mudanças climáticas e aquecimento global: clipping

Novembro 13, 2008 § 1 Comentário

mafalda6

Eu bem queria mudar um pouco o tema do blog, assim fica parecendo que só quero tratar de mudanças climáticas e afins ou que só estou enxergando essa matéria como relevante no mundo da ciência. Mas é que definitivamente este é o assunto que está bombando na mídia e como decidi me pautar por ela para falar de ciência no blog, não há muita escapatória…Vejam se não é verdade nessa pequena amostra de uma semana.

Na quinta feira 06/11, Nicholas Stern foi entrevistado por Miriam Leitão no Espaço Aberto Economia, programa da Globo News. Isso depois de comparecer à sede da FAPESP para conferência sobre o mesmo tema na segunda-feira 03/11. O economista é conselheiro do governo britânico para  os assuntos de mudanças climáticas e elaborou um documento que avalia quanto custa combater o aquecimento global, o qual ficou conhecido por Relatório Stern. Em essência, afirma que o custo de agir hoje para diminuir as emissões de gases de efeito estufa é muito menor do que o de deixar para o futuro. Segundo o economista, os gastos necessários para que o mundo altere suas práticas guiando-se pelos estudos científicos que preconizam as reduções das emissões são da ordem de 1 a 2% do PIB mundial. Em contrapartida, o custo da inação seria da ordem de 5 a 20% do PIB mundial. Assim, calcula que investir em energia limpa, diminuir o desmatamento e demais ações propostas para o combate ao aquecimento global é, financeiramente falando, um bom negócio.

No sábado 8/11, a Folha de São Paulo trouxe uma notícia desalentadora: uma análise do cenário energético mundial no período de 2006 a 2030 (World Energy Outlook; WEO-2008), feita pela Agência Internacional de Energia, mostra que dificilmente conseguiremos reduzir as emissões nos níveis necessários para que o aumento da temperatura global fique em 2ºC. Na melhor das hipóteses conseguiríamos chegar em um aumento de 3ºC, insuficiente ainda para evitar e/ou minimizar as temidas mudanças climáticas. Uma das razões é que a demanda por energia deve crescer 45% entre 2006 e 2030. Isso, combinado ao fato de que uma tecnologia nova (como a eólica ou a solar) demora muitos anos para se difundir no setor energético, leva a crer que as reduções das emissões de carbono não chegarão aos patamares ideais (clique aqui para ler a notícia). De fato, sobram desafios para os tomadores de decisão na próxima reunião da cúpula mundial sobre o clima, a ser realizada em dezembro de 2009 em Copenhague.

Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA agraciado com o Nobel da Paz em 2007 juntamente com o IPCC “por seus esforços em construir e disseminar o conhecimento sobre as alterações climáticas provocadas pelo homem”, aderiu à onda comente-você-também-o-momento-de-incrível-mudança-com-a-eleição-de-Obama e escreveu um artigo no jornal New York Times no domingo 9/11. No texto, Al Gore relembra que os efeitos da ação antrópica sob as mudanças climáticas são “inequívocas”, defende 5 atitudes referentes à matriz energética dos EUA e conclama o novo presidente e o novo Congresso a  se mexerem nessa direção, pois o tempo urge e “nossos filhos e netos necessitam que se reconheça a veracidade da nossa situação antes que seja muito tarde”. Segundo ele, a tarefa nem é tão árdua assim e já resolve dois pepinos de uma vez só, posto que os passos necessários para resolver a “crise climática” são os mesmos que se precisa para solucionar a atual crise econômica.

Hoje, a revista Nature publicou um estudo de pesquisadores escoceses e canadenses que identificou que a Terra de tempos em tempos passa por flutuações climáticas, alternando entre frios glaciais e momentos de extremo calor. De acordo com os pesquisadores, estaríamos nos aproximando de mais um momento de glaciação em latitudes médias no hemisfério Norte num futuro geológico próximo. Porém, as variações nos níveis de dióxido de carbono promovidas pela ação humana poderiam interromper essa transição natural de modo irreversível. Parece ser, então, mais uma interferência “drástica” do aquecimento global. Há que se considerar, contudo, que quando os pesquisadores falam de futuro geológico próximo, estão falando de coisa da ordem de mil anos. Mais especificamente, segundo os próprios pesquisadores, essa prevista expansão da camada de gelo no hemisfério norte ocorreria  nos próximos 10 mil a 100 mil anos. Resta saber se realmente o aumento por ação antrópica de alguns graus centígrados na temperatura da Terra, o que também não é um consenso na comunidade científica, poderia interferir em fenômeno tão amplo e tão distante do momento presente.

Enfim, com tanta informação pipocando sobre o tema (e muito mais ainda está por vir), o difícil é selecionar as realmente relevantes e/ou confiáveis. Claro que o ideal é sempre ir às fontes, por isto em post anterior coloquei link para os relatórios do IPCC. Do que escarafunchei na mídia, separei alguns materiais/notícias que parecem trazer mais luz ao tema. Infelizmente, estão todos em inglês:

Guardian Environment Network: uma seleção dos melhores sites ambientais da rede feita pelo jornal britânico The Guardian. Tem de tudo: notícias sobre o ambiente, em especial mudanças climáticas e aquecimento global; links para sites de universidades que estão fazendo pesquisas na área; e até um site de design de materias diversos para um mundo sustentável.

SciDev.Net: no site da Science and Development Network é possível encontrar informação sobre ciência e tecnologia nos países em desenvolvimento. No link acima, vocês encontram uma seção especial dedicada às mudanças climáticas, energia e aquecimento global. E aqui há um glossário dos principais termos relacionados às mudanças climáticas, como adaptação, mitigação e sequestro de carbono.

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