o lixo, o consumo e a matemática

Julho 20, 2009 § 3 comentários

Está super bem colocada a reflexão de Cláudia Chow no post sacolas plásticas lá no Ecodesenvolvimento. Realmente, as campanhas que temos para estimular a reciclagem e redução do consumo desnecessário não surtem tanto efeito muito em parte por não serem nada esclarecedoras para o cidadão. Muito mais útil seria apresentar exemplos concretos sobre como fazer cálculos simples para alterar o consumo.

Por exemplo, para uma mãe interessa saber se é melhor comprar um brinquedo de plástico ou madeira para o filho. Mas vejam o balanço que precisa fazer: nem todo plástico é reciclável, bem como nem toda madeira é certificada. E se o brinquedo de madeira tiver sido trazido do outro lado do país para a loja em que está comprando, provavelmente não será a opção mais ecologicamente correta, porque há que se pensar no transporte do produto, o quanto isso tem de efeitos econômicos e poluidores etc.

Mas… como fazer essa conta? É isso que alguém precisa ensinar para as pessoas, é isso que se espera de campanhas realmente educativas para que possam surtir efeito no nosso cotidiano.

Um exemplo para a versão masculina e/ou jovem da campanha publicitária poderia ensinar a fazer a mesma conta para um adolescente que está indeciso entre comprar uma jaqueta de naylon ou de couro. Um exemplo mais universal ou “unissex” seria o da compra de uma singela camiseta de algodão: algodão é uma fibra natural e tal, mas e o tingimento? o quanto isso significa maiores gastos, maior poluição ambiental?

Enfim, exemplos há muitos e conhecimento para explicá-los também. Também há, embora muitos insistam que não, vontade por parte das pessoas de melhorar as características do seu consumo e a sua atitude de reciclagem. O que não há é esclarecimento adequado sobre como fazê-lo e nem estrutura adequada para quem opta por uma atitude mais sustentável.

Vamos pensar no cidadão que acha isso tudo muito importante e quer reciclar seu lixo. Como fazê-lo? Parte 1: ter uma composteira em casa. Quantos têm? Quantos conseguem ter, sendo que muitas vezes não há espaço na casa nem para a família que a habita? Quantos sabem como fazê-la? Mas vamos para a parte 2, que teoricamente seria mais fácil: onde colocar vidros, plásticos, papéis e outros materias que poderiam ser reciclados? Há coleta seletiva dos municípios para isso (como deveria haver) ou o cidadão tem que ficar carregando nas costas seu lixo até algum dos supermercados que têm convênio com cooperativas de catadores de lixo ou coisa do tipo?

Recentemente presenciamos algumas tímidas melhorias nesse sentido. Há o caso da “lei para o lixo eletrônico” (leia mais aqui, num ótimo editorial do Estadão, e no Rastro de Carbono sobre o Manifesto Lixo Eletrônico), de iniciativas isoladas para reciclagem de resíduos sólidos, como o programa Disperdício Zero no Paraná, e de reciclagem de garrafas PET, como projeto de lei em análise na Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa de São Paulo (leia mais sobre esses dois últimos exemplos no post cada qual com seu lixo). Mas elas ainda são isso mesmo: iniciativas isoladas e tímidas…

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