cada qual com seu lixo

Dezembro 4, 2008 § Deixe um comentário

Como seguimento à política de resíduos sólidos do estado que tem o objetivo de evitar a destinação incorreta de materiais que possam ser reaproveitados, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná vai envolver os fabricantes de garrafas PET, embalagens longa vida, pneus, garrafas long neck, medicamentos de uso humano e veterinário na destinação final de seu lixo. Estes fabricantes precisam apresentar informações sobre o volume de embalagens comercializadas no Paraná, índice de recolhimento e reciclagem, além das ações desenvolvidas para destinação adequada dos recipientes.  A intenção é promover a logística reversa dos resíduos gerados fazendo com que toda a cadeia (indústria, revenda, consumidor final e poder público) trabalhe para o recolhimento deste material.

O programa denominado Desperdício Zero envolve ainda a preocupação com o reaproveitamento do lixo orgânico, estimulando, por exemplo, a compostagem (processo biológico que pode ser feito de forma caseira, em que os microrganismos transformam a matéria orgânica, como restos de comida, folhas etc em material que pode ser utilizado como adubo). Leiam mais sobre a iniciativa paranaense aqui.

Li no Estadão de domingo que em São Paulo há um projeto de lei em análise na Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa propondo que a responsabilidade pela destinação correta das garrafas PET usadas seja de quem as produz e distribui.

Parece que foi dada a largada para uma nova tendência que tem tudo para se espalhar para os demais estados e municípios do país: a de desobrigar, ao menos parcialmente, os municípios da destinação final do lixo e chamar à responsabilidade os maiores geradores de lixo urbano para contribuirem nessa função.

Bem, pode parecer uma boa idéia, ao menos para garantir que o consumidor que quer reciclar seu lixo tenha efetivamente como fazê-lo. Porque sinceramente da forma como funciona hoje em dia na maior parte dos municípios é preciso que cada um de nós seja um ativista ambiental superengajado e caracol, que circula por aí carregando seu lixo reciclável em busca de onde possa despejá-lo.

Mas acontece que o buraco está bem mais embaixo… Quem é o dono do lixo, a empresa de, digamos, refrigerantes ou o consumidor? Se a empresa ficar de fato responsável pelo recolhimento da parte reciclável que lhe cabe, é uma simples questão de rever sua logística e repassar os custos para o consumidor, o que ela certamente fará. Mas dois pontos centrais não estão resolvidos: o quanto se consome e como se separa o lixo. Dois pontos cruciais que pertencem exclusivamente ao consumidor. Independentemente de quem vai cuidar da destinação final do lixo – estado ou empresas – se o elo intermediário da cadeia – o consumidor – não fizer a sua parte, de nada adiantará.

O consumidor precisa aprender a consumir menos e melhor, precisa separar seu lixo etc etc etc. E para que isso de fato ocorra, ele precisa ser educado. Voltamos então para as obrigações de estados e municípios, fechando esse ciclo vicioso ainda sem solução…

Esse papo todo me lembrou um conto do Veríssimo chamado, justamente, O lixo, que li há muito tempo atrás. Se conhecem, vão entender o que estou querendo dizer. Se não, cliquem aqui e boa diversão!

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