito a ilustração e tudo) o aviso: “Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal”.

Fecha parênteses. O lado bom dessa história toda é que, finalmente, pudemos presenciar nas últimas semanas um pouco de bom trabalho jornalístico, embora ainda intercalado com matérias que colocam mais detaque em pessoas chorando e outros sensacionalismos chatos.

De tudo que li, vi e ouvi por aí até agora, super recomendo a edição especial do programa Em Cima da Hora sobre gripe suína que foi ao ar em 18/07  na Globo News (assista aqui). O programa apresentou um excelente trabalho jornalístico, tendo abordado as diverdas frentes relacionadas ao tema. No programa, o telespectador tem a chance de compreender o panorama geral da gripe suína, identificar as semelhanças e diferenças entre essa gripe e a chamada influenza sazonal e de receber informações sobre seus sintomas e formas de prevenção diretamente de renomados infectologistas que explicam tudo muito didaticamente.

Ainda, diferentemente das muitas abordagens rasas que vemos por aí, o programa explicou simplificadamente a estrutura antigênica do vírus (a diferença entre o “H” e o “N” que dão nome ao H1N1), a estratégia de mapeamento para acompanhamento de mutações que vem sendo empregada, a relação entre a passagem do H1N1 de humanos para suínos (como já foi identificado) e a possibilidade de criação de uma cepa mais resistente do vírus, a avaliação do custo-benefício do início precoce do tratamento, as questões relacionadas à produção da vacina (a missão de descobrir a vacina é mais fácil, o problema está na produção em larga escala. Daí a possibilidade de usar outras substâncias em adjuvância – onde é que vemos essa explicação acompanhada da análise de seus prós e contras???) etc. Vejam lá, relamente vale a pena!

Um pouco mais antigo, mas também muito bom, está o artigo de David Uip,  diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, no Estadão de 12/07 (leia aqui), em que analisa as ações do Ministério da Saúde e discute a questão melhor o vírus circular menos ou deixar que as pessoas criem anticorpos?

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