clima: perdas e ganhos

Dezembro 2, 2008 § Deixe um comentário

“Roubei” o título do post de uma matéria que o Estadão publicou há cerca de um mês atrás relacionando o desmatamento da Amazônia com o uso de carros flex. Já volto a ela.

O “papo climático” dessa semana é  o anúncio feito pelo governo brasileiro sobre a meta para redução do desmatamento na Amazônia. Foi lançado ontem o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (versão para consulta pública disponível aqui). A intenção é de reduzir em 72% o índice de desmatamento na Amazônia até 2017, sendo 40% no primeiro quadriênio, 30% no segundo e 30% no terceiro. Isso equivale a 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono a menos na atmosfera. O documento aponta ainda outras medidas a serem tomadas nas áreas de produção de energia elétrica, álcool, biodiesel e carvão, sempre de olho no contador de emissão de gases intensificadores de efeito estufa.

Qual o contexto histórico disso? Está acontecendo essa semana a 14a. Conferência do Clima da ONU (COP) em Poznan, Polônia, cujo objetivo é avançar na redação de um documento que defina como o mundo vai lidar com as mudanças climáticas após 2012. O documento final deverá ser redigido e firmado pelas nações na próxima COP, a ser realizada em dezembro de 2009 em Copenhague. Espera-se que essa COP seja mais produtiva que a anterior, realizada ano passado em Bali, que pouco trouxe de avanço com relação ao Protocolo de Quioto. O Protocolo de Quioto estabeleceu, para os países signatários e tendo como base os níveis de emissões de 1990, o alvo de redução das emissões de gases intesificadores do efeito estufa em 50% no período de 2008 a 2012.

O Brasil resolveu avançar no discurso e estabeleceu essa meta para redução do desmatamento da Amazônia. Mas porque nossa ênfase está aí? Segundo informações de Nicholas Stern (vide post anterior) quando esteve por aqui mês passado, as emissões brasileiras sem o desmatamento são da ordem de 4 toneladas anuais per capita. Já colocando o desmatamento na conta, o número salta para algo em torno de 11-12, bastante similar às emissões de países industrializados da Europa.

Resumindo: no Brasil, o desmatamento e as queimadas são responsáveis por cerca de 75% das emissões de gases intensificadores do efeito estufa. Vamos deixar de lado algumas das trapalhadas governamentais sobre esse assunto que não fossem trágicas seriam cômicas (refiro-me à multa aplicada a um certo órgão do governo, por outro órgão do governo, porque o primeiro é o principal desmatador, lembram disso? Tem um pouquinho aqui) e vamos voltar à reportagem do Estadão à que me referi e que super-reforça a importância da ênfase na redução do desmatamento.

A reportagem mostrou que um mês de derrubadas e queimadas na Amazônia lança na atmosfera a mesma quantidade de CO2 que o país deixou de emitir em 5 anos de uso de carros flex. E isso considerando a média de desmatamentos do ano de 2007, que foi o ano com menor quantidade de desmatamento desde que começou o uso de carros flex (2003). Enfim, mais um número/comparação que explica porque o Brasil é hoje um dos cinco maiores emissores de gases intensificadores do efeito estufa, apesar de sua matriz energética ser das mais limpas.

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