por dentro da célula

Dezembro 3, 2008 § 1 Comentário

celula

Semana passada estava em exposição no Instituto de Biociências da USP um modelo gigante de célula que agora poderá ser visitado na Estação Ciência em São Paulo. A iniciativa é da Dra. Eliana Beluzzo Dessen, coordenadora de Educação-Difusão do Centro de Estudos do Genoma Humano, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP. Eliana foi também co-curadora da Exposição Revolução Genômica, que vem passando por diversas cidades brasileiras desde o início de 2008.

O modelo é bastante interessante e permite que o público literalmente fique por dentro da célula e conheça um pouco mais sobre as organelas que a compõem. Parece ser um instrumento bastante eficaz para resolver um dos problemas mais frequentes do ensino de ciências, já que é muito comum que os estudantes confundam o conceito de célula com o de átomos e moléculas ou que apresentem dificuldade em entender as diversas estruturas que compõem a célula, suas funções e dimensões relativas. Ou, talvez pior, não é raro que estudantes que aparentemente compreenderam a célula e seu funcionamento, não percebam que outros seres vivos, ademais dos humanos, são compostos por células, ainda que por uma só.

Lembrei agora de uma pesquisa de percepção pública da ciência sobre organismos geneticamente modificados realizada na Itália há uns 2 anos em que os pesquisadores procuravam entender as razões da rejeição do público ao tomate transgênico. A pesquisa indicou que os italianos não queriam comprar o tomate transgênico porque este continha DNA e as pessoas estavam receosas de que comer DNA pudesse fazer algum mal. Discussões sobre benefícios ou malefícios dos transgênicos à parte, isso mostra a ignorância das pessoas com relação aos princípios mais básicos da biologia molecular. E a raiz do problema está no ensino e na divulgação da ciência, não?

Mas a boa notícia para aqueles motivados a envolverem-se nessas áreas é que o brasileiro se interessa por ciência e tecnologia tanto quanto pelo esporte e as coloca em posição nitidamente superior à política, que costuma ocupar inúmeras páginas nos jornais e revistas e tempo precioso nas emissoras de rádio e televisão. Esse dado foi um dos resultados da pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia publicada em 2007 e já mencionada em post anterior. A pesquisa intitulada Percepção Pública da Ciência e Tecnologia mostrou ainda que o brasileiro não subestima a sua capacidade de entender a ciência e a tecnologia e reconhece (esta é a opinião de 81% dos entrevistados) que é capaz de compreendê-las se “o conhecimento científico for bem explicado”. Clique aqui para ter acesso à integra da pesquisa no site do MCT.

Esses resultados todos, se bem analisados e acompanhados de vontade dos órgãos competentes, podem (e devem!) embasar algumas políticas públicas relacionadas à divulgação científica e ao ensino de ciências. Passou da hora já de termos cidadãos capazes de fazer uma reflexão relativa ao papel da ciência, sua função na sociedade, as tomadas de decisão correlatas, prioridades dos fomentos etc etc etc, e não apenas estudantes preparados a marcar X numa prova de vestibular (e, ainda por cima, mal preparados mesmo para isso…).

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