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Junho 6, 2009 § Deixe um comentário

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(Fonte: http://www.wfsj.org/course/pt/)

Resolvi seguir o curso online da WFSJ e me deparei com a charge acima na página de apresentação. Toca abandonar provisoriamente o curso e blogar um pouco.

Uma das coisas que mais me incomoda na prática da divulgação científica aqui no Brasil é o fato de os nossos principais jornais transcrevem as notícias de ciências das grandes agências internacionais (Reuters, AFP etc) sem sequer terem o cuidado de checarem a informação ou de apresentarem-na contextualizada localmente. Não há criatividade alguma nisso, não há trabalho jornalístico. Também praticamente não há divulgação da ciência praticada nos centros de pesquisa brasileiros  e ainda pode reforçar a idéia de que a ciência não tem nada a ver com o cotidiano do cidadão comum.

Nesse sentido, um grande divisor de águas para a mídia nacional foi o anúncio do sequenciamento do genoma da Xylella fastidiosa em julho de 2000. Esse mapeamento genético acabou colocando o Brasil em lugar de destaque no noticiário internacional da época, começando pela capa da Nature. E, de repente, muitos meios de comunicação daqui descobriram que se fazia pesquisa de primeiro mundo no Brasil. Como se antes, durante e depois não houvesse nada equiparável.

Vejam só que emblemático do que estou dizendo: outro dia eu conversava com um pesquisador amigo que fora entrevistado por conta de um artigo seu publicado na PLoS. Ele me contava indignado que dissera, durante a entrevista, que aquele trabalho não era nem seu melhor e nem seu maior, então porque agora o procuravam? A repórter explicou que a decisão sobre a matéria fora tomada porque haviam recebido o informativo do periódico. Quer dizer, mérito das acessorias de imprensa das revistas internacionais. Só assim pra saber da ciência daqui…

Não, não – problema algum em usar esse tipo de informação como fonte. Mas e usar somente esse tipo de informação como fonte, tudo bem? Ou apenas praticamente transcrever o press release recebido sem mais nadinha, tudo bem também? Me parece um ótimo jeito de brincar de porta-voz das agências, mas não um bom trabalho de jornalismo científico.

Outro exemplo, agora com provas: em 02/06 escrevi o post Picaretagem Científica motivada por artigo que havia lido sobre má conduta cientítica. Qual não foi minha surpresa ao ler esta matéria do Estado de São Paulo (de 04/06) sobre o mesmo artigo e constatar advinhem o quê? Siiiim, dos quatro parágrafos da matéria, 3 são chupinhados do artigo e só o último traz uma informação diferente, qual seja, como o CNPq avaliza os projetos de pesquisa financiados pelo órgão. Dureza, não?

E assim muitos centros de excelência em pesquisa científica permanecem desconhecidos do brasileiro. Em parte é porque tem mais gente cobrindo o treino do timão (mesmo nos tempos de segunda divisão) do que divulgando ciência. No outro lado da moeda está a má atuação dos institutos de pesquisa e universidades brasileiros, já que são raros os que possuem algum cadastro de fontes em seus sites que possam facilitar a vida de quem tem que fazer uma matéria pra amanhã.

Agora vejo (merecidamente) barulho em torno de Miguel Nicolelis, o neurocientista brasileiro da Duke University e mentor do Instituto Internacional de Neurociências de Natal. Candidato fortíssimo ao prêmio Nobel, dizem as ferinas línguas jornalísticas.

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Estava com o post prontinho e acabado quando resolvi dar uma espiadinha no Science Blogs Brasil e encontrei um post no Você que é biólogo – Quando é legítimo uma descoberta científica ser divulgada publicamente – que também aborda a questão de jornalistas, press releases e cia. Se tiverem chance, deêm uma olhada. Tá bem legal, com algumas opiniões diferentes das acima, bom pro debate!

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