mudanças climáticas 2

Novembro 3, 2008 § 1 Comentário

Martin Parry justificando a necessidade de redução em 80% das emissões de gases de efeito estufa.

lado A

O aquecimento global é tido como inequívoco, bem como a interferência antrópica no sistema climático, principalmente via emissões de CO2. Isso é o que se depreende dos relatórios do IPCC, do noticiário na mídia, dos esforços de ampliação das pesquisas na área e de reportes financeiros da comercialização de créditos de carbono.

Os primeiros sinais de alarde vierem no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio em 1992. No ano passado, o assunto voltou à baila com força com a divulgação do Quarto Relatório de Avaliação do IPCC (entre nesta página do MCT para ter acesso à versão em português dos documentos já produzidos pelo grupo) e as discussões na Conferência de Bali para negociar um novo acordo que substitua o Protocolo de Quioto.

Em conferência na sede da FAPESP na última quinta feira, Martin Parry, co-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC até 2007, apresentou a necessidade de uma redução em 80% das emissões de gases estufa até 2050 para evitar que cheguemos em 2100 com impactos severos decorrentes do aquecimento global. Essa meta é ainda mais rigorosa que a de 50% em discussão até agora.

Sobram desafios para a próxima reunião da cúpula mundial sobre o clima, a ser realizada em dezembro de 2009 em Copenhague, quando deverá ser definido um acordo para substituir o Protocolo de Quioto, em vigor até 2012.

lado B

O documentário “A grande farsa do aquecimento global” (The Great Global Warm Swindle, UK, 2007, 90 min.), lançado em março de 1997, apresenta depoimentos de cientistas (alguns integrantes do IPCC), ativistas ambientais e membros da mídia somados a uma série de dados e análises, numa mistura explosiva que contesta os relatórios do IPCC e isenta as emissões antrópicas de CO2 de qualquer culpa sobre as mudanças climáticas.

E mais: defende a tese de que os dados sobre o aquecimento global e decorrentes mudanças climáticas vêm sendo deturpados com finalidade político-ideológica e guiados por interesses financeiros (clique aqui para baixar “A grande farsa…” com legendas em português em arquivo de 450 mb). Imagine a dimensão do barulho causado pelo filme!

Imaginou? Então agora pergunte-se porque essa discussão não chegou com a mesma força por aqui (pra não dizer com força alguma), se os brasileiros super-concordam que esse é tema dos mais importantes e reconhecem a necessidade de maior atividade no país (vide post abaixo)?

Voltando ao Velho Mundo, o Office of Communications (Ofcom), órgão regulador da televisão britânica, recebeu grande quantidade de reclamações sobre as assertivas do filme, entre elas uma grande lista de erros de argumentação e utilização indevida de dados assinada por um grupo de cientistas. A íntegra das reclamações contra o filme pode ser acessada aqui, um site criado pelo Ofcom especialmente para tratar desta polêmica. As argumentações estão divididas por categorias e podem ser baixadas em pdf.

moral da história

1- como reduzir tanto? Se as atuais previsões científicas estão mesmo corretas, os governos mundiais, nas atuais condições de temperatura e pressão (desculpem, não resisiti ao trocadilho infame), terão competência/condições/vontade para coordenar-se na adoção de medidas rigorosas que contenham o aquecimento global em tão pouco tempo?

2- não há dúvida de que o material dessa discussão no Ofcom é riquíssimo e pode ajudar a entender um pouco mais o debate. Um pouco mais sobre o que é e o que não é alarmismo. Um pouco mais sobre o que é e o que não é manipulação de dados. Etc, etc, etc. Mas é também um material extensíssimo… Vou “folheá-lo” aos poucos e vez em quando pingarei algum comentário por aqui. Mas por ora eu preciso dividir essa admiração: é ou não é coisa de gente grande um sistema de comunicações assim?

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§ One Response to mudanças climáticas 2

  • gavranha diz:

    Também acho que o assunto poderia estar sendo discutido por aqui. Mas talvez, apenas talvez, isso não tenha acontecido porque o filme ainda não “passou” no Brasil.

    Acho que quando (e se) “passar”, vai ser polêmico também.

    Foi bom você ter chamado a atenção para o assunto :)

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