flores que brotam de bancos de dados

Dezembro 15, 2010 § 3 Comentários

Nos últimos dias tem circulando bastante na rede um vídeo sensacional em que Hans Rosling usa realidade aumentada para contar, por meio de estatística animada, os últimos 200 anos da história mundial. O vídeo de 4 minutos é só um aperitivo de mais um excelente documentário da inglesa BBC – The Joy of Stats – apresentado pelo próprio.

Recomendo muito o vídeo (veja abaixo), mas recomendo mais ainda uma TED Talk apresentada por Rosling em 2006 (veja abaixo). Nela, o médico e professor de saúde pública no sueco Kalorinska Institute mostra outras tantas impressionantes análises estatísticas de forma extremamente interessante. E conta um pouco sobre o software que criou e que permite transformar dados públicos praticamente incompreensíveis, como os disponíveis nos bancos de dados da Organização das Nações Unidas e da Organização Mundial de Saúde, em gráficos animados em que as informações saltam aos olhos.

Minha parte preferida de sua conferência são os 5 minutos finais, em que, depois de nos extasiar com os gráficos animados, Rosling defende que os dados não sejam apresentados e analisados de forma regional, como usualmente o são, por não serem informativos, como fica claríssimo após sua apresentação. Ele propõe uma maior abertura dos bancos de dados públicos e um maior esforço dos tomadores de decisão para financiar o desenvolvimento de formas de integração e análise destes dados, como o software que usa.

A ideia é passar de um cenário (caro e não funcional) repleto de senhas e estatísticas entediantes para outro em que flores brotam de bancos de dados. A chave está na ferramenta de busca utilizada para explorar estes bancos e o fantástico é que ele mostra, sem espaço para dúvidas, que isso é possível e extremamente útil.

Atualização em 19/12/2010: Roberto Berlinck, nos comentários abaixo, me chamou a atenção para o fato de que eu não havia mencionado que o software de Rosling está disponível para download gratuito em seu site. Veja mais informações no campo de comentários abaixo.

Atualização em 11/04/2011: Veja uma interessante crítica aos números que Rosling apresenta no segundo vídeo acima neste post do físico Roberto Belisário.

Atualização em 14/04/2011: Uma didática crítica à crítica acima, feita pelo biólogo Roberto Takata neste post.

e foi-se a Copa… – a ciência no futebol

Julho 12, 2010 § 5 Comentários

Esse belo infográfico do Estadão indica onde atuam os 736 jogadores da Copa 2010.

Foi-se a Copa? Não faz mal. // Adeus chutes e sistemas. // A gente pode, afinal, // cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos? // Perdura a inflação de fato. // Deixaremos de ser tontos // se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio, // havendo tenacidade, // ganhará, rijo, e de cheio, // A Copa da Liberdade.

[Foi-se a Copa? - poema de Carlos Drummond de Andrade via Blog do Noblat]

E foi-se a Copa. Copa sem graça, o maridão insiste em repetir. Mas se alguns se sentiram privados de belos e memoráveis lances futebolísticos, algo não se pode negar: transbordou ciência nessa Copa.

Não estou falando apenas sobre os adventos tecnológicos que poderiam  evitar erros irritantes dos juízes, coisa que se propõe há um par de Copas já. Nessa Copa houve de tudo: de discussão sobre discriminação genética à análise sobre a fisiologia dos jogadores durante uma partida, da física da bola (jabulaaaaaaaniii – mais aqui, com correções à matéria da Veja) à neurociência do futebol, da ciência dos pênaltis (mais aqui) à ilusão de ótica que acontece quando o bandeirinha marca erradamente impedimento.

Houve quem se perguntasse quais seriam os resultados se a Copa do Mundo fosse disputada em qualidade do ar e emissões de carbono. Lá no Ciência à Bessa, o Eduardo começou uma sequência de posts muito bacana sobre anatomia a partir dos gols brasileiros (Brasil x Costa do Marfim: a anatomia de um gol; Brasil x Chile: a anatomia de um gol) – pena que não deixaram ele seguir com a série… Seria “o professor” Dunga behaviorista?, debateram alguns, enquanto outros conferiam as dimensões do troféu e a frequência do som fundamental das vuvuzelas.

E, claro, as estatísticas… O que eu mais detesto em transmissão de jogos de futebol são as chatíssimas estatísticas sobre nada, como chamo aquelas intervenções nonsense para informar, por exemplo, quantas vezes o time X já ganhou do time Y em disputas realizadas em gramado alto, às quartas feiras e com chuva. Mas agora fomos apresentados a estatísticas bem mais interessantes, como o estudo que propõe nova forma de se medir estatísticas individuais de jogadores de futebol. Ou o modelo matemático que usou como parâmetros a opinião de especialistas sobre os placares da primeira fase, o ranking da Fifa e os resultados reais ao longo da Copa para estimar o campeão.

Se bem que, em se tratando de estimar o campeão, a sensação foi o polvo Paul (aqui com vídeo). Sim, os cefalópodes parecem mesmo apresentar funções cognitivas privilegiadas em relação a outros invertebrados, mas daí a alçá-lo ao posto de “Nostradamus reencarnado”, só na brincadeira mesmo. Roberto Takata diagnostica alguns dos possíveis “truques” envolvidos nessa  “capacidade adivinhatória” de Paul. Atualização em 15/07/2010 –  tá aqui uma ótima explicação para as escolhas de Paul: ele gostava era de amarelo.

Por fim, embora nossa seleção não nos tenha ajudado muito a curtir essa Copa, podemos ainda torcer por um pouco mais de ciência: na Copa do Mundo de Robôs deste ano, uma das equipes brasileiras chegou às semifinais, superando a seleção de humanos do treinador Dunga, na África do Sul, eliminada nas quartas de final. Como essa competição é anual, os robôs brasileiros têm ainda chance de se tornarem campeões na próxima RoboCup em Istambul (Turquia), aquecendo os ânimos para 2014. Vai Brasil!

E pra finalizar mesmo, um pouco daquilo que o maridão reclamou que faltou nessa Copa, aqui nos pés de um dos gênios da raça que, não a tôa, ainda é  o artilheiro na história das Copas:

Mais sobre a ciência no/do futebol:


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